a biblioteca de babel

Todas as Palavras são Palavras de Amor

Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar.

A Revolução dos Bichos e o Socialismo/Comunismo Como Subversão da Espécie

Uma releitura da fábula Moderna A Revolução dos Bichos.


Já faz praticamente uma década que acredito que o regime russo é basicamente maligno” - George Orwell

revolucao-comunista-russia-620x264.jpg George Orwell e os Porcos Comunistas

O que levou o escritor George Orwell a causar um incômodo ideológico, não apenas na esfera literária e política da época, mas em si mesmo ao escrever a obra Animal Farm: a Fairy Story?

Para nós foi traduzida como A Revolução dos Bichos, esta joia universal é uma Fábula Moderna que escancara o modus operandi não apenas do regime Stalinista, mas de todo o cerne do comunismo.

O problema é que, no auge da segunda guerra, a URSS de Stálin se uniu aos demais países, como a própria Inglaterra entre outros países capitalistas para derrotar o nazismo e derrubar Hitler. Sendo assim, mesmo aqueles que sabiam sobre as atrocidades cometidas por Stálin, não diziam nada, nenhuma crítica ou nota de repúdio contra, já que havia um inimigo comum e a parceria com a URSS seria fundamental.

Lembrando que em 23 de agosto de 1939 foi assinado o pacto entre Hitler e Stálin de Não-Agressão.

Orwell, pela sua obra, nos indica que Stálin deturpou Marx, o Socialismo, ou mesmo o Comunismo. Essa narrativa é um padrão que vem se repetindo principalmente nos dias de hoje; de que o Socialismo/Comunismo real, como deve ser, como foi idealizado por Marx, ainda não aconteceu. Isso porque esse Socialismo/Comunismo almejado só funciona no plano teórico, ou seja, é um sistema tão utópico quanto o Anarquismo.

O que vai diferenciar Comunismo e Socialismo é, basicamente, a forma de tomada de poder; enquanto o comunismo exalta a revolução armada, a rebelião proletária, o socialismo, seguindo a cartilha de Antonio Gramsci, busca uma revolução silenciosa através das estruturas com poder de influência educacional e cultural; escolas e universidades, imprensa e o meio artístico; ou seja, é uma revolução muito mais lenta, porém mais eficaz em seu intento.

Fácil também é a passagem do socialismo para o comunismo sem precisar de luta armada, uma vez que todo o Estado já foi emparelhado culturalmente às ideias marxistas e o povo, de vontade própria, se entrega à nova fase do regime. Os poucos que poderiam se tornar oposição acabam sendo calados. Por isso a importância, no regime socialista, do desarmamento da população, bem como fragilizar o poder da religião, principalmente de raiz judaico-cristã, e com isso a própria estrutura familiar. O comunismo está entre aqueles processos de rebaixar o humano ao estado animalesco; se de um lado há as massas de manobra, tradicionalmente a figura do proletariado, é levado a se degenerar em sua dignidade humana, por outro há os líderes, os poderosos que estão no governo e que se revelam feras insanas se elevando ao nível das maiores vilezas do homem, assim sendo fica difícil separar o homem do animal.

É com esse cenário, em que não se distingue os homens dos porcos, que Orwell termina a sua fábula. Mas se por um lado a história nos apresenta os comunistas (no livro tratado como stalinistas) como porcos, quem afinal são os homens na história?

São os capitalistas, diriam os mais incautos. Mas digo que não. Os homens não são os capitalistas e muito menos representam o Capitalismo.

Os senhores Whymper, Frederick e Pilkington são os Mega-capitalistas, representando os homens, famílias e grupos mais poderosos do mundo. Homens como George Soros, que patrocinam os regimes ditatoriais como instrumentos de centralização de poder, financiam o narcotráfico e grupos extremistas de esquerda, que cumprem a agenda globalista para uma Nova Ordem Mundial.

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A Open Society Fundation, do bilionário Soros, faz doações milionárias para organizações de pautas progressistas; aquilo que conhecemos como Progressismo nada mais é que uma nova roupagem, mais moderna, do comunismo. E é justamente um Estado Forte que a lógica esquerdista busca alcançar. E as pautas progressistas estão alinhadas com os mega-capitalistas como George Soros porque ambos os lados tem um inimigo comum; os valores tradicionais; família, a religião judaico-cristã, uma maior independência e flexibilização do Estado, enfim, um conjunto de costumes atribuídos aos Conservadores.

George Soros financia ONGs de defesa de Direitos Humanos como os institutos desarmamentistas Sou da Paz e Igarapé, além de veículos de jornalismo, entre eles temos Agência Pública e Mídia Ninja. O globalismo só não alcançou a sua meta justamente porque tais tradições impedem o avanço das pautas progressistas que ajudariam a construir um Estado Forte, um governo único. George Orwell não conseguiu ver além do horizonte, ou seja, não reconheceu que essa aliança entre mega-capitalistas e o comunismo/socialismo não si limitava apenas ao regime stalinista, mas abrange toda a ideologia esquerdista e suas variadas modalidades, com suas narrativas metamórficas que se ajustam conforme a situação e sempre favorecendo a ideologia, ou como gostam de dizer “Revolução”. Exemplo, a causa homossexual só interessa ao comunismo enquanto massa de manobra para desestabilizar a estrutura familiar; nunca houve um interesse humanitário com esse grupo. A história nos mostra a perseguição que os homossexuais sofreram e ainda sofrem em regimes comunistas e totalitários. E isso acontece quando o regime já está completamente instalado, nesse caso a necessidade passa a ser outra; eliminar os elos considerados fracos pela sociedade revolucionária.

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Segue a Declaração de Fidel Castro em 1965, ao jornalista americano Lee Lockwood:

Nunca acreditei que um homossexual pudesse encarnar as condições e requisitos de conduta que nos permite considerá-lo um verdadeiro revolucionário, um verdadeiro comunista. Um desvio de sua natureza se choca com o conceito que temos do que um comunista militante deve ser.”

Lembremos que Che Guevara era um matador de homossexuais.

A obra de George Orwell fugiu do seu controle, mas esse é o objetivo das grandes obras; se tornarem maiores que seus autores. Acredito que se Orwell estivesse vivo hoje muito provavelmente ele continuaria se auto-enganando com a utopia socialista. Mas o que ele diria do regime de Maduro na Venezuela?

Os mega-capitalistas, como Soros, continua alimentado a vara de porcos vermelhos que, na tentativa de se tornarem “mais iguais que os outros” se equiparam aos seus donos e todos se banham na mesma lavagem, no mesmo chiqueiro ideológico, fazendo disso a Grande Revolução.

A Granja dos Bichos e a Disputa Pelo Poder

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A fábula se passa na Granja Solar, uma fazenda no interior da Inglaterra, que devido a má administração do Sr. Jones, que passa a maior parte do tempo embriagado, está como que abandonada. Um velho porco chamado Major teve um sonho, uma visão sobre uma rebelião dos animais contra o homem. Depois de um discurso apaixonado, ele ensinou uma canção aos bichos da fazenda, que mesmo antes de terminá-la todos os animais ali presentes no celeiro já cantavam em coro; a canção do Major torna-se o Hino dos bichos. Três noites depois o velho porco morre, deixando o seu legado aos bichos da fazenda.

No entanto, foram três porcos que reuniram todos os ensinamentos do Major, criando um sistema que deram o nome de Animalismo. Os que mais se destacam são: Napoleão, um porco de aparência ameaçadora, pouco falante e com grande força de vontade. Bola de Neve era mais ativo, sonhador, diplomático, mas lhe falta força de vontade. O terceiro, cuja importância se ressaltará no decorrer da fábula, era chamado de Garganta, sempre persuasivo.

Dentro desse novo sistema são traçados os Sete Mandamentos do Animalismo:

1- Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo. 2- O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo. 3- Nenhum animal usará roupa. 4- Nenhum animal dormirá em cama. 5- Nenhum animal beberá álcool. 6- Nenhum animal matará outro animal. 7- Todos os animais são iguais.

Bola de Neve, representando Trotsky se adianta com seus projetos de melhoria para a Granja, que mudou o nome para Granja dos Bichos. No início Napoleão, representando Stálin, apenas observa, mas com o tempo surgem os desentendimentos até o rompimento total.

Desde o início houve uma disputa de poder. Napoleão acreditava que os animais deveriam conseguir armas de fogo e aprender a usá-las para defender a fazenda (o regime) enquanto Bola de Neve argumentava que deveriam enviar mais pombos e incentivar uma rebelião entre os bichos de outras fazendas. Assim como aconteceu na vida real, Stálin queria um “socialismo num só país”, centrando seus esforços na URSS, já o projeto de Trotsky era implementar o socialismo também em outros países, formando assim blocos socialistas de mútua ajuda, seria uma “revolução permanente”. Com Napoleão expulsando Bola de Neve da fazenda, seria o mesmo exílio sofrido por Trotsky, perseguido por Stálin.

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George Orwell deixa claro que os porcos são, dentre todos os animais, os mais inteligentes; aprendem a ler e escrever com facilidade, ao contrário da maioria dos outros animais. Os cães sabem ler razoavelmente, mas não tem interesse. O burro Benjamim tem uma leitura mais avançada. Em resumo, a maioria dos animais não sabia ler, tampouco escrever. As ovelhas representam a grande massa de manobra, são os bichos mais manipuláveis da fazenda. Ignorantes ao extremo repetem apenas o que ouvem e fazem coro “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”.

As ovelhas não pensam, apenas obedecem. Em um cenário em que o povo não tem afinidade com a leitura, onde o livro é um objeto pouco valorizado, ou de forma geral, onde o conhecimento (e o autoconhecimento) não está entre as prioridades, é propícia a subserviência cega desse povo. E o regime comunista/socialista se vale muito da ignorância das massas, pois a manipulação torna-se muito mais fácil.

A imagem da grande força do proletariado nós a encontramos na figura de Sansão, um cavalo robusto e analfabeto, mais fiel que um cão. Uma de suas máximas era “Napoleão tem sempre razão”. Havia também o seu bordão que era repetido diante de cada obstáculo - “Trabalharei mais ainda” - até que caiu doente de tanto trabalhar na construção e reconstrução do moinho de vento, sendo levado a pedido do próprio Napoleão para o veterinário de Willingdon, segundo foi anunciado. Porém, quando o carroção veio buscar Sansão, o burro Benjamim leu na carroceria em caixa alta:

“MATADOURO DE CAVALOS, FABRICANTE DE COLA, WILLINGDON. PELES E FARINHA DE OSSOS. FORNECE PARA CANIS”

Por essa época os animais da fazenda já se tornaram declaradamente escravos do camarada Napoleão. Outro ponto é a doutrinação socialista desde cedo nas escolas e depois nas universidades. Essa faceta do regime também é mostrada no livro quando Napoleão toma das cadelas os seus filhotes que mal terminaram de desmamar para que ele próprio os instrua, longe das mães e dos demais animais da fazenda. O que Napoleão faz é criar uma milícia de cães fiéis a ele e que o ajuda a dar o golpe contra Bola de Neve, expulsando-o da fazenda. A partir daí os cães tornam-se a segurança particular de Napoleão e dos demais porcos e uma ameaça contra aqueles animais que possam opor-se ao novo regime.

A metodologia nefasta de Paulo Freire trouxe sérias conseqüências às últimas gerações no Brasil com sua obsessão anti-opressão dentro da sala de aula, acabando com a autoridade dos professores, além da doutrinação ideológica com fins partidários.

A questão doutrinária nas escolas e universidades tornou-se uma pauta de discussão aqui no Brasil nos últimos anos e tem se intensificado, Isso sem levar em conta a doutrinação de pequenos grupos como acontece com os Sem Terrinha do MST, em que o viés ideológico cubano é abertamente ensinado.

Há também o corvo Moisés, o nome de um patriarca bíblico parece proposital, uma vez que esse corvo representa a igreja ou, melhor dizendo, a religião judaico-cristã. Moisés é a figura sacerdotal que aparece entre uma cena e outra, sua presença não é constante, mas seu papel tem algo de fundamental. Ele traz a mensagem aos animais que, apesar dos sofrimentos vividos aqui na terra, na fazenda, existe um lugar de descanso para todos os animais, uma montanha mágica; a Montanha de Açucar Cande. Os porcos viam Moisés com desconfiança e tentavam convencer os outros animais de que esse lugar paradisíaco não existe. Moisés era tido como espião.

O Objetivo da URSS era extinguir a qualquer expressão religiosa, destruindo igrejas, mesquitas e sinagogas, ridicularizando a religião de forma geral; havia inclusive, publicações mensais como a revista Bezbozhnink (Sem D’us) que satirizava o cristianismo. A perseguição começou com Lênin, matando padres e fechando igrejas, para fazer do marxismo-leninismo a única religião do país. Stálin foi ao extremo com essa violência sangrenta contra as instituições religiosas ao mesmo tempo em que se retratava como um santo soviético.

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Capa da revista russa Bezbozhnink "Sem Deus" edição de 1929.

A ideia de criar Moisés na figura de um corvo, talvez pela negra batina dos padres, não deixa de ser também uma crítica pessoal ao catolicismo.

Se o processo de instauração socialista no Brasil se estabelecesse com a implantação prática do Foro de São Paulo, os cristãos seriam o primeiro grupo a ser perseguido sistematicamente pelo novo Estado.

A distopia de Orwell nos mostra que sob o chicote comunista o destino dos mais fiéis ao regime é servir como cola ou ração para cães. Agora, se é para morrer de fome, que o nosso carrasco nos permita comer carne podre, ratos ou nossos próprios animais de estimação, como tem acontecido com os nossos irmãos venezuelanos no governo de Maduro e que é tão defendido pela porca esquerda brasileira.

A Garganta Profunda da Imprensa – Linguagem Transexual e Homossexualismo das idéias

George Orwell nos mostra em A Revolução dos Bichos e mais ainda na obra 1984, o poder da imprensa, das narrativas construídas em prol do totalitarismo socialista/comunista. Em 1984 existe a desconstrução da linguagem para se construir o que Orwell chamou de Novilíngua, ou Novafala; uma língua criada para deformar os conceitos, condensando palavras, recriando, extinguindo palavras e mudando ou invertendo os seus sentidos, tudo isso para limitar o cerne do pensamento. Uma nova linguagem para limitar o pensamento humano, empobrecê-lo.

Há também o Duplipensamento, ou Duplipensar, outra ferramenta linguística, muito bem apresentada por Orwell em sua obra 1984, outro subterfúgio linguístico usado pelo Socialismo. O Duplipensamento faz com que o indivíduo aceite simultaneamente duas crenças, duas ideias, contraditórias de maneira natural.

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Não é estranho que o ex-deputado do Psol, Jean Wyllys, homossexual declarado, apoie regimes comunistas, tendo como ídolo Che Guevara, um assassino de homossexuais?

Já parou para pensar na capacidade dos esquerdistas em usar (e abusar) da palavra Democracia até mesmo para justificar o regime de Maduro na Venezuela, como já declarou Guilherme Boulos em entrevista?

Não se trata de ignorância, de falta de informação. Eis aí o duplipensar, ou seja, a palavra é usada com dois significados contraditórios ao mesmo tempo; quebra-se o conceito original da palavra para rearranjá-la, reconstruí-la de maneira conivente com o pensamento vigente da ideologia socialista.

Um exemplo na obra de 1984 é “Liberdade é escravidão” da mesma forma que, no pensamento esquerdista, democracia é totalitarismo. Por isso o apoio de Gleisi Hoffmann, e demais esquerdistas, na “democracia” de Maduro.

Da mesma forma, quando uma pessoa não concorda com os ideais esquerdistas/progressistas, automaticamente ela é chamada de fascista, sem nem precisar haver uma correlação com o fascismo de Mussolini; torna-se fascista simplesmente por não concordar com seus ideias. Ou ainda, o discurso feroz dos esquerdistas/progressistas na defesa dos “Direitos Humanos” ao mesmo tempo em que apoiam pautas abortistas, governos ditatoriais seja na America do Sul ou na África.

Duplipensamento e a Novilíngua tem como objetivo moldar o pensamento para limitar a comunicação e expressão dos indivíduos, deixando o pensamento apenas compatível com a visão de mundo socialista/comunista, ou seja, as demais formas de pensamento e a própria imaginação tornam-se inviáveis. Busca-se uma homogenia das ideias, uma homossexualidade do pensamento, pois não há procriação de ideias, a imaginação perde o poder de criar.

Seria, mais ou menos, dar um sentido perverso àquela máxima da obra A Voz do Silêncio (Livro dos Preceitos Áureos do Budismo Tibetano) que diz “a mente é grande assassina do real”. No caso dessas técnicas linguísticas socialistas/comunistas a Linguagem torna-se a Grande Assassina, não apenas do real, mas da própria imaginação.

Porcamente Correto

No governo Lula, em 2004, foi lançado o livro Politicamente Correto e Direitos Humanos, escrito por Antonio Carlos Queiroz, com o apoio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Conhecido popularmente como a Cartilha do Politicamente Correto, o projeto tem como objetivo banir várias palavras tidas como ofensivas, por isso, incorretas; era a vontade do próprio Lula que essas palavras fossem banidas da Língua Portuguesa.

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Na página 12 da “Cartilha do Politicamente Correto” como ficou conhecida, encontramos o seguinte trecho:

Comunista – Termo utilizado até recentemente para discriminar ou justificar perseguições a qualquer militante de esquerda ou de causas sociais. Desde as revoluções que explodiram na Europa, no final dos anos 40 do século 19, e principalmente depois da Revolução Russa, em 1917, os adeptos do socialismo e do comunismo tornaram-se os principais alvos das polícias dos Estados liberais e dos propagandistas do capitalismo...

Ou seja, militantes de esquerda ou de causas sociais não podem ser chamadas de comunistas porque, segundo o “politicamente correto”, adeptos do socialismo e do comunismo são vítimas do regime de Direita (conservador ou liberal) e do capitalismo.

...Contra eles foram inventadas as piores calúnias e insultos, para justificar campanhas de perseguição que resultaram em assassinatos em massa, de caráter genocida, por exemplo, durante o regime nazista na Alemanha; o golpe de Estado de 1965, na Indonésia; e todos os golpes militares ocorridos nos países latino-americanos, incluindo o Brasil, nas décadas de 60 e 70.

O texto acima retira dos comunistas a culpa de qualquer ato de violência, colocando-os como vítimas. Todos sabem que o regime comunista foi o que mais matou gente no mundo, bem mais que o regime nazista. E Hitler e Stálin foram aliados, inclusive assinaram um acordo de Não-Agressão em agosto de 1939. E os atos terroristas que esses mesmos comunistas cometeram na tentativa de implantar o comunismo no Brasil e em outros países da América Latina?

A palavra Fascista também aparece na cartilha apresentando algumas de suas características:

Algumas de suas características: monopólio da representação política por um partido único de massas; centralização extremada do poder político, com a eliminação das liberdades democráticas, e a montagem de um sistema agressivo de propaganda; eliminação da oposição pela violência e o terror; ideologia baseada no culto ao líder político, na glorificação da coletividade nacional, no ódio racial, no desprezo ao individualismo liberal, na oposição ao comunismo e ao socialismo e na colaboração de classes.

Mas todas essas características não são próprias do socialismo e do comunismo?

Pensamento Superficial ou Ejaculação Precoce?

Nos dias atuais, em se tratando de linguagem e comunicação, ainda existe outro perigo; a rapidez exigida pela tecnologia, principalmente através da internet, restringindo ao máximo o tempo de fala e a comunicação como um todo, fragmentando-a em pequenos flashs de informação, formatando assim um novo modelo de pensamento superficial que exige que o indivíduo receba toda informação mastigada, diluída e no menor tempo possível; quanto mais rápido for a transmissão da informação e sua recepção, mais superficial, palatável e aceita ela será. Isso limita o senso crítico e o exercício do pensamento reflexivo.

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Outro ponto é que uma mesma notícia é replicada no modus “copia e cola” incessantemente. Essa nova modalidade está criando a Ejaculação Precoce do Pensamento; mentes que não tem a potência de se aprofundarem em assuntos mais complexos e que demandam mais tempo de análise. Esse afrouxamento mental acaba tornando o cérebro mais preguiçoso.

Um dos personagens de A Revolução dos Bichos que durante a história vai se tornando cada vez mais onipresente é o porquinho Garganta, que sempre “Manejava a palavra com brilho”. Esse personagem é fundamental na história. Altamente manipulador “era capaz de convencer de que preto era branco”. Quem afinal é Garganta? O que este personagem representa no regime socialista/comunista? Garganta é a Imprensa. Responsável não apenas pela propaganda estatal massiva nos governos totalitários, mas pela criação e recriação de narrativas que sejam coniventes com o regime e contra os inimigos. Garganta aparece sempre de surpresa, como se estivesse na espreita, vigiando os passos de cada animal da fazenda.

Ele se torna o porta voz de Napoleão e seu governo. É ele que distorce os fatos. Quando os porcos decidem ficar com a porção de leite e as maçãs, é Garganta que desfaz o incômodo que isso gerou no resto dos animais argumentando que não se tratava de egoísmo ou privilégio, mas que leite e maçã fazem bem para a saúde dos porcos, comprovado cientificamente, uma vez que os porcos são trabalhadores intelectuais.

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Geralmente no final de seus discursos para justificar as diferenças de tratamento entre os porcos e os outros animais da fazenda, Garganta sempre falava, em tom de ameaça “com toda certeza, não há dentre vós quem queira Jones de volta”.

No filme de John Stephenson, 1999, há uma adaptação bem interessante; ao perceber que os animais estavam descontentes com o caso das maçãs e que uma das mães reclamava por seus filhotes, querendo os cãezinhos de volta, Napoleão e Garganta decidiram levar a TV que estava na sala da casa da fazenda, para distrair os animais, para que ocupassem o tempo e não fizessem críticas ao regime ou às decisões que Napoleão tomava.

Da mesma forma era o que vinha acontecendo no Brasil nas últimas décadas durante os grandes eventos esportivos (campeonatos nacionais e estaduais de futebol, copa do mundo, olimpíadas) ou culturais (carnaval), períodos em que decisões, leis, medidas, favoráveis aos governos, eram assinadas e aprovadas sem que a população percebesse, impedindo qualquer rejeição ou pressão popular através de eventuais protestos nas ruas.

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Garganta passou a ter o controle da mente dos animais. Ele foi responsável inclusive pela desmoralização do Bola de Neve, manchando a sua reputação com mentiras, meais verdades, distorções e difamação, de tal forma que Bola de Neve tornou-se o inimigo número um dos animais da fazenda. Tudo passou a ser culpa do Bola de Neve, inclusive a destruição do moinho. E que ele teria se aliado ao senhor Jones para retomar a granja.

É como no socialismo/comunismo, a culpa sempre cai sobre os inimigos, o culpado sempre está fora do regime. Se Cuba tem problemas, a culpa é do “imperialismo” americano. Se a Venezuela está passando fome, a culpa é do capitalismo malvado dos EUA.

Não raro, enquanto Garganta falava de modo persuasivo, havia cães ao seu lado rosnando de maneira ameaçadora fazendo com que os animais aceitassem as explicações e não fizessem mais perguntas impertinentes.

As narrativas iam mudando conforme a conveniência. Quando os porcos passaram a dormirem nas camas da casa do senhor Jones houve quem indagasse, mas no mesmo instante, Garganta se adiantou dizendo que “a lei era contra os lençóis”, não contra as camas. E em pouco tempo, os sete mandamentos foram distorcidos em favor dos porcos que, por essa época, já consumiam álcool. Até distorcerem o último mandamento do animalismo:

Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

Quando a imprensa está atrelada ao governo, servindo como canal de propaganda massiva para enaltecê-lo, ela será contra seus opositores e ditará as regras para as massas. Quando alguém da imprensa, um jornalista, por exemplo, escreve qualquer crítica ou aponta falhas ou ilegalidades contra o governo, partido aliado ou o regime, automaticamente ele sofre retaliação.

Garganta faz o papel da Imprensa, mentindo, distorcendo os fatos, tirando frases de contexto, criando narrativas favoráveis, coniventes com aqueles governos que lhe dão suporte financeiro. Agora, se a Imprensa está contra o governo, ela fará de tudo para derrubá-lo, com fake news e ataques massivos para manchar a imagem e destruir sua reputação.

Napoleão passou a negociar com os humanos, os mega-capitalistas, adquirindo os mesmos vícios. Embora o autor mostre, no final do livro, uma disputa pelo poder representado pelo jogo de cartas sobre a mesa, fica claro que os porcos são e serão sempre subservientes aos mega-capitalistas como George Soros.

George Orwell em seu livro 1984 vai ainda mais longe com a questão das narrativas e o papel da Imprensa nos regimes totalitários. Não basta sermos vigiados vinte e quatro horas, não basta roubarem nossa liberdade de expressão com violência. As narrativas, através das técnicas linguísticas são usadas para nos confundir, destruir nossas mentes até nos transformarmos em ovelhas cegas que mal conseguem elaborar os próprios pensamentos, nos restando apenas repetir, em coro, o que ouvimos do nosso carrasco aceitando tudo como politicamente correto.


Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar..
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