a menina e a lua

Felicidade, não saia do meu perto!

Larissa Veloso Assunção

Larissa é estudante de Cinema e Audiovisual e amante da Literatura. E se ainda não sabe de algum grande motivo para escrever, também não sabe de nenhum outro motivo para não fazê-lo.

Quem somos nós?

Quem sou eu? O que somos? O que de nós é a essência – se é que existe alguma- que nos permite dizer que “eu sou eu”? Eu sou aquilo em que me transformei ao longo do tempo?


Mais importante do que tentar responder efetivamente esse tipo de pergunta é pensar a respeito delas. Pensar, ainda que saibamos que no fim não as responderemos, é o que mantêm essas perguntas ainda em questão. Perguntar-se sobre o ser é tão simples que não há certo e errado, pois não há verdade absoluta.

Constantemente nós nos encontramos em momentos reflexivos em que, de repente, nos chega ao corpo uma sensação estranha... É como se, por uns instantes, déssemos conta de nossa existência. E sabemos, mais do que nunca, que somos nós mesmos. Mas, afinal, o que é “ser eu”? Creio que ninguém jamais responderá isso. Eu não sei quem eu sou. Posso ser uma infinidade de eus. Mas será que há uma essência única e universal de mim que une todos esses “eus” em um único ser a quem posso denominar como sendo, unicamente, “eu mesmo”?

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O que nós somos por nós mesmo, longe de qualquer influência, está muito mais inacessível do que imaginamos. Para exemplificar: todo mundo tem aqueles amigos especiais com os quais se identificam. Amigos sem os quais não seríamos nós mesmos da forma que somos. Há amigos que influenciam na nossa maneira de pensar, nos trazem coisas novas, nos fazem perguntas sem respostas...

Essa influência, consequentemente, faz com que sejamos diferentes do que seríamos sem tais amigos, por exemplo. Será que eu teria manifestado um apreço tão grande pela arte como tenho hoje caso não tivesse conhecido, num dado momento da minha vida, uma pessoa que compartilha dos mesmos gostos e faz com que esse amor pela arte se multiplique ainda mais? Talvez eu continuasse amando, sim, a arte. Mas não da maneira que amo hoje. Não enxergando as coisas da maneira que enxergo.

Para um exemplo um pouco mais distante: e se eu não tivesse nascido no lugar onde nasci? Se, por acaso, ao invés de brasileira a minha nacionalidade fosse a de qualquer país da Europa ou da África? Será que, mesmo sendo criada com os mesmo pais, eu teria algo de mim que seria meu da mesma maneira que é agora, numa cultura totalmente diferente?

Todos esses exemplos acima foram relacionados a um mesmo momento de nossas vidas (o agora) caso as condições externas tivessem sido diferentes (outros amigos, outra cultura, etc). Mas as perguntas não param por aí. Será que você que me lê, hoje, era o mesmo de 10 anos atrás? Provavelmente não. Muita coisa em você mudou: seus gostos, sua rotina, seus sonhos... No entanto, será que há algo em você que é inerente a essas mudanças? Será que existia algo em você, leitor, há 10 anos que ainda existe da mesma forma hoje? Se não houver, então o que te possibilita dizer que a menina ou o rapaz da foto de uma década antes ainda é você?


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