a psicologia do cinema

Desvendando os seus vilões favoritos!

André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba...

Parte IV Vida adulta: "Yes, mother"

Como Norman lidou com sua doença por tanto tempo sem ser pego? Ele sabia o que estava fazendo? O que aconteceu com ele? Leia e descubra com a gente nessa série que desmistificará o psicológico dos maiores vilões do cinema!


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Chegamos agora na quarta parte da série sobre Norman Bates, então é hora de analisarmos a vida adulta de nosso amigo psicopata.

Norman continua com seu transtorno durante a sua vida adulta, negando a morte de sua mãe enquanto reproduz em sí mesmo a presença da mesma através de sua própria loucura. O corpo conservado guardado à sete chaves serve como um totem quem o lembra diariamente da presença da mãe, mantendo à salvo o seu ego do conflito com a realidade de que ele a matara anos atrás.

Os diálogos entre os dois são constantes, de modo que Norman chega até a alterar a própria voz para que pareça com a voz de uma senhora de idade. A censura da mãe permanece presente em seu super ego, função delimitadora que nos mantém atentos para as regras sociais que aprendemos. Norman passa a manter uma vida aparentemente normal enquanto dirige o seu motel, porém sempre que uma mulher se aproxima dele a censura sexual imposta pela castração psicológica realizada pela sua mãe vem a tona, de modo que o mesmo não desejando matar a garota devido aos supostos ciúmes que a mãe teria dele, ele mesmo assume o papel da mãe, e então é Norma quem mata e não Norman.

Esse desvio leva a criação de uma dupla personalidade, de modo que Norman jamais assumirá a realidade dos fatos. Ele é totalmente incapaz de aceitar o que fez e por isso existe a necessidade desta fantasia, de nutrir uma ideia de que ele não seja culpado de coisa alguma. Os ciúmes que sentia de sua mãe são transferidos para ela, de modo que age como se fosse ela que tivesse ciúmes dele e tentasse o obrigar a matar. Ele apenas limpa a sujeira deixada por sua mãe. Afinal de contas, qual o filho que não protegeria a própria mãe. Essa situação fica nítida após a ‘cena do chuveiro’ em ‘Psycho I’ e na cena em que Norman mata uma jovem que teria se aproximado dele. Segundo o próprio Norman a sua mãe a matara porque a mesma queria fazer sexo com ele e quando questionado se isso era suficiente para que ela fosse morta ele responde sem exitar que aos olhos da sua mãe era sim.

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Após sua captura Norman parece se reestabelecer bem por um tempo, porém não demora para que sua psicose retorne aos poucos. O contato com o motel parece reavivar a sua insanidade, de modo que o comportamento esquizo-paranóide retorna e o mesmo volta a retirar sua mãe do túmulo. Ele ainda enfrentará o fantasma de sua mãe por diversas vezes durante os filmes que se seguem, porém nem sempre terá sucesso.

Para encerrar a série de Norman Bates, farei um último adendo com um bônus que falará sobre o serial killer Ed Gein, que inspirou a criação de diversos personagens do cinema, como Hannibal Lecter e, claro, Norman Bates.


André Dias

André Dias é acadêmico de Psicologia da Fundação Universidade Regional de Blumenau. Apaixonado por filmes, decidiu revelar ao mundo os segredos dos maiores vilões do cinema - aqueles segredos que eles não querem que você saiba....
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