a psicologia do cinema

Desvendando os seus vilões favoritos!

André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba...

Parte II: Adolescência de Norman: Você é uma garotinha, Norman! Por isso não pode me desejar!

O que levou Norman Bates a adquirir um comportamento tão perturbador e ao mesmo tempo parecer uma pessoa tão inofensiva? Analise a adolescência dele junto comigo e descubra o porque!


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Continuando com a série sobre a personalidade de Norman Bates, hoje falarei sobre a adolescência de Norman, o período em que sua patologia se tornou mais evidente e se chegou ao clímax que o tornaria o homem que conhecemos através das telas do cinema.

Ao entrar na adolescência, Norman Bates desencadeia uma série de psicopatologias, que vão desde sintomas mais leves como certa retração e fobia social até chegar em estágios mais graves, onde desenvolve um transtorno esquizo-paranóide. Para a psicanalista Melanie Klein um ego que sofre muita pressão através de uma série de frustrações e poucas gratificações em troca de seus comportamentos pode se fragmentar e atuar de modo a suprir a necessidade de gratificações. Norman sofreu uma grave castração de sua sexualidade, no sentido em que ela foi reprimida duramente por sua mãe. Em ‘Psycho IV’ nos é mostrado como a mesma o tratava duramente quando o assunto era sexualidade, o reprimindo de forma brutal quando encontra uma revista pornográfica no quarto do garoto. Em seguida, podemos perceber que diante da realidade vivida por Norman, fechado num ambiente alienador apenas com sua mãe como referencial que a sexualidade do mesmo seria desviada para sua mãe durante sua puberdade.

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A cena em que Norman acaba tendo uma ereção após passar óleo nas pernas de Norma deixa qualquer um sem sombra dúvidas sobre o papel de sua mãe no desenvolvimento de sua patologia. Como punição, Norma veste Norman com um de seus vestidos, passa batom em sua boca e o tranca em um armário por um longo período, entregando uma jarra para o mesmo utilizasse caso necessitasse urinar, pois ali ficaria por muito tempo até entender que ele era uma “garotinha” e termina o chamando de Norma.Essa atitude de Norma parece ter uma influência no comportamento futuro de Norman, de modo que esse trauma moldaria a forma que a patologia tomaria ainda durante o final de sua adolescência e entranda na vida adulta.

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O ciúme patológico mantido entre os dois formava uma aliança indissolúvel para ambos até o dia em que Norma aparecia em casa com um namorado. Norman se sente traído enquanto sua realidade parece se desfazer diante de seus olhos. O golpe final vem quando o mesmo observa sua mãe transando com o novo parceiro através de um pequeno buraco na parede.

Incapaz de aceitar a situação, Norman envenena sua mãe e padrasto colocando veneno em suas bebidas e os servindo tranquilamente no quarto após os dois terminarem uma relação sexual. Depois do enterro de sua mãe, Norman retira seu corpo do túmulo e a empalha utilizando sua perícia em taxidermia, um hobbie que o mesmo cultivava nas horas livres.

É nessa hora que nasce um dos maiores vilões do cinema, que seria consagrado pela famosa “cena do chuveiro” em ‘Psycho’.

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No próximo post, falarei sobre a vida adulta de Norman, se aprofundando mais em sua patologia, seu modo de vida e a sua relação post mortem com sua mãe.


André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba....
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