Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos.

SEXO: UM É BOM. DOIS É DEMAIS?

O fato é que tanto a mulher quanto o homem são livres para seguir o seu rumo, vai da consciência de cada um, a única condição é que devemos estar preparados para as consequências das nossas escolhas. Essa coisa de “ela é safada”, “ele é garanhão”, não deve ser levada em consideração, pois, está embasada em julgamentos discriminatórios, ou seja, são ponderações sem fundamento, servem, somente, para impor um peso aonde não deve existir, acabam intimidando uma camada – que deseja ser independente e feliz – privando-a de ser dona do seu próprio nariz.


Outro dia vi na internet umas esquesitices sobre sexo. Alguns países têm leis bem estranhas relacionadas a esse assunto. Dizem por aí que no Bahrain um médico pode legalmente examinar a genitália feminina, mas, ele é proibido de olhar diretamente para ela durante o exame, ele pode apenas olhar através de um espelho. Em Hong Kong, talvez, em alguma época, não sei, uma mulher traída podia legalmente matar seu marido adúltero, mas, devia fazê-lo apenas com suas mãos. Em contrapartida, a mulher adúltera podia ser morta de qualquer outra maneira pelo marido.

No Brasil, a mulher que faz sexo com vários parceiros é considerada uma Gallus gallus domesticus, mais conhecida como galinha, já, o homem que pratica relação sexual com diversas mulheres é tido como garanhão. A única semelhança aí é a primeira sílaba, pois, como sabemos, o conceito de cada uma dessas qualidades – vamos dizer assim – é bem distinto. Felizmente, isso não está na nossa legislação – ou está? É certo que consta nas “leis” criadas pela massa, advindas de pensamentos generalizados de uma sociedade machista.

Bem, o ginecologista no Bahrain não pode olhar diretamente para a genitália feminina, porém, nós, mulheres brasileiras, podemos olhar para a genitália masculina direta e indiretamente, ou por WhatSapp, ou Snapchat, etc., inclusive, de qualquer sujeito que escolhermos. A questão é que somos taxadas por essa iniciativa. Mas, será que isso realmente importa? Consideremos o caso surreal de Hong Kong: a mulher traída pode matar o marido, porém, usando apenas as mãos. Imagina uma chinesinha miúda, com seu corpinho frágil, tentando matar uma pessoa usando só a sua força ou seu Kung Fu? Já, o marido, pelo o que eu entendi, pode usar uma serra-elétrica, uma faca, um taco de beisebol, uma arma de fogo, qualquer coisa que ele queira para dar fim à vida de sua linda esposa adúltera. É isso mesmo?

Voltando ao nosso contexto, a realidade nos mostra que o homem é dispensado de ser julgado pelo seu comportamento sexual, entretanto, a mulher é constantemente avaliada e tudo o que ela fizer em termos sexuais vai ser analisado e, muito provavelmente, ela não vai gostar dos resultados dessa análise. É assim, a nossa sociedade idealiza regras, denominações e conceitos próprios que acabam criando barreiras. Ora, se uma mulher quer ter vários parceiros que tenha. Por que eu devo apontar o dedo para ela dando-lhe um título pejorativo? Ah! Porque eu aprendi na igreja que não devemos sair por aí praticando sexo com todo mundo. Quem não deve fazer isso? O homem? A mulher? Segundo as regras religiosas as quais eu cresci ouvindo, ambos não devem sair por aí sassaricando. Entretanto, não é bem assim que funciona. O macho não leva nenhuma punição quando “pega” várias gurias, ele é encarado como algo do tipo “esse é o cara”, enquanto que a mulher vira uma pecadora se se relaciona com parceiros variados.

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O fato é que tanto a mulher quanto o homem são livres para seguir o seu rumo, vai da consciência de cada um, a única condição é que devemos estar preparados para as consequências das nossas escolhas. Essa coisa de “ela é safada”, “ele é garanhão”, não deve ser levada em consideração, pois, está embasada em julgamentos discriminatórios, ou seja, são ponderações sem fundamento, servem, somente, para impor um peso aonde não deve existir, acabam intimidando uma camada – que deseja ser independente e feliz – privando-a de ser dona do seu próprio nariz.

Como todos nós sabemos, existe uma coisa chamada livre-arbítrio. O livre-arbítrio é pregado nas igrejas, até com certa frequência, e eu considero um tema de extrema importância, mas, as religiões fazem mal-uso desse assunto. Para a maioria dos religiosos o livre-arbítrio é aquele que está pautado em seus próprios conceitos, ou seja, onde fica a liberdade de escolha? Obviamente se eu tenho que seguir considerações de determinado culto estou presa a algo que talvez não faça parte daquilo que eu realmente queira para minha vida, nem preciso dizer que o livre-arbítrio aí foi pra cucuia. O que as pessoas precisam entender, é que o julgamento Divino está nas mãos de ninguém mais do que o próprio Divino. Aliás, que eu saiba, foi Ele quem sancionou o livre-arbítrio. E eu tenho certeza de que Ele não sai por aí xingando as pessoas por causa do seu comportamento, pelo contrário, o que é pregado nesse mundão de Deus, é que Deus é Amor. Não é isso?

Pra dizer a verdade, eu tenho a impressão de que quem fica nomeando as pessoas pelas suas atitudes é porque, no fundo, tem alguma pendência consigo mesmo, então, aponta o dedo para outro para camuflar seus próprios perrengues. Por isso, não vale à pena se sentir ofendido. O que devemos fazer é seguir o nosso caminho, é ser a gente mesmo. Cada um faz o que quer da vida. Cada pessoa arca com as consequências do caminho que escolheu. Se o outro elegeu se relacionar sexualmente com várias pessoas, é isso aí. Sejamos francos, o que eu tenho com isso? Portanto, sinceramente eu acho que a gente deve mesmo é cuidar das nossas próprias vidas e dar uma banana pra essa babaquice de “Ela é isso, ela é aquilo. Ele é isso, ele é aquilo.”.


Doroty Santos

Paulistana, bacharel em Letras. Secretária e aventureira no mundo dos escritos..
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