a dama célebre

Do Éden ao leito, as minhas loucuras

Charlote Claire

Caloura de Biologia, 17 anos, Gemini. Cantora de chuveiro desde os 6 anos, poeta entre os intervalos das aulas, Drama Queen. Componho músicas para musicais imaginários e preciso consertar o meu violoncelo! Nasci no século errado, sou completamente das antigas, ''old school'', que seja! Ah, e para finalizar, serei sempre, eternamente, uma Dancing Queen.

A Disney, o Feminismo e o papel da mulher na sociedade

A Companhia Walt Disney sempre foi uma grande força influenciadora na mídia, e é claro que acabou por retratar de forma fiel o papel da mulher na sociedade desde 1937, com ‘’Branca de Neve e os Sete Anões’’, sua primeira adaptação cinematográfica de um conto. Mas como se deu o seu progresso em relação à mulher ao longo dos anos?


Sleeping-Beauty-Featured.jpg Princesa Aurora, em ''A Bela Adormecida'', recebendo seu beijo de amor verdadeiro.

A origem do movimento feminista contemporâneo deu-se na metade da década de 1960, nos Estados Unidos. Logo, nesse meio período tivemos filmes como Cinderella e A Bela Adormecida, que possuem em comum a figura de uma mulher um tanto quanto indefesa.

Em Cinderella, a personagem principal simplesmente não é capaz de se livrar de sua madrasta, mesmo que ela seja a herdeira da casa em que vive. E toda humilhação vivenciada por ela acaba quando o príncipe (homem, que ela mal conhece) a resgata e os dois se casam.

A história de Aurora não é tão diferente da de Ella. Em A Bela Adormecida, a princesa Aurora é afastada de sua família devido a uma maldição, e aparentemente, sua salvação está em um beijo de amor verdadeiro.

Naquele momento histórico, meninas de todas as idades cresciam acreditando que deveriam ser salvas um dia por um príncipe montado em um cavalo branco com quem se casariam e passariam o resto da vida. E a mídia contribuía cada vez mais para o papel da mulher doméstica e obediente ao marido, seu herói, com propagandas em que as esposas eram aconselhadas a deixar o jantar quente e servido ou seriam castigadas, por exemplo.

Enquanto o movimento feminista clamava por libertação e afirmação da mulher na sociedade, as futuras gerações femininas brincavam de boneca e sonhavam em felizes para sempre com um desconhecido.

Em 1961, a Disney lançou o filme 101 Dálmatas. Porém, o que esse desenho animado sobre o uso inadequado da pelagem canina para a fabricação de roupas, tem a ver com papel da mulher? É simples, a vilã do longa-metragem é uma mulher, supostamente solteira e independente, justamente as características que ninguém da época esperava de uma moça de família. Tal filme indica que o feminismo era fora de padrão, e qualquer menina que ao atingir a idade não fosse dada em matrimônio, estaria encalhada e seria rechaçada, se transformaria em um monstro, uma vilã.

cruella.jpg Cruella De Vil, a famosa vilã de ''101 Dálmatas''.

A década de 1970 marcou o auge do feminismo, antes de seu grande declínio em 1980. A luta pelo divórcio e pelo aborto começou a entrar em vigor. Nesse período não houve nenhuma adaptação cinematográfica direcionada exclusivamente ao público feminino. 1967 - Mogli, o menino lobo. 1970 – Aristogatos. 1973 - Robin Hood 1977 – Pooh- O Ursinho Guloso 1977 –As Aventuras de Bernardo e Bianca 1981- O Cão e a Raposa

Durante esse tempo, o mundo passou por diversas crises: narcotráfico, violência e terrorismo, que acabaram por tirar a atenção dos movimentos feministas. Contudo, na década de 1990 o feminismo retornou à bancada, retomou sua luta para reivindicar novos direitos. E em 1989, a Disney lançou A Pequena Sereia.

The Little Mermaid continua tendo um príncipe, porém podemos perceber uma enorme mudança principalmente na personalidade da personagem feminina. Ariel é curiosa, aventureira e costuma questionar as regras, ela tem atitude, e o mais interessante: a princesa quem salva o príncipe e todo o seu reino.

Em 1991, vem A Bela e a Fera, da mesma forma que Ariel, é Bela quem pode salvar a fera de sua cruel maldição. Além disso, Bela é uma leitora ágil, intelectual e não aceita fácil a proposta de casamento de Gaston, um homem arrogante que pensa que pode ter tudo o que quer. Em 1992, temos Aladdin e Pocahontas, ambos os filmes com a presença de uma mulher determinada.

Em 1998, é a vez de Mulan que vem para mostrar que meninas não são nada frágeis e são sim tão capazes de uma luta como um homem é, indicando a tão desejada igualdade dos gêneros.

mulan.jpg “A flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e bela de todas.” ― Mulan

Nesse momento já é possível concluir que a Disney conseguiu construir personagens femininas inspiradoras, adequando cada uma à sua época. No século XXI, a companhia nos trouxe novas princesas: A Mérida, por exemplo, se recusa a se casar com quem não ama e ela luta por ela mesma, pelo seu direito de dizer não ao casamento arranjado. Também temos a Rapunzel, que dá um jeito de fugir de casa para ir atrás de seu sonho.

Todavia, o ápice do feminismo na Disney está no filme Frozen. É preciso destacar que há algo peculiar nessa história. De um lado existe a Anna, que é uma típica princesinha que acredita em contos de fada e amor à primeira vista, do outro, temos a Elsa, uma rainha independente e de personalidade forte, que esconde seus talentos com uma luva. O fato de ambas compartilharem um laço por serem irmãs e serem completamente o contrário uma da outra, reforça a trilha por onde a Disney caminhou até chegar aqui: a menina sonhadora e a mulher que luta pelo que acredita, as duas em uma mesma trama, em um mesmo momento, exatamente o que acontece na realidade, pois nossa sociedade ainda se encontra em uma transição, há quem lute por igualdade dos sexos e há quem acredite que a submissão seja adequada. Ademais, esse longa musical possui em sua canção ‘’Livre Estou’’ um recorte da mulher da atualidade, quase um hino feminista:

Livre estou, livre estou/ Não posso mais segurar/ Livre estou, livre estou/ Eu saí pra não voltar/ Não me importa o que vão falar/ Tempestade vem/ O frio não vai mesmo me incomodar/ De longe tudo muda/ Parece ser bem menor/ Os medos que me controlavam/ Não vejo ao meu redor/ É hora de experimentar/ Os meus limites vou testar/ A liberdade veio enfim/ Pra mim/

Elsa1.png A Rainha Elsa em sua performance de ''Livre Estou''

Assim a Disney pôde se moldar em conjunto com as transformações do papel da mulher durante as décadas e mostra hoje o seu apoio à causa de muitas mães, esposas e amigas ao redor do globo. Agora é com você, caro leitor. Quem é a mulher na sua sociedade?


Charlote Claire

Caloura de Biologia, 17 anos, Gemini. Cantora de chuveiro desde os 6 anos, poeta entre os intervalos das aulas, Drama Queen. Componho músicas para musicais imaginários e preciso consertar o meu violoncelo! Nasci no século errado, sou completamente das antigas, ''old school'', que seja! Ah, e para finalizar, serei sempre, eternamente, uma Dancing Queen. .
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