Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos.

Cada um no seu quadrado

Hoje, tudo parece ser errado aos olhos alheios. Por exemplo, se você gosta de maçã, mas, a outra pessoa acha que ela prende o intestino, você está cometendo um ato ilícito ao enfiar um ínfimo pedaço de maçã em sua boca. Mas, por outro lado, você leu em algum lugar que maçã regula o intestino, nesse caso, você acredita que está fazendo o certo, porém, alguém tem a convicção de que você está equivocado. Quais são as consequências disso? Conflitos. Eles surgem simplesmente pelo fato de que um não aceita a decisão do outro.


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Homem é homem, mulher é mulher, gay é gay, trans é trans, bi é bi. Que mania é essa de querer ser o que não se é? Pior que isso, por que obrigar a outra pessoa a agir contra a sua natureza? Eu não sou fã de funk, mas, existe uma letra que expressa a mais pura verdade. Sharon Axé Moi diz: “ADO, A ADO, A ADO, cada um no seu quadrado.”. Simples assim.

Hoje, tudo parece ser errado aos olhos alheios. Por exemplo, se você gosta de maçã, mas, a outra pessoa acha que ela prende o intestino, você está cometendo um ato ilícito ao enfiar um ínfimo pedaço de maçã em sua boca. Mas, por outro lado, você leu em algum lugar que maçã regula o intestino, nesse caso, você acredita que está fazendo o certo, porém, alguém tem a convicção de que você está equivocado. Quais são as consequências disso? Conflitos. Eles surgem simplesmente pelo fato de que um não aceita a decisão do outro. É como se vivêssemos em uma guerra permanente, querendo provar o tempo todo que estamos certos nas nossas convicções. Isso é tão sério e confuso que, muitas vezes, deixamos nos envolver e, de repente, nós, que acreditávamos que a maçã faz bem, passamos a achar que a opinião oposta é a ideal, então, nos vemos sendo a pessoa que não somos, abrimos mão das nossas crenças e passamos a lutar contra todos que discordam dos supostos efeitos da maçã nos quais, agora, acreditamos.

É como se houvesse uma reivindicação comum para que todo mundo seja igual a todo mundo. A mulher quer se igualar ao homem, o homem é cobrado a assumir o papel da mulher; o heterossexual quer que o homossexual seja como ele, o homossexual quer que o mundo aceite a sua opção. O problema dessa batalha é que ela ignora um valor básico, porém, importantíssimo em qualquer sociedade: o respeito. A compreensão de que cada indivíduo é único parece ter naufragado. Não há nada de interessante em aspirarmos ser o que não somos. Temos que nos reconhecer neste mundo, saber a que viemos, quem somos, porque estamos aqui; não existe sentido em assumirmos uma personagem que não tem nada a ver conosco e passarmos a lutar brava e incessantemente por isso, tentando convencer todo mundo que o caminho certo é esse que estamos seguindo.

Eu não preciso aceitar a posição do outro, também não tenho obrigação de ser como ele, mas, devo respeitar seus costumes. A maçã está em minhas mãos, eu decido se vou prová-la ou não. Ah! Mas, fulano ou beltrano não concorda. E daí? Deixe-me com a minha maçã. O fato é que as pessoas querem que eu seja uma seguidora do conceito de que a maçã blá blá blá... Sinto desapontar, mas, as coisas não são bem assim ou, pelo menos, não deveriam ser. Se entendêssemos e acatássemos que as pessoas têm diferenças tudo fluiria de maneira saudável e tranquila.

Não há sentido em querermos ser o que não somos ou tentar obrigar alguém a agir contra a sua própria natureza. A teoria do “seja dessa ou daquela maneira” que está impregnada no nosso cotidiano pode nos levar à loucura. Tem que ser macho, tem que ser fêmea; tem que ser pai, tem que ser mãe; tem que ser branco, tem que ser preto, tem que ser magra, tem que ser... Tudo ficaria tão mais simples se parássemos de brigar pelo “seja assim, seja assado”. A vida teria mais sentido se ouvíssemos Sharon Aché Moi: “cada um no seu quadrado.”. Dançar no quadrado que não é o seu não é o ideal, porque o seu quadrado é de um jeito, o quadrado da outra pessoa é de outro jeito. Quando você dança no quadrado que não é seu, você acaba se decepcionando e embarcando em uma frustração recorrente, uma vez que está fora da sua praia ou do seu quadrado. Vai por mim, isso não dá certo. Hoje, sofremos os efeitos da rapidez com que as informações são jogadas na nossa cara, a todo o momento surge uma ideia, daqui a pouco vem outra contrariando aquela primeira, daí, vem outra e outra. Quando, finalmente, a pessoa consegue se enxergar dentro desse emaranhado de opiniões, caminhos e decisões, ela percebe que está dançando fora do seu quadrado.

Para viver bem é preciso se aceitar, é necessário compreender a si mesmo, é aconselhável inteirar-se das escolhas e respeitar as diferenças. Pra que fazer da vida um martírio? Por quê ficar guerreando com o mundo defendendo algo que você acha certo, mas, que não serve para a outra pessoa? Por que insistir em dançar no quadrado alheio? Aceite-se, abrigue seus ideais em um lugar onde não ofenda ninguém, mas, ao mesmo, onde as pessoas possam ver o que você é de verdade. Fuja das batalhas sem propósito. Seja sincero. Preencha sua vida com aquilo que é seu, não do outro; caminhe ao lado daquilo com o que você se identifique; com o que te faça feliz. Dance alegremente no seu quadrado.


Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos..
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