a poltrona

Crônicas e cápsulas

Wilame Prado

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Que fim levou Marcos Peres?

Marcos Peres, 30 anos, dois romances publicados pela Record, R$ 100 mil no bolso após faturar o Prêmio SP de Literatura, uma certeza: em qualquer um dos gramados de futebol society espalhados por Maringá, o manto a ser vestido deve ser do SPFC, do Barça ou então do Pindorama F.C.


maxresdefault.jpg Anoitecendo em Maringá, cidade onde Marcos Peres continuando morando, embora o seu novo romance se passe na capital curitibana

Os prêmios, as traduções ou mesmo os constantes convites para participar de festas e feiras literárias não modificaram o jeito de ser do escritor maringaense Marcos Peres, 30 anos, que lançou pela Editora Record o livro “Que Fim Levou Juliana Klein?” (352 páginas, R$ 40), romance policial que põe o delegado Irineu de Freitas – personagem também maringaense – no meio de uma guerra entre duas família alemãs que vivem em Curitiba após o assassinato de uma professora de filosofia.

Peres continua vestindo a sua camisa surrada do Barcelona – embora torça bravamente pelo São Paulo Futebol Clube – para assumir o posto de centroavante em partidas de futebol society – isso quando não está escalado para jogar no Pindorama F.C. – time de escritores da Flip.

E insiste nas caminhadas e pedaladas ao entorno do famoso Parque do Ingá pelas manhãs, refrescando assim as ideias antes de encarar a sua rotina diária com as letras: ele dedica em média três horas por dia para a literatura, isso antes de assumir o posto vespertino como servidor público no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Money Em 2014, o autor faturou R$ 100 mil ao conquistar o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Autor Estreante com Menos de 40 Anos. Ele concorreu ao disputado prêmio literário com o romance de estreia, “O Evangelho Segundo Hitler” (Record), livro publicado graças a outra conquista: a do Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013.

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Ainda que com a boa grana guardada no banco, pelo menos por enquanto ele ainda não pensa em viver só de literatura – tal qual o catarinense radicado em Curitiba Cristovão Tezza, que, após ganhar dinheiro com alguns prêmios literários advindos da publicação do romance “O Filho Eterno” (Record), há alguns anos finalmente se aposentou do cargo de professor universitário para poder escrever mais e também viajar mais falando sobre a sua literatura e a literatura brasileira de modo geral.

Terceiro romance Com a chegada do segundo livro, Peres admite ter tirado o pé em sua intensa produção literária. Ele revela que já começou a escrever o terceiro romance, mas, agora, é hora de se unir à editora na divulgação de “Que Fim Levou Juliana Klein?”. Chegou-se a comentar na cidade de que o “alvo” da vez do jovem escritor seria o recluso músico Geraldo Vandré, que seria envolvido num próximo romance. Ele desconversa, mas revela manter a vontade de, um dia, fazer de Maringá cenário para histórias fictícias.

“Acho prematuro falar do futuro, do próximo romance. Nada garante que, entre uma pedalada e outra, no Parque do Ingá, uma ideia maluca surgirá. Mas, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma continuação de Irineu de Freitas, o delegado da 9ª Subdivisão Policial. Apostaria também que Maringá será receptáculo, que terá participação intensa, com suas ruas, com personagens conhecidos”, confidencia.

Com os afazeres práticos envolvendo o mercado editorial, o autor nem mesmo poderá ir ao lançamento de seu próprio livro na Espanha, país que recebeu a tradução de “O Evangelho Segundo Hitler”. Mas as obrigações com os processos, fóruns e tribunais também são pedras no sapato para o lado escritor do bacharel em Direito.

“Se eu fosse para a Espanha agora, meu chefe me mataria”, contou Peres, saindo do gramado de um dos inúmeros campos de society espalhados por Maringá. Em 2014, o autor foi publicado em Portugal, onde teve a oportunidade de participar do Festival Literário da Madeira.

Mora na filosofia Muito se comenta sobre o esqueleto da prosa de Peres. Em seu primeiro romance, ele não se intimidou em apostar numa história conspiratória, cheia de códigos, símbolos e mistérios, algo parecido com a proposta do best-seller norte-americano Dan Brown, autor de “Código da Vinci”. Mas não é só isso: “O Evangelho Segundo Hitler” bebe enormemente no legado deixado por Jorge Luis Borges, com seus personagens, seus duplos e a própria biografia do argentino.

A fórmula de hibridizar vertentes e maneiras literárias também continua sendo utilizada no segundo romance do autor. “Que Fim Levou Juliana Klein?” pode ser considerado um thriller policial, mas bem elaborado e cheio de filosofia. A personagem Juliana Klein é professora de filosofia, e Peres buscou na obra do alemão Friedrich Nietzsche as referências que serviram de base para o enredo.

“Borges e Nietzsche serviram como muletas argumentativas – ainda que desvirtuadas. No entanto, o processo foi diferente. No ‘Evangelho’, Borges serviu não apenas como fagulha, como elemento propulsor do caos, mas também como personagem. No novo romance, fixei-me em um único aforisma de Nietszche. Por uma pequena ideia, o romance inteiro se desenrola. E, claro, não direi qual é esta ideia para não cometer um spoiler”, finaliza ele.


Wilame Prado

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