a equilibrista

A felicidade está no equilíbrio

Brenda Freitas

Mulher com jeito de menina, determinada e inconstante, forte e frágil... Como dizia Raul Seixas “Prefiro ser essa metamorfose ambulante”. Vivo em busca de encontrar o equilíbrio pois para mim, é lá que se encontra a felicidade.

Para o amor, o tempo para.

Texto inspirado no filme “ A incrível história de Adaline”.
Um texto sobre o amor e sua capacidade de permanecer inerte à ação do tempo.


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Ao assistir o filme “ A incrível história de Adaline” uma cena me tocou profundamente, já no final do filme, Adaline Bowman encontra seu amor antigo William Jones. William, em sua juventude, se relacionou com Adaline, todavia no dia do encontro em que a pediria em casamento, Adaline não aparece, deixando o esperar, por minutos, horas, por uma vida. William não sabia, mas Adaline ao vê-lo sentado em um banco a esperando com as alianças em mãos, resolveu fugir para não magoá-lo, pois sua incapacidade de envelhecer impediria que tivessem um relacionamento duradouro.

Anos depois, os dois se reencontram, William apesar de estar casado e ter seguido sua vida, continua levando Adaline em seu coração, provando que apesar de ter envelhecido, o sentimento permanecia imutável. Se pudéssemos apertar um botão “delete” com certeza excluiríamos de nossas vidas muitos momentos ruins, mas os momentos que causam mais dor são os bons momentos, aqueles que sentimos vontade de fazer perdurar. Como canta Nana Caymmi em sua canção Resposta ao tempo: “Ele ( o tempo ) zomba do quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei”. Desta forma, ilustrando a capacidade do tempo de passar, de seguir seu curso natural, enquanto aqueles que amam permanecem atados ao sentimento.

Quem nunca se perguntou o motivo pelo qual aquele amor não perdurou ou pelo menos não durou um pouco mais? O personagem William Jones usou a teoria do meteoro, e aguardou durante anos o tão esperado retorno, quem sabe para diminuir a dor, se apegou a algo que o fizesse acreditar que seu amor não existia apenas dentro dele, mas era recíproco.

E aqui estamos, juntando os cacos espalhados no chão do quarto, removendo os objetos causadores de lembranças dolorosas, excluindo as fotos, as músicas, passando pelos lugares que relembram os momentos mais felizes e nos recusando a olhar mais uma vez, a lembrar novamente a cena de um filme que se encerra no meio e o pior, sem a nossa permissão. Há quem crie músicas, poemas, há quem simplesmente se entregue a dor e também os que seguem suas vidas. Todavia, é inquestionável a força do amor, capaz de congelar os momentos de felicidade, capaz de permanecer ali, contrariando a ação do tempo, mostrando que continua mesmo quando tudo ao redor já tenha mudado. Não existe mais o sabor dos beijos, o cheiro, os toques, o ser amado se foi, mas as lembranças continuam a latejar por dentro, fazendo os sentimentos se assemelharem a uma represa que está prestes a vazar. tumblr_li2rudv7b61qguatmo1_500.jpg Amores não forem feitos para terem um final, afinal o amor não envelhece, não termina, talvez tenha tomado a porção da imortalidade e fica ali se renovando. Aguardamos algo que justifique a partida de alguém que amamos. Algo que nos responda o motivo de não ter nos escolhido, de não ter permanecido ao nosso lado. Mas a vida não é como nos filmes ou como quebra-cabeças em que as peças se encaixam e fazem sentido. Na vida real o fenômeno de ser abandonado não é justificado e por isso continuamos aguardando como o ator que espera o meteoro, aguardamos um sinal, um encontro inesperado, uma ligação, algo que nos responda a temida pergunta: Por que você partiu, mas continuou dentro de mim?

E seguimos, seguimos com a parte que nos restou, lutando para esboçar o melhor sorriso na frente do espelho, para dizer: Você é forte! Tentando encontrar nos livros de autoajuda, nos textos sobre autoestima, nas viagens, nas programações dos finais de semana, algo que nos faça perceber que existe vida após o amor. E existe, depois do fogo a pipoca estoura, depois da noite escura vem o amanhecer. Não podemos arrancar a página, mas temos o poder de escrever um novo começo, uma nova história, um novo amor, que não seja interrompido no meio, mas que tenha direito a um final feliz.


Brenda Freitas

Mulher com jeito de menina, determinada e inconstante, forte e frágil... Como dizia Raul Seixas “Prefiro ser essa metamorfose ambulante”. Vivo em busca de encontrar o equilíbrio pois para mim, é lá que se encontra a felicidade..
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