a vida é relativa

“No mundo nada é verdade nem mentira: tudo depende da cor do cristal com que se mira.”

Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras.

A tênue linha entre sanidade e loucura

Em Garota, Interrompida podemos perceber que o que separa a sanidade da loucura, é uma linha fina e delicada, e que ela pode se romper qualquer momento.


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Talvez todos sejamos loucos. Talvez a loucura seja como um vírus que fica encubado em nossos corpos e se manifeste apenas em determinadas situações. Talvez todos estejamos infectados.

A nossa mente é como um pássaro que voa ao longe, buscando um horizonte desconhecido, de forma incansável e insaciável. Às vezes ela se digna a voar longe demais para um pássaro que foi concebido para viver em cativeiro. Talvez essa busca por um destino longínquo faça com que a loucura que habita em nós desperte e queira se libertar do receptáculo que a detém.

Segundo Freud, a loucura faz parte de cada um de nós e está de certa maneira ligada ao inconsciente. A loucura é algo intrínseco, faz inevitavelmente parte de cada um de nós. Aparentemente, todos temos uma pitada de loucura em nós.

Em Garota, Interrompida podemos perceber claramente que algumas mentes simplesmente não foram feitas para serem aprisionadas, engaioladas. Susanna é uma jovem que vive subversões internas bastante conflitantes e isso faz com que seja declaradamente uma louca, uma pessoa incapaz de responder por si própria e é levada para uma instituição psiquiátrica juntamente com outras garotas que passam por situações semelhantes a sua.

Aparentemente Susanna não tem nenhuma disfunção e pode ser considerada uma pessoa “normal”, mas o livro retrata seus anseios quanto ao seu tempo, quanto a seu próprio corpo e sua percepção do mundo exterior, e mostra o quão profundo é o abismo em que ela vive e nos mostra que as pessoas são muito mais que o que vemos, que ninguém pode sequer imaginar o quão profunda é a existência de cada ser vivente.

Mas afinal, o que é loucura?

Atualmente é tão difícil traçar limites entre a sanidade e a loucura, quanto determinar o fim e o início das estações no ano em países de clima tropical. O “normal” está tão amplo que integra a seu extenso grupo coisas que antigamente pertenciam à lista dos absurdos, como mulheres trabalhando ou negros e brancos em mesmos lugares.

Talvez sejamos loucos quando somos obcecados pela paridade, até mesmo em tatuagens. Talvez sejamos loucos quando preferimos viajar sozinhos. Talvez sejamos loucos quando trocamos a calmaria pela farra. Talvez sejamos loucos quando a temos uma vontade imensa de fugir em meio aos conflitos. Talvez sejamos loucos simplesmente por sermos.


Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras..
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