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Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar.

As Faces do Feminismo - De Lilith à Hidra de Lerna

Nesse artigo procuro colocar em uma perspectiva simbólica, mitológica, a primeira onda do movimento feminista.


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Eu quero ver um homem espancado até (ser reduzido) a uma massa sangrenta com um sapato de salto alto enfiado em sua boca, como uma maçã na boca de um porco” - Andrea Dworkin

Olympe de Gouges, a Revolução Francesa e a Primeira Onda

Para muitos estudiosos o Feminismo teve sua relevância em meio a Revolução Francesa (1789), no Iluminismo. O principal nome é Olympe de Gouges (seu nome de nascimento é Marie Gouze), dramaturga e ativista política francesa, que lutou pelo direito ao voto das mulheres sem alcançar o seu intento. Ela abraçou a Revolução Francesa; um monstro sangrento que deu início à queda abismal da França e trouxe conseqüências até os dias atuais.

Decepcionada, Olympe acabou morrendo na guilhotina pelas mãos dos revolucionários radicais jacobinos; diferente do grupo moderado dos girondinos; a ala conservadora. O principal líder dos jacobinos foi Robespierre, com suas posições radicais e esquerdistas usando de extrema violência com objetivo de transformar a França em uma república baseada na igualdade social.

A Primeira Onda é a primeira versão moderna do Feminismo que surgiu no Reino Unido e se estendeu aos Estados Unidos; lembrando que o movimento feminista é um movimento político. As chamadas “Sufragistas” buscaram igualdade com os homens principalmente no casamento, na educação, direito ao voto e na participação política.

A Primeira Onda Feminista, surgida do movimento operário trabalhista, e por isso ligada ao movimento socialista, teve como algumas de suas principais representantes Flora Tristán, ligada sobre tudo ao socialismo utópico, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai eram ligadas ao socialismo científico, mais conhecido como socialismo marxista. Delas surgiram a ideia do Dia Internacional da Mulher, comemorado dia 8 de março e que foi anunciado pela primeira vez na Dinamarca em 1910 na segunda conferência internacional das mulheres socialistas com a intenção unirem esforços para conquistarem o direito do voto.

Essa data se fortaleceu nos Estados Unidos em 1911 depois de um incêndio em uma fábrica em Nova York que matou mais 130 operárias, causando revolta e comoção internacional. E foi em 1917 que a data definitivamente se consagrou quando na Rússia mulheres saíram em protesto nas ruas contra o czar Nicolau II devido às más condições trabalhistas e a miséria. Elas só não esperavam pela catástrofe social quando o comunismo tomou conta do país através das mãos sanguinárias de Lênin, Trotsky e Stálin.

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Durante todo esse processo, as Sufragistas passaram do protesto pacifico para o vandalismo, incendiando propriedades de políticos, explodindo caixas de correio, cortando fios de telégrafo além de quebrarem vidraças de lojas pela cidade. Ao serem presas faziam greve de fome. Foi nesse cenário que explodiu a Primeira Guerra Mundial, obrigando os homens e deixarem seus lares e irem para o campo de batalha. Com isso as mulheres passaram a assumir os postos de trabalho e em conseqüência a própria economia, e já no final do conflito uma parte das mulheres se juntaram aos homens na guerra. Foi então que elas conseguiram o direito ao voto no Reino Unido e em outros países, ainda que o direito ao voto só fosse concedido às mulheres brancas nascidas nesses países.

Lilith

Lilith vem da palavra sumeriana Lilitu, que significa “demônio feminino” ou “espírito do vento”. Na Mesopotâmia ela está relacionada com Inana ou Isthar por assírios e babilônios. No British Museum encontra-se o tablete com sua imagem mais conhecida; uma mulher com asas e pés de ave de rapina, em suas mãos erguidas ela segura um anel e uma vara que, curiosamente, nos remete ao símbolo da resistência feminista.

Segundo a tradição mitológica judaica, Lilith foi a primeira esposa de Adão, Eva só veio depois. O primeiro indício dessa história nós encontramos na misteriosa passagem bíblica que está em Gênesis 1;27: “Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Tratando da ação de Deus ao criar homem e mulher. No versículo seguinte, 1;28, está escrito: "E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra ..." No entanto, mais adiante, no capítulo 2;18 está escrito: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea”.

Aqui temos um problema; Se Deus criou homem e mulher, segundo a Sua imagem, por que no capítulo seguinte Deus encontra Adão sozinho? E que seria bom criar uma mulher (outra?) para ele; e que seja uma mulher “idônea”, ou seja, uma mulher que seja apta, que sirva perfeitamente ao propósito (de Deus). E antes de criar Eva, por que Deus os abençoou e lhes disse “frutificai-vos e enchei a terra”? Se não era Eva que estava com Adão, então era quem?

No Sepher Ha-Zohar, o Livro do Esplendor, Rabi Abba diz: “O primeiro homem era macho e fêmea ao mesmo tempo, pois a escritura diz: E Elohim disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança (Gên. I, 26). É precisamente para que o homem se assemelhasse a Deus que foi criado macho e fêmea ao mesmo tempo” . Bem como na tradição talmúdica e na Tora encontra-se textos referentes ao Gênesis do Homem.

É possível que tenha acontecido um corte entre essas passagens, 1; 26-28 e 2; 18, há um espaço entre acontecimentos que não estão claros, pior, parece realmente faltar algo aqui. Naturalmente o mistério alimenta especulações.

Outro trecho, pertencente ao capítulo 2, que corrobora com essa interpretação é o versículo 23: “E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne, ela será chamada mulher, pois do homem foi tomada”. Em algumas traduções está escrito “agora sim” ou “esta sim” “é osso dos meus ossos...”. Esta (Eva) sim, porque a outra não era; a outra foi criada do barro junto com Adão.

Segundo a tradição judaica, Lilith foi a primeira mulher de Adão; foi criada junto com Adão, que no início foi criado como um ser andrógino (macho e fêmea os criou). Mas Lilith reivindica os mesmo direitos que Adão, o mesmo papel na criação. Desde o início ela mostrou a sua natureza rebelde, indomável, por isso deixou a presença de Adão justamente por não querer se submeter a ele, inclusive recusando a forma da relação sexual com o homem sobre a mulher.

Por que a Serpente não tentou Adão?

Teólogos argumentam que Eva era a ponta fraca da criação, discordo frontalmente; ela até poderia ser enganada mais facilmente, mas isso não faz dela a ponta frágil do casal. A tentação usada pela Serpente se baseava na ambição; a ambição luciferiana: “...no dia em que dele (o fruto) comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus”, Gên. 3; 5; isso soa estranho porque o homem, pela sua natureza, tende a ser mais ambicioso, mais competitivo, que a mulher.

Ao ser expulsa do Éden, Lilith se tornou um demônio noturno, com o poder de se transfigurar em outras formas. Mesmo sabendo que Eva não à conhecia, se transfigurou em serpente, a mais astuta de todos os animais segundo as escrituras, para entrar no Jardim e levar Eva à perdição; um espírito feminino maligno tentando corromper a nova natureza feminina criada por Deus através de uma parte de Adão. Lilith não procurou Adão porque certamente ele reconheceria a sua primeira companheira, mesmo na forma de serpente.

Vale lembrar que a Serpente bíblica, antes de ser amaldiçoada, era o animal mais belo do Éden e caminhava, depois foi condenada a rastejar e comer pó. Aqui temos outra perspectiva, mais coerente; a Serpente não era Lilith, mas deixou ser possuída por Lilith para entrar no Jardim e enganar Eva.

Lilith, na pele da Serpente, plantou a discórdia entre Deus e o homem e entre o homem e a mulher; ao ser questionado por Deus, Adão joga a culpa sobre Eva: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore e comi”, Gên. 3;12.

Creio que Lilith não gostou da ideia de “encher a terra”. Ela negou a maternidade porque o que ela desejava era ter controle sobre o próprio corpo. As feministas adotaram a bandeira pró-aborto usando essa narrativa de serem “donas do próprio corpo”. Lembrando que a antiga URSS, no início do regime comunista, já na década de 20, legalizou o aborto.

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Já na Primeira Onda, temos como exemplo a feminista e marxista Alexandra Kollontai, que foi amiga do Lênin e que coloca a revolução e a luta de classes acima de tudo, inclusive da maternidade; para ela, as mulheres estavam condenadas a suportarem “todo o peso da maternidade”. A solução para arrancar parte do peso da maternidade, sua responsabilidade das costas da mulher, seria o uso de creches como estratégia revolucionária, deixando o Estado como responsável pela criação dos filhos, tirando as crianças das mães e do convívio familiar, facilitando assim o molde comunista como parte da identidade da criança.

Segundo tradição judaica, Lilith, depois de expulsa do Éden, foi transformada em um demônio feminino. Interessante é que as principais vítimas desse espírito maligno são as crianças; os recém-nascidos; uma maneira de destruir a base familiar, rompendo com isso a ordenança de Deus - “frutificai-vos e enchei a terra”; por isso a negação da maternidade.

O ódio das feministas contra a tradição patriarcal advém do mesmo espírito de Lilith. E a luta pelo direito ao voto e da participação política esconde, na realidade, uma busca pelo poder político e social, inicialmente, equiparado ao homem, ou seja, a busca pelos “direitos iguais” mesmo entre seres diferentes. Nas duas ondas seguintes já não se trata mais de “direitos iguais”, mas da mulher ter o seu próprio caminho e do projeto para suplantar o homem e seu domínio, seu papel, na sociedade como um todo. E fica claro que a força e a influência espiritual maligna de Lilith sobre as feministas ficam mais intensas na Segunda Onda, quando vemos a bandeira da Revolução Sexual se erguer com força total dentro da Contra-Cultura mundial.

A Hidra de Lerna

Se o arquétipo da feminista, o indivíduo, pode ser representado pela figura de Lilith, o movimento feminista, o coletivo, pode ser representado pela figura monstruosa da Hidra de Lerna. Por isso, corte uma de suas cabeças e logo duas outras nascerão no lugar.

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O feminismo não defende mulheres. O feminismo defende uma causa política, um movimento, uma ideologia que foi inserida dentro de uma agenda global. Aquelas mulheres que não se filiam ao movimento, que não concordam ou não se adéquam a essa ideologia são condenadas pelo feminismo.

E o feminismo é apenas uma das engrenagens da Engenharia Social, um mero instrumento, um monstro criado em laboratório. A Dra. Renata Gusson adverte que a bandeira pró-aborto foi financiada, logo no início da década de 50, pelo multimilionário John Rockfeller III através da Population Council, uma organização mundial de controle populacional.

A ironia é que as feministas, orientadas pelos regimes socialista/comunista, são meras empregadinhas dos mega-capitalistas que financiam seus movimentos ativistas em prol de uma agenda global, parte de um sistema maior e mais complexo. E o que há por detrás de tudo isso já deixou de ser teoria faz tempo.


Mateus Machado

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar..
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