a psicologia do cinema

Desvendando os seus vilões favoritos!

André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba...

Al Pacino como o Diabo em O Advogado do Diabo

E quando o vilão do cinema é também um dos maiores vilões da tradição ocidental? No divã, a magnífica interpretação de Al Pacino como o Demônio em 'O Advogado do Diabo' (Devil's Advocate)!


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Chegou a hora de apresentarmos um personagem que não podeira faltar em nossa série de vilões: o próprio diabo. Hoje faremos uma análise psicológica do personagem interpretado por Al Pacino em O Advogado do Diabo (Devil’s Advocate - 1997). Talvez você esteja se perguntado se algo do gênero seria possível, e o fato de eu estar escrevendo este artigo é a prova de que eu acredito que sim!

O diabo utilizará o pseudônimo de John Milton, um grande advogado que possui a maior empresa de advocacia de Nova York. A trama começa quando ele chama um jovem advogado, Kevin Lomax para fazer parte de seu grupo. No desenrolar da história será revelado que na verdade Kevin é filho do demônio e que o mesmo lhe trouxera com segundas intenções.

Encontramos então um personagem mítico interpretado com excelência por um dos maiores atores em seu auge. A personalidade do diabo é muito bem construída e se mostra consistente com seus atos ao longo da trama. Obviamente o personagem é extremamente astuto e culto, sendo capaz de falar diversas línguas e manipular diversas pessoas de formas diversas através da história de vida delas. Além disso, possui diversos talentos, sendo um homem sedutor e poderoso que ao mesmo tempo mantém certo anonimato quando caminha pelas ruas, parecendo apenas mais um na multidão. Esse tipo de comportamento parece ir no sentido oposto da sua vaidade (mencionada como o seu pecado favorito), mas o mesmo serve para abrir diversas brechas para que ele possa se aproximar de qualquer pessoa de maneira informal.

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Sua maior habilidade é a sua lábia. Como ele mesmo diz, ele não pode obrigar ninguém a fazer nada; as pessoas o fazem por vontade própria. Ele deixa isso bem claro em suas atitudes, sempre influenciando alguém com uma psicologia reversa, incentivando as pessoas a desistirem de algo que elas estão certas à fazerem. Dessa forma o mesmo não deixa argumento para ninguém, afinal, no fim das contas ele somente mostrara as oportunidades; suas mãos estão limpas. Esta capacidade é mostrada quando o mesmo oferece para Kevin uma oportunidade dele largar um caso de grande repercussão em prol da saúde mental da sua mulher. Kevin obviamente recusa a proposta.

A ira de satanás também é mostrada quando o mesmo revela seus planos contra Deus. Seu discurso e recheado de ódio pelos valores religiosos, porém o mesmo se põe como aquele que realmente deveria guiar a humanidade. Seu discurso tem fundo humanista; ele mesmo chega a afirmar que é fã do homem e talvez o último humanista de verdade. Essa atitude mostra a capacidade de manipulação do mesmo, sempre pondo interesses seus camuflados entre interesses dos outros. Quem escuta sua fala acredita estar diante de um legítimo altruísta. Isso poderia configurar uma pessoa com mitomania ou algum transtorno de personalidade. Seu narcisismo extremado também pode configurar algum quadro patológico. Para Freud, o narcisismo surge durante a construção do Ego (eu), quando a criança ainda toma consciência de sí e de seu corpo. O Ego seria um dos campos sexuais do sujeito, sendo o narcisismo o excesso de amor por ´sí mesmo, de forma a concentrar as energias que poderiam ser gastas em relações sociais e criando um quadro de uma patologia social.

Sua relutância em aceitar qualquer coisa, qualquer verdade que venha dos conceitos cristãos provém de sua própria vaidade, que é canalizada como inveja de maneira facilmente observável. Basta observar como ele fala em criar uma nova história e a sua própria bíblia. Seu narcisismo e seu ego ferido não deixam que ele saia desse mesmo contexto que vive, mantendo-o em uma relação cíclica de ódio e inveja com o criador.

Esta é a análise de mais um dos grandes vilões que marcaram a história do cinema mundial! Espero que tenham gostado e deixem seus comentários com opiniões e dicas! Não esqueçam de comentar quais os próximos vilões que gostariam de ver aqui sendo analisados!


André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba....
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