SAMUEL ANTUNES

Igual a você, vivo por aí a duras penas.

JÁ VIU ESSE? ELA

Mais do que vencedor do Oscar na categoria de melhor roteiro original em 2013, Ela (Her), de Spike Jonzie, é um olhar atento sobre os relacionamentos humanos.


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A história acompanha o romance entre Theodore (Joaquim Phoenix) e Samantha (voz de Scarlett Johansson). Ele, um sensível escritor profissional de cartas, que logo sabemos estar deprimido – em ótimos e velozes flashbacks – devido a um divórcio ainda não resolvido com sua esposa Catherine (Rooney Mara). Ela, um software de inteligência artificial capaz de interagir de maneira única com o usuário, através de suas características pessoais.

Apesar do elenco principal e secundário estar ótimo em seus papéis – destaque para Amy Adams, são os dois protagonistas que roubam todas as cenas: Joaquim Phoenix desaparece sob mais um personagem demasiadamente humano, repleto de camadas e expressões. Por sua vez, Scarlett Johansson, ubíqua e sem corpo, impressiona com as entonações de sua voz, ora sexy, ora melindrosa e apaixonante.

Ainda que nenhuma data seja posta, sabemos que a história se passa em Los Angeles, em algum futuro não tão distante.

O cuidado e esmero técnico em toda a produção são impecáveis. Traços da arquitetura chinesa misturados à cidade; a escolha pelas cores claras e quentes; o figurino vintage, lembrando que a moda revisita vez ou outra seus dias passados – qualidades todas esperadas, quando Hoyte van Hoytema e KK Barett são os diretores de fotografia e arte, respectivamente.

É prazeroso assistir ao diretor (e também autor do roteiro) apresentar cada informação necessária para nos situarmos, sem jamais optar pelo clichê ou subestimar a capacidade de compreensão da plateia com diálogos autoexplicativos. Os cortes rápidos e a edição precisa transmite o vazio que é o dia a dia das pessoas, sempre conectadas apesar de distantes, umas das outras.

Mas é no texto que reside o maior trunfo: sua capacidade em abordar, com sensibilidade, questões importantíssimas, como tecnologia versus falta real de empatia; os critérios que delimitam e fazem de cada relacionamento único; a importância das amizades..., dentre tantos.

Apesar de que uma bem vinda melancolia pontue o filme todo, há ótimos momentos cômicos espalhados, sempre funcionais à narrativa.

No geral, Ela é um recorte genuíno do que a vida humana pode representar: uma tragicomédia intimista, repleta de boas e más situações.


SAMUEL ANTUNES

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