a vida é relativa

“No mundo nada é verdade nem mentira: tudo depende da cor do cristal com que se mira.”

Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras.

Quem roubou nossa coragem?

O que aconteceu que secou em nós a fonte da coragem?


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Ah essas crises existenciais!

Outro dia com a mente vazia e milhares de ideias borbulhando na cabeça, pus-me a refletir sobre quem nos roubou a coragem. Quem tirou de nós aquela sede de mudança, aquela sensação de éramos invencíveis e que de não existia amanhã. Aquela vontade de levar a montanha até Maomé. Quem nos disse que não éramos capazes de solucionar os problemas do caminho, de superar os percalços? A gente nasce pronto pra encarar qualquer parada, curtindo um desafio. Prova disso é que quando bebês, não nos amedrontávamos facilmente quando cara a cara com o risco. Escalávamos móveis. Levávamos tombos épicos. Mas é aquela fase, onde a cada queda, as mães sussurravam aos nossos ouvidos que foi só um tombinho, e que um beijo sarava tudo. Caiu? Levanta. Caiu de novo? Levanta mais uma vez.

Mas um dia, é chegada a fatídica hora de crescer. E parece que de uma hora pra outra toda essa coragem se esvai de nós, como o ar que deixa um balão. Mas será que é tão de repente assim? Aparentemente não. O que acontece é que a cada desilusão, a cada frustração, a cada tristeza, um pouquinho da nossa coragem morre, em um processo lento, quase imperceptível.

Daí um dia precisamos pedir demissão do emprego para rumar ao desconhecido, ou precisamos mudar de cidade, ou até mesmo de tomar pequenas decisões como trocar a tonalidade da tinta de cabelo e somos apanhados por aquele medo daquilo que está aquém do nosso conhecimento.

O grande problema é que vivemos focando nos nossos fracassos e permitindo que os outros levem um pouquinho da nossa coragem embora a cada pequena frustração. Estamos sempre com medo de que de algo dê errado. Temos medo das novas experiências. Temos medo de nos aventurar. Isso acontece por que ainda não compreendemos que cada experiência é capaz de nos trazer algo novo. Que temos oportunidade de viver episódios inéditos na nossa vida simplesmente nos permitindo vivê-los.

Frente a uma situação em que não obtivemos sucesso, segundo os parâmetros da sociedade ou dos nossos próprios, focamos no resultado negativo. Se não conseguimos àquela vaga de emprego, frisamos o fato de não conseguir a vaga, e nos esquecemos da experiência que o processo seletivo nos trouxe. Se um relacionamento não deu certo, enfatizamos o fato de não conseguir prosseguir com o relacionamento, e nos esquecemos de toda experiência apanhada durante este tempo. Além de permitir que o outro leve consigo um pouquinho da nossa coragem quando não conseguimos a vaga, ou quando terminamos o namoro.

No dia em que compreendermos quão admiráveis são as experiências as quais passamos, certamente esta antiga coragem voltará a florescer em nós, tão forte quanto antes. Cada experiência traz até nós uma bagagem enorme, recheada de tesouros e quinquilharias, cabe a nós guardar o que realmente importa e abandonar o que não carece de cuidado. E esse processo de separação é o adubo necessário para o renascimento da nossa coragem.


Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras..
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