a hora e a vez

"Os espaços entre os abraços, guarda-me apenas uma fresta". Ana Carolina

Marcos Martins

Estudante de Publicidade e Propaganda (Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium - UniSALESIANO) e funcionário público da cidade de Sud Mennucci-SP (Secretaria Municipal de Educação). Gosto de escrever sobre comunicação, tecnologia, artistas e literatura. Loucamente apaixonado por livros, música e culinária. Amo estar entre amigos e familiares!

A publicização do eu, o umbiguismo e a concepção identitária da geração tecnológica-digital

Antes, a identidade estava assegurada por algumas características próprias de cada indivíduo, como o nome, o registro de nascimento, o cadastro de pessoa física, entre outros fatores que antes eram permanentes e os identificavam. Diferentemente do que foi apresentado, a identidade, hoje, para as novas gerações é uma questão subjetiva aos conceitos passados.


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Com a avassaladora expansão da internet as redes sociais foram ganhando cada vez mais espaços e adeptos, surgindo então, diferentes usuários com papeis participativos nada semelhantes ao da realidade "não-virtual" em que estavam inseridos.

Em conformidade com Bauman (2005 apud NÓBREGA, 2010, p. 96),

"Houve um tempo em que a identidade humana de uma pessoa era determinada fundamentalmente pelo trabalho produtivo desempenhado na divisão social do trabalho", hoje é fruto de determinadas escolhas em meio a inúmeras possibilidades. A pós-modernidade propiciou que as identidades formassem em torno do lazer, da aparência, da imagem e do consumo.

Antes, a identidade estava assegurada por algumas características próprias de cada indivíduo, como o nome, o registro de nascimento, o cadastro de pessoa física, entre outros fatores que antes eram permanentes e os identificavam. Diferentemente do que foi apresentado, a identidade, hoje, para as novas gerações é uma questão subjetiva aos conceitos passados. [...] Assim, a identidade deixa de ser algo dado com o nascimento e passa a ser conceituada como algo em constante construção e transformação [...] (NÓBREGA, 2010, P.96).

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Diferente da geração tecnológica-digital, os baby boomers criam ao longo da vida uma identidade unificada, preferencialmente aos modos e costumes tradicionais que foram-lhes passados pelos pais e avôs . Os boomers, certamente, são aqueles que buscam estabilidade no serviço, chegando a trabalhar cerca de 30 anos no mesmo emprego e não deixam de seguir as regras que foram ditadas na sociedade. Preferem utilizar a comunicação/interação face a face , ou seja, a presença não-virtualizada de outro indivíduo para comunicar-se, já que os nativos digitais são extremamente dependentes da interação reativa. Gobbi (2012, p. 102) ainda ressalta que [...] Em linhas gerais podemos dizer que essa geração tinha como característica marcante a forte tendência ao trabalho e ser um grupo de perfeitos seguidores de normas hierárquicas (no trabalho e na família).

Para os boomers e até mesmo para as pessoas da geração baby bust, as paqueras começavam com os "correios elegantes", que eram popularmente adorados na época, marcando assim, a transição de criança para a adolescência. Para a geração tecnológica-digital os correios elegantes soam como heresia, já que a internet, com ajuda das redes sociais, torna a vida pessoal-amorosa em pública, tornando a web em um diário virtual, sem segredos e receios.

Relacionando a geração tecnológica-digital com a geração X, pode-se destacar que a geração que sucede os baby boomers cresceu com as transformações socioeconômicas, políticas e culturais da época, pois era o início da Ditadura Militar no Brasil, onde as ideologias e conceitos que cada indivíduo possuía era ocultada, tendo assim, que construir outra identidade, para não ser repreendido e banido pelos militares, sendo que até a própria mídia era moldada para os interesses políticos, tendo que censurar previamente alguns conteúdos.

Foram as pessoas da geração baby bust que prolongaram a juventude, quebrando o paradigma de que era necessário casar e constituir família.

Nas redes sociais os jovens da geração tecnológica-digital criam identidades descaracterizando a própria imagem, configurando aquilo que almeja ser, uma personalidade diferente. Toda concepção identitária se esboça em forma de representação e no caso das redes virtuais de relacionamento, a representação do indivíduo se dá por meio da publicização do eu. O ego se torna uma centralidade na rede. A forma de se projetar a imagem na rede pode ser caracterizada como dramática, na medida em que é uma espécie de processo teatral de representação (NÓBREGA, 2010, p. 97).

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Essa "publicização do eu" ocorre devido a abertura global ocasionada pela internet, uma mídia sem fronteiras, sem delimitações "não-lugares", reformuladora da noção de tempo e espaço; em que há inúmeros usuários que não se conhecem pessoalmente integrando-se na rede e construindo identidades simbólicas, podendo ser verossímil ou não, propagando um discurso ilusório ou falseado, praticando o que pode-se determinar como "umbiguismo", agindo de acordo com os próprios interesses e vontades.


Marcos Martins

Estudante de Publicidade e Propaganda (Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium - UniSALESIANO) e funcionário público da cidade de Sud Mennucci-SP (Secretaria Municipal de Educação). Gosto de escrever sobre comunicação, tecnologia, artistas e literatura. Loucamente apaixonado por livros, música e culinária. Amo estar entre amigos e familiares!.
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