Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos.

SE O OUTRO DEFINE TUDO POR MIM, O QUE EU FAÇO COM A MINHA LIBERDADE?

Buscamos a felicidade o tempo todo, queremos nos sentir bem em qualquer circunstância. Mas, então, surgem os contrariados munidos de seus devaneios e tchbum! Jogam um balde de água fria: “Só é feliz quem é assim ou assado.”.


A respeito das controvérsias sobre o que queremos ser e o que o outro quer que sejamos, o filme Billy Elliot, de Stephen Daldry retrata um quadro interessante. Billy é um garoto de 11 anos que vive em uma pequena cidade inglesa onde a principal fonte de renda são as minas. A trama narra o desejo de Billy em ser bailarino, entretanto, ele sofre preconceito por parte de seu próprio pai.

Até onde eu sei, nenhuma profissão está ligada à sexualidade. Se eu quero ser mestre de obras, por exemplo, por que não? Não existe um regulamento estatutário e inviolável que indique que apenas homens trabalham em construção. Assim deveria ser com tudo na vida. O indivíduo fez a sua escolha sexual, por exemplo, que seja da maneira que ele optou. O que eu tenho com isso? Nada. A única coisa que é da minha conta é a minha própria sexualidade, nada mais que isso. Não tem sentido entrar em discussões infindas sobre ser ou não ser. A escolha do outro é do outro e de mais ninguém. É algo íntimo e particular, que deveria ser encarado – e respeitado – de forma natural.

Todo mundo tem o direito ao livre-arbítrio, todos podem e devem decidir por suas vidas, escolher o seu caminho, encontrar um modo de ser feliz. O que faz com que algumas pessoas acreditem que possuem o benefício de interferir na vida do outro, imbuídas de regras e conceitos únicos, só delas, ou de um grupo ao qual pertençam? Nós é que somos, obrigatoriamente, responsáveis por escrever a nossa história; ninguém mais tem esse dever por nós. Quem acha que tem essa regalia de dizer o que é certo ou errado está, no mínimo, fora de moda.

Cada um tem um ideal de vida. Ser bailarino, ser pintor, ser cozinheiro; ser de direita, ser de esquerda, ser cristão, ser ateu. O que importa é o estado de espírito, se estamos plenamente satisfeitos com as nossas preferências, que sejamos felizes, libertos de qualquer condicionamento. É para isso que vivemos, não é? Buscamos a felicidade o tempo todo, queremos nos sentir bem em qualquer circunstância. Mas, então, surgem os contrariados munidos de seus devaneios e tchbum! Jogam um balde de água fria: “Só é feliz quem é assim ou assado.”. Não! Todos nós podemos e devemos buscar aquilo que faça com que nos sintamos plenos. As consequências disso? Só nós mesmos vamos saber. Se os resultados das nossas escolhas vai nos levar à felicidade, somente cada um de nós é que pode saber; às vezes, tudo acaba em um grande infortúnio, porém, pior que isso é sufocar nossos desejos, se isso acontecer, podemos nos considerar uns fracassados, e não há nada mais fatídico do que falhar com a gente mesmo.

Sobre pecados, virtudes e vida após a morte eu pergunto: Quem tem o poder de adivinhar se nossa opção de vida vai nos levar ao céu ou se vamos queimar no fogo do inferno? Ninguém tem esse superpoder, somos todos reles mortais. Por isso, sigamos em frente com olhares desapegados; vamos adiante sem dar ouvidos para o que dizem por aí. Sejamos livres, donos do nosso próprio nariz. Sejamos capazes de arcar com as consequências de nossas escolhas, estejamos preparados, engajados, animados. Vivamos intensamente.


Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos..
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