a aerodinâmica das palavras

O Mundo nas Asas da Arte

Eduarda Amaral

A Arte nos permite brincar com a realidade. Desconstruir verdades estagnadas, colorindo-as com novas cores. Psicóloga, Mestre em Relações Internacionais e Especialista em Políticas Públicas, apaixonada por cinema, musica, fotografia e gente .

Dialética sobre o Aborto: O Adolescente e o Terrível Monstro Inominável

Adolescente: Mãe, qual a sua posição sobre o aborto? Você é favorável, não é?



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Mãe: Meu filho, nenhuma mulher em sã consciência é favorável a tirar uma vida. Mas se você quiser falar sobre a legalização, sobre Saúde, o direito do Estado de legislar sobre este tema, podemos falar.

Adolescente: Não, mãe.

A interrupção de uma gestação no início não é tirar uma vida. Não é vida ainda, pôxa!

E o direito da mulher sobre o próprio corpo?

Mãe: Meu filho, você querer debater se a mulher pode interromper uma gestação é uma coisa, negar que é uma vida humana é outra.

Adolescente, já ficando um pouco irritado: Pôxa, mas não é uma vida.

Já li vários artigos sobre isto.

O pai de um amigo meu, que fez pós-graduação em Direito Genético, disse que nas primeiras semanas da gestação, não há diferenciação entre o feto humano e o de alguns outros animais, tipo o do macaco, por exemplo .

Mãe: Se não interromper, nasce um bebê humano, não é.....?

Não nasce um macaquinho ou um cachorrinho ...

Acho que as coisas devem receber o nome certo.

Como em tudo na vida, devemos ter consciência dos nossos atos. Saber o que estamos escolhendo.

Mesmo quando nossas escolhas são muito dolorosas, temos de dar nomes aos bois.

Adolescente: Pôxa, assim Você está dificultando muito as coisas para a pobre da mulher que têm de tirar o bebê.

Mãe: Meu filho, se não dermos nome às situações, mais tarde, elas vêm nos cobrar. Nos assombram.

Adolescente, bastante irritado: Pôxa, a coisa fica muito complicada assim, não é? Não consigo mais conversar sobre isso agora.

O adolescente se levanta e vai embora.

A mãe fica sozinha.

Naquele momento, cai a ficha, e ela percebe como é aparentemente mais fácil lidar com aquilo que não damos nome.

Naquele momento, cai a ficha, e ela se dá conta de porquê os filmes de terror têm tantos personagens chamados de o “Inominável”, que aparecem em nossas vidas, "vindos do nada" para nos aterrorizar.

Naquele momento, lembra-se de um psicólogo amigo que costumava advertir-lhe: "O não-dito, vira maldito."

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"The Nightmare" - Henry Fuseli - 1781


Eduarda Amaral

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