SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas.

E assim nasce um amor

O passado é presente se a gente oferece, mas âncora quando a gente se distrai.


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Primeiro eu disse ‘não sei’, como se o cheiro da novidade me trouxesse desconforto. Natural que por algum tempo não vejamos a paixão como a bandeira branca que, de fato é. Diferente da sublimação, foi em cada pouso dos meus olhos nos teus que soube tudo o que haveria de querer que fosse.

O pânico das mãos soltas derrubando copos, talheres e tocando a pele – sua pele. A saudade que invade e me devolve um dia de horas longas, depois de você prometer, por três vezes, que só vai dormir mais cinco minutos antes de se levantar e, feito gente grande em corpo pequeno, ir ver qual é a da vida. Seu perfume que me assalta nas horas mais improváveis, exibindo um filme de nós dois.

Mas as circunstâncias são donas de si mesmas e não atendem, tampouco cedem aos caprichos de quem quer que seja.

A necessidade de não assustar quem se quer cada vez mais perto, faz com que escolhamos ou guardemos as palavras numa caixinha de formato cardial, sem nos darmos conta de que um silêncio igual a esse pesa uma tonelada e faz da ansiedade, uma bomba de mil megatons.

Ora, se aqui dentro eu sei o que sinto: Esquenta meu peito lembrar do teu. Se tropeço é que estou longe do cuidado que teu colo fia. Se fecho os olhos é que estou mais perto do teu afeto do que de Deus. Se te abraço e não largo, é que te quero cúmplice do meu carinho.

Aceito que seja devagar, mas te preciso inteira; teu corpo, o riso e a saudade, tanto quanto o silêncio – pois, às vezes, as palavras enganam. Meu colo quer ser lembrado com o mesmo aconchego que é recostar a cabeça num travesseiro quando o cotidiano e a rotina lhe forem mais duros do que o costume os fez.

Sou teu, como as noites do Rio, mas não passo – não vou passar – igual nuvem dada às inconstâncias.

Mas não se engane, pois não sou teatro nem ator. Sou tua dança e altar. Homem que sente, expira e inspira e escreve no braço o endereço do teu corpo, não porque a memória é curta, mas a querência urgente.

E se acaso amar estiver muito longe eu te estendo minha mão: vamos juntos!

Afinal, ciúme desses dias passados é assinatura do bem-querer.


SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas..
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