a psicologia do cinema

Desvendando os seus vilões favoritos!

André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba...

Parte I Infância de Norman: Você é tudo para mim e eu sou tudo para você

Continuando a sequência da análise psicológica dos grandes vilões do cinema, esta é a segunda parte sobre Norman Bates, personagem de "Psycho" do Hitchocock e que ganhou a série "Bates Motel". Agora analisaremos a infância de Norman e o seu papel na formação de sua personalidade.


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Continuando com a série sobre Norman Bates, personagem principal do filme Psycho de Hitchcock vamos para a primeira parte, onde dissecaremos a infância do personagem e a importância desta para o desenvolvimento do quadro patológico de Norman. Pouco se fala da infância de Norman nos primeiros filmes da série. Ao que tudo indica o jovem é filho de mãe solteira, Norma Bates que o cria desde criança. Nenhum irmão é apresentado nos filmes, ao contrário da série Bates Motel que apresentará um irmão chamado Dilan, mas abordarei esta parte separadamente mais tarde.

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O pai de Norman também não nos é apresentado em momento algum. Em algum sentido a ausência da presença paterna contribuiu para as suas condições, uma vez que coube a sua mãe o papel de pai. Isso desencadeou uma relação extremamente forte entre os dois, de maneira que um não se via mais se não como extensão do outro. Não raro observamos casos de retração social associado à baixa estima e quadros patológicos como um leve retardo cognitivo em famílias que possuem uma relação extrema de proximidade entre seus membros. Esta postura costuma evitar a integração dos indivíduos na sociedade de modo eficiente, de modo que quanto mais forte a relação entre os familiares maior a força da patologia. Esta relação de proximidade extremada entre ambos somada a instabilidade financeira e dificuldades que tiveram que superar, tendo de gerenciar o motel sozinhos com o peso de desafiar um mundo inteiro à sua frente foi um fator crucial no desenvolvimento de um comportamento anômalo. Não temos muitas informações do comportamento escolar de Norman, porém o mesmo parecia ser um garoto reservado com qualquer outra pessoa que não fosse a sua mãe, de forma que o mesmo poderia ter sido vítima de bullying. Caso fosse confirmado algo do gênero seria fácil presumir de onde surgiu o comportamento passivo-agressivo do personagem.

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Nenhuma dica de como o mesmo lidou com a sua sexualidade nos é oferecida até que ele entrasse na puberdade e acredito que qualquer tentativa de supor como foi seu crescimento seria nada mais do que um devaneio sem sentido. O que sabemos era que Norman Bates era uma criança quieta e muito apegada numa mãe super protetora e aparentemente ciumenta do filho. Digo aparentemente porque não podemos ter certeza de quão ciumenta Norma Bates era de seu filho devido a patologia de Norman, que o deixou extremamente paranóico em relação à sua mãe. Porém pela própria formação da patologia não sabemos ao certo se é uma transferência de Norman pelo mesmo sentir ciúmes de Norma ou se a mesma colocava um peso grande sobre ele. Porém imaginando que os dois somente tinham um ao outro podemos imaginar que ela era ciumenta sim. Isso foi fundamental para o surgimento de um forte Complexo de Édipo, como já exploramos no post anterior.

Essa relação sufocante foi desembocar em diversas condições durante a adolescência de nosso assassino camarada, gerando uma crise colossal quando Norma encontra um novo parceiro para sí. E é aí que o mundo de Norman cai por terra e os sinais de sua patologia começam a aparecer. Mas isso é assunto para o próximo post...


André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba....
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