SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas.

Dias de faxina

Certas pessoas entram na nossa vida quando a gente menos espera. Sem qualquer razão aparente, apenas entram para que aprendamos a lidar com isso.


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Receber alguém novo na velha vida é como mudar a mobília da casa de lugar para melhor aconchegar um hóspede inesperado: Leva tempo, mas notamos, no final, quanta diferença fez a nova disposição dos móveis.

Porém, aceitar tais mudanças não é fácil, tampouco simples. Não é a preguiça de arregaçar as mangas que nos faz endurecidos e irredutíveis, quando a pauta é trocar nossa poltrona pelo sofá de três lugares, mas sim o medo que nasce das possibilidades inerentes a qualquer novidade.

Assusta tirar o tapete do lugar em que esteve desde sempre. Assusta pensar que algum dia, talvez tenhamos que mudar novamente as coisas de lugar ou, quem sabe, deixar tudo na mesma posição, para sempre. Ambas as possibilidades assustam-nos deveras e igualmente.

Ainda assim - e apesar disso - flagramo-nos querendo que a pessoa fique para o café da manhã, enquanto, de mãos atadas, felizes e idiotas, esperamos que ela também queira ficar.

Os dias de faxina sempre assustarão, mas, ora bolas, não assusta muito mais perder alguma coisa que nos faz bem?


SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas..
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