SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas.

Já viu esse? O exorcista

Em 1973 estreava nos cinemas a obra cinematográfica que se tornaria um clássico do gênero terror: O exorcista.


o-exorcista1.jpg

Baseado no livro homônimo de Willian Peter Blatty - que também escreveu a adaptação do roteiro - e dirigido por Willian Friedkin, a história trata da possessão e exorcismo de uma garota de 12 anos, Regan McNeil.

São nos detalhes que este filme é superior aos outros do mesmo gênero. O diretor soube explorar com competência as nuances de cada personagem, sem cair, jamais, nos clichês do gênero ou recorrer aos previsíveis e gratuitos sustos. Há uma sensação de claustrofobia quando estamos dentro da casa, e sentimos frio e desconforto toda vez que visitamos, junto com Regan e sua mãe, os médicos e suas salas esterilizadas; o terror vem dos procedimentos invasivos e das agulhas que ela precisa, antes, enfrentar. A trilha sonora repetida constantemente pelo teclado nos deixa submersos, apreensivos, enquanto a edição precisa velozmente nos leva através dos acontecimentos, sem que deixemos, contudo, de entender os dramas e preocupações que afligem cada personagem.

Vide a maneira econômica e eficiente que o diretor nos apresenta ao demônio; flashes rápidos quando a luz da casa se apaga, revelando sua presença pelos cômodos. Vide a mãe de Regan, uma famosa atriz de Hollywood, deteriorando-se desesperada, sem saber como ajudar a filha.

Após perceber que todo tratamento sugerido pelos médicos tem sido inútil, ela recorre ao padre/psicólogo Damien Karras, que recusa, a princípio, a ideia do exorcismo. Ele tem seus próprios demônios e mais uma vez o diretor nos mostra exatamente o que precisamos saber a seu respeito, em poucas cenas.

Vide Damien arrasado, conversando com seu tio sobre a falta de dinheiro que impede sua mãe de receber um tratamento melhor. Vide Damien esmurrando um saco de pancadas em um ginásio de boxe. Vide Damien fumando e bebendo. Vide Damien distribuindo hóstias para os fieis enquanto tenta manter a própria fé.

É após conhecer Regan que ele se convence da veracidade da possessão e quando a Igreja permite, enfim, que o ritual de exorcismo aconteça, um padre mais experiente é convocado: Lankester Merrin, padre e arqueólogo com problemas cardíacos, que sabemos depois, já ter combatido a entidade que possui o corpo de Regan, em ocasião anterior.

A partir de então, somos expostos a um ritual tenso e violento. O poder do demônio fica evidente na cena em que Regan rompe as amarras que a prendem à cama e levita, até que seu corpo quase toque o teto. Sem qualquer trilha sonora, somos expostos apenas às palavras de ordem de ambos os padres “É o poder de Cristo que te compele”.

O clímax começa quando Damien retorna ao quarto - após uma pausa necessária - e encontra padre Merrin morto, caído sobre a cama, enquanto Regan, desatada, ri. Transtornado ele a arremessa ao chão, enquanto ordena aos socos que o demônio deixe Regan livre e possua a ele próprio. Assim que seu pedido é aceito Karras se arremessa pela janela, rolando quatro lances de escada a baixo, até se esborrachar na calçada. Sem qualquer lembrança do ocorrido, Regan e sua mãe mudam-se, depois, de cidade.

Talvez hoje em dia, para as gerações acostumadas ao torture porn, que é o terror com mutilações e torturas física e psicológica, e dependentes da urgência e velocidade, o Exorcista seja apenas mais um filme velho, lento e que quase não assusta. Porém, um olhar um pouco mais atento pode descobrir sutilezas impressas nas cenas e nos diálogos deste clássico, que sempre figurará nas listas dos filmes essenciais a serem vistos.


SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @obvious, @obvioushp //SAMUEL ANTUNES
Site Meter