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Todas as Palavras são Palavras de Amor

Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar.

A Segunda Onda Feminista (As Novas Cabeças da Hidra)

Quais os impactos da Segunda Onda Feminista com as novas cabeças de Hidra? A Revolução Sexual é um processo para o Admirável Mundo Novo? Por que a agenda abortista dos megacapitalistas transformou as feministas em empregadinhas submissas?


“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados” - Aldous Huxley

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Projeto Rockfeller e a Agenda Anti-Fecundidade

A narrativa que as feministas usam para justificarem as pautas abortistas é a ideia de um progresso social, humano, até mesmo de uma suposta evolução da mulher. Essa ideia é falsa. O Movimento Feminista é um monstro que desde cedo passou a ser alimentado por uma ideologia política e depois, financeiramente, por um pequeno grupo de multimilionários, organizações e famílias poderosas.

Parece ter havido um bom começo, com atitudes filantrópicas, por parte da família Rockfeller, mas toda essa filantropia se desviou com o tempo, dando lugar aos projetos de um governo mundial paralelo.

Em 1952 John Rockfeller III fundou a Population Council (Conselho Populacional) em Nova York, no intuito de criar métodos para o controle populacional, o que acabou sendo um marco para o crescente movimento em favor da legalização do aborto. Fica claro que a pauta abortista não foi criada pelo movimento feminista. Ou seja, John Rockfeller III apenas passou a usar as ativistas do movimento feminista como suas criadinhas submissas para realizar o seu desejo de criar e disseminar tais métodos.

Com exceção da URSS, onde o aborto já era legalizado na década de 20 e a Inglaterra na década de 30, nos demais países o aborto era crime até a década de 50 quando John Rockfeller iniciou uma agenda global dividida em três etapas:

1 – de 1952 até 1959 a meta era fornecer o fundamento para um trabalho eficaz para o controle populacional. Isso significa, recrutar pesquisadores, cientistas, criar e financiar centros de pesquisa e controle demográfico em todos os continentes e principalmente em países estratégicos como o Brasil. A prova disso está no ensaio do pesquisador e presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais George Martine, em seu estudo intitulado O Papel dos Organismos Internacionais na Evolução dos Estudos Populacionais no Brasil, onde ele mostra as influências dessas organizações: a Population Council, a Fundação Rockfeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur. Todas investiram fortunas em seus projetos desde a década de 50.

2 – de 1959 até 1968 o objetivo era criar programas de planejamento familiar e disseminar tais programas em todos os setores da sociedade. Centros de planejamento foram espalhados em todo o mundo; principalmente na África, Ásia e países subdesenvolvidos. George Martine diz no seu ensaio:

A maioria dos países subdesenvolvidos do mundo inteiro foi instada a formular ‘políticas de população’ entendidas, basicamente, como “políticas de planejamento familiar que levariam à redução da fecundidade”. Para ajudar a convencer o público e os políticos da necessidade de tais políticas e, para implementá-las eficazmente, foram direcionados recursos vultosos para a formação de recursos humanos em demografia e temas conexos, assim como para a geração de dados e a análise dos mesmos. Também foram inventados e apresentados, ad nauseam, vários modelinhos destinados a demonstrar ao mundo inteiro a desgraça que ocorreria se os países pobres não conseguissem reduzir rapidamente seu crescimento.

O nome “Planejamento Familiar” soa mais “bonitinho”, mais limpo, mais humano, do que “planejamento para redução da fecundidade” ou “programa pró-aborto”. Vale lembrar que no final dos anos 50 surgiu a pílula anticoncepcional. No entanto, John Rockfeller não acreditava na eficaz da pílula, por isso investiu em métodos contraceptivos como a aplicação do DIU (dispositivo intrauterino), independente das conseqüências colaterais causadas na mulher como doenças e até a morte; o que prova que na realidade não há uma preocupação honesta com a saúde da mulher e com o seu bem estar. A difusão do DIU foi enorme, foram abertas fábricas de DIU na Coréia, Índia, Turquia, Egito, Paquistão e outros países.

3 – a partir de 1968 foi feito um lobby junto ao governo americano da época. John Rockfeller convenceu o presidente Nixon da importância de se ter um controle do crescimento populacional nos países subdesenvolvidos. E o “Relatório Kissinger”, documento que foi escrito em 1974, pelo Dr. Henry Kissinger, é muito claro ao dizer que para um controle populacional eficaz é necessário a prática e a promoção do aborto e de métodos de esterilização. O Brasil é citado duas vezes nesse relatório.

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E foi por volta de 1974 que o aborto deixou de ser um paradigma exclusivamente científico, médico, para tornar-se um paradigma social/cultural. A responsável por essa mudança foi Adrienne Germain, ativista da saúde da mulher e foi presidente da organização International Women’s Health Coalition. Adrienne, em reunião com John Rockfeller, apresentou uma nova visão, sociológica e cultural, para a questão da redução populacional; uma mudança radical no pensamento feminino, encorajando as mulheres a aderirem não apenas ao aborto, mas a sua independência e o direito sobre o próprio corpo, usando a bandeira da “defesa dos direitos da mulher” em vez de “controle populacional”.

Houve uma mudança de estratégia que consistia em:

* Fazer com que a mulher perdesse a motivação de ter filhos. * Desestruturar e Destruir o padrão familiar do tecido social. * Alterar os padrões das condutas sexuais, incentivando com isso a homossexualidade. * Tirar a mulher de casa, estimulando a mulher a idealizar um projeto profissional e universitário. * Mudar os padrões éticos e sociais. * Educação Sexual precoce.

Um panorama mais detalhado sobre o assunto é apresentado pela Dra. Renata Gusson em seus estudos e palestras.

O Movimento Feminista da segunda onda foi colocado em primeiro plano dentro dessa nova estratégia, que mudou de “controle populacional” para “direitos da mulher”, substituindo o lugar do movimento médico na batalha sociológica e cultural.

Surgem as Novas Cabeças da Hidra

A segunda onda feminista teve como suas mentoras a escritora francesa Simone De Beauvoir, trazendo entre suas obras o livro O Segundo Sexo. Companheira do filósofo Jean Paul Sartre, viveu um relacionamento aberto. Odiava o casamento, chamando-o de “instituição burguesa”.

Betty Naomi Goldstein, que ficou conhecida como Betty Friedan, foi uma escritora e ativista americana responsável por transformar o comportamento dos americanos em relação a vida e dos direitos das mulheres. Sua obra mais influente, que se tornou um best seller, foi a The Feminine Mystique (A Mística Feminina) de 1963.

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A ala mais radical da segunda onda conta com as feministas Carol Hanish, Shulamith Firestone e Kate Millett. Essas são apenas alguns exemplos de feministas que influenciaram o movimento da chamada segunda onda. Vale observar que o feminismo radical não aceita homens.

É da jornalista americana Carol Hanish a frase “O pessoal é político” destruindo qualquer barreira entre a vida pública e a privada. Ela fundou o grupo New York Radical Women (Mulheres Radicais de Nova York).

Kate Millett (seu nome de nascimento é Katherine Murray Millett) foi escritora, educadora e ativista feminista. Considerada uma das principais influenciadoras do movimento da segunda onda. Fez parte da Radicalesbian entre outras organizações.

A Canadense-americana Shulamith Firestone em seu livro A Dialética do Sexo diz que “o amor é o auge do egoísmo”, tentando desenvolver uma visão materialista da história com base no sexo. Na sociedade idealizada pela autora não existe opressão de mulheres. Segundo ela a gravidez e o parto eram pura barbárie, uma violência contra a mulher e o padrão familiar a fonte fundamental da opressão da mulher.

Firestone também defendia as tecnologias contraceptivas e a fertilização in vitro como uma maneira de separar o sexo da gravidez e da criação dos filhos que, nessa altura, poderiam ser criados sem a ideia de pertencer a um casal. Aí então as mulheres seriam livres. Interessante observar que essa ideia não é originária da autora. O escritor inglês Aldous Huxley em seu romance Admirável Mundo Novo, de 1932, já apresentava um panorama futuro onde o nascimento das crianças, no “Centro de Incubação e Condicionamento”, era programado e já separado dos pais biológicos; o modelo de família tradicional não passava de uma vaga lembrança de um passado distante. As crianças eram educadas em creches do estado, onde elas eram estimuladas ao sexo precoce como parte dos aprendizados. Todo isso depois de um longo processo de pré-condicionamento biológico e psicológico. O sistema social era dividido em castas e o indivíduo perdia todo o senso de individualidade e crítica sobre o funcionamento da própria realidade.

No final dos anos 80 Shulamith Firestone foi diagnosticada com esquizofrenia. Morreu em 2012, encontrada morta em seu apartamento por vizinhos que foram atraídos pelo mau cheiro; provavelmente estava morta há uma semana, segundo o senhorio Bob Perl.

A Dialética do Sexo é atualmente usada em programas de estudos femininos, um dos ideais da autora era justamente a criação dos filhos de forma neutra em termos de gênero, algo que já faz parte da nossa realidade. Em países da Europa, principalmente, há uma discussão em favor de uma linguagem neutra e inclusiva para se referir a todas as pessoas. Na Suécia, por exemplo, querem usar nas escolas o pronome neutro “hen”, um meio termo entre “han” (ele) e “hon” (ela), independente do sexo do aluno.

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Nos Estados Unidos há famílias que dão aos seus filhos nomes neutros e não revelam o sexo nem mesmo para os membros da família, deixando que a própria criança decida. São os chamados “theybies”. É o caso de Sparrow, na Flórida, que recentemente completou um ano de idade. Nada da festa de aniversário revela sobre o sexo da criança; Sparrow estava vestida de calça azul e blusa rosa. A maioria dos convidados, entre amigos e parentes, não sabiam o sexo da aniversariante; o sexo não foi nem mesmo mencionado na certidão de nascimento. O movimento é chamado de “Theyby” (they, em inglês, é pronome que se refere tanto para “ele” como para “ela”). Há inúmeros exemplos, mas vou me aprofundar sobre esse tema específico em outro artigo.

A Segunda Onda de início traz a reflexão sobre o que é ser mulher, o que significa ser mulher, sua essência. A preocupação centrava-se, sobretudo, na submissão das mulheres e, com isso, toda uma luta contra o papel da mulher dentro do padrão familiar, significando repúdio ao papel doméstico dentro de casa, à maternidade, a busca por se igualar ao homem em todos os setores da sociedade e a busca pela liberdade sexual, não apenas para escolher seu parceiro, mas para ter o direito de se relacionar com quantos parceiros ou parceiras desejassem.

A Segunda Onda estava aliada aos movimentos do seu tempo; do movimento Hippie ao Black Power e do Black Panther Party (Partido dos Panteras Negras), das intervenções artísticas em todas as suas expressões. A segunda onda sedimentou questões que depois passaram a ser exploradas com mais intensidade pela terceira onda; questões como lesbianismo, ideologia de gênero e grupos considerados minoritários ou marginalizados.

A Revolução Sexual foi o veneno injetado na sociedade moderna. É o veneno da Serpente possuída por Lilith para desviar Eva do seu propósito como auxiliadora de Adão. Trazendo o conflito não apenas entre a criatura e o seu criador, não apenas entre o homem e a mulher; mas em maior profundidade, instaurou se um conflito entre a mulher e sua real natureza e propósito. O arquétipo de Lilith se faz presente em todo o movimento feminista dessa fase e com tal intensidade que seus resultados maléficos reverberam com tamanha força nos dias de hoje.


Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar..
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