a vida é relativa

“No mundo nada é verdade nem mentira: tudo depende da cor do cristal com que se mira.”

Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras.

tudo bem se não for para sempre

Há quem pense que nada é eterno. Mas é. Tudo é eterno tanto quanto pode ser,tanto quanto pode durar.


meu-eu-sol-sou.pngHá quem sonhe com aquele amor avassalador que chega sem pedir licenças e que começa por fazer as melhores bagunças, que nos arranca sorrisos furtivos e bobos. Um amor daqueles que nos dá vontade de mandar uma mensagem de bom dia antes mesmo de abrir os olhos, daqueles que se torna o primeiro e último pensamento do dia. Há quem sonhe com amores sem precedentes, daqueles de deixar Romeu e Julieta, Estevão e Guiomar, Tristão e Isolda, todos profunda com inveja.

O que acontece é que a finitude das coisas provoca medo a ponto de nos impedir de ao menos tentar ser feliz. Ficamos assim tão engessados e com medo do fim, que sequer permitimos que o início seja real.

Você conhece a pessoa, e ela passa a ocupar todos os seus pensamentos. Do nascer ao pôr do sol, ela está lá no canto da sua mente com um sorriso de alegrar até mesmo os dias mais cinzentos, te fazendo se sentir a vontade com aquele moletom velho e de chinelos, te fazendo querer alguém pra chamar de lar ( e de se deixar ser lar).

Mas aquele medo de não dar certo, de sair ferido, de não ser "Para Sempre" nos impede de seguir em frente, provocando um duro sofrimento por antecipação. E um olha pro outro e pergunta “Será que a gente dá certo?”. E um “Talvez”, talvez não seja reposta suficiente para que um “Vamos tentar” surja do fundo da garganta carregado de sentimentos reprimidos. E o que temos são corações cheios de nada, que anseiam ser preenchidos, mas que temem a finitude a ponto de usá-la como instrumento de auto repressão.

E às vezes o “Para Sempre” extrapola o romântico/emocional, aí começamos a idealizar que tudo tem que ser eterno: nossas opiniões, nossas vontades, nossos hábitos, nossos desejos, nossos anseios, nós mesmos. Temos aquela ideia de eternizar tudo quanto for possível e a única maneira de isso se tornar real é através do reforço constante e diário.

Somos agarrados a ideia de que obrigatoriamente tem que ser "Para Sempre", e que pra isso deve-se pensar meticulosamente antes de agir, calcular todos os riscos possíveis e só agir quando todas as condições forem favoráveis, pra que aquilo nunca se acabe. Essa herança de cálculos exatíssimos deve ser atribuída, em partes a nossa educação baseada na inteligência matemática, e em partes ao nosso medo avassalador de ser diferente, de fazer diferente e de se permitir entregar sem reservas, de se permitir errar.

Mas tudo bem se não for para sempre. Tudo bem se depois de algumas noites você perceber que aquele sorriso pode não ser tão radiante quanto parecia, e que o mundo pode lhe proporcionar prazeres iguais, ou quem sabe, maiores. Tudo bem se você perceber não deu certo. Talvez fossem as pessoas certas no lugar errado. Talvez não fosse pra ser você, ou não ele.

A vida não é uma via de mão única em que só é permitido ir, sem nunca voltar. Podemos nos arrepender, pegar o próximo retorno e refazer o percurso procurando o erro do caminho, trazendo aquelas lições guardadas no coração, e talvez tentar achar alguém que consiga fazer o “Para Sempre” parecer pouco pra ficar juntos.


Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Rafaela Silva