a vida é relativa

“No mundo nada é verdade nem mentira: tudo depende da cor do cristal com que se mira.”

Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras.

Você não morre quando deixa e existir, e sim quando deixa de ser lembrado

Quão profusa é sua passagem por aqui?


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Fim.

É assim que muitas pessoas descrevem a morte.

Morrer, é a única certeza que temos na vida, já dizia o tio que joga truco na praça.

Ir ninguém quer, mas mesmo sem querer todo mundo vai, discursava a senhora que comprava pão todas as tarde na padaria da esquina.

Entre umas e outras falácias, vamos seguindo, tentando aproveitar este breve intervalo entre o nascer e o morrer ao qual damos o nome de vida. Alguns não se contentam apenas com a sobrevivência, querem mais, querem VIVER, assim mesmo, com letras maiúsculas, tão intensos quanto os raios do sol que transpassam as janelas e enchem recintos ao amanhecer. Não se contentam com sobrevivências rasas, querem profundidade, querem ebulição, querem emoção.

Outros já se contentam com o que lhes é oferecido, com aquilo que lhes é entregue, celebram o que têm, carregam em si a gratidão pelo que foi ofertado. Quem há de julgá-los? Quem há de acusá-los? Tantas nuances nos encaram, obrigando nos a decifrá-las, que o julgamento se torna impróprio. Não há quem seja capaz de ponderar sobre intensidade certa a ser aplicada na vida.

Ninguém morre quando deixa de existir, morre quando deixa de ser lembrado.

Enquanto vivermos na mente de outrem seremos eternamente eternos. Enquanto formos capazes de manter pulsantes na mente daqueles que ainda ficam sobre esta terra a nossa particularidade, estaremos vivos.

A quantidade e intensidade das memórias suas, irão variar de acordo com a reposta a uma pergunta:

Algumas pessoas têm a esmera capacidade de se manterem vivos na história. Citando alguns: Van Gogh, Mandela, Martin Luter King, Dalai Lama, entre outros. O que todos tiveram em comum? A capacidade de fazer com que sua existência fosse importante. Tão importante que as gerações que os sucederam sequer ousaram em esquecer-lhes, nada mais fazendo, se não os enaltecer com o passar dos anos.

Estes referenciados, souberam superar a tentação de uma vivência suprimida e sufocada. Souberam, de forma exemplar, se transformar em uma causa, uma luta, uma lida, uma arte. Exprimiram com suas vidas seus ideais. Marcaram a história com suas vidas.

Não é necessário que se desencadeie revoluções, que se ateie fogo ao mundo, que se sobrepuja o universo. Basta apenas que seja intenso, marcante. Não é necessário que todos os sete milhões de terráqueos saibam que você respira. Mas é extremamente necessário que aqueles que tenham consciência da sua existência, compreendam a sua magnitude em gênero, número e grau. Que aqueles que sejam alcançados por você, sintam que a sua existência é intensa. Lembre-se, a morte é como o lançar de uma flecha. Enquanto ela tem impulso corta o horizonte, mas quando este lhe é tirado, ela cai ao chão. Assim também é a morte. Quando partimos deixamos apenas a nossa essência, e esta será lembrada de acordo com o impulso demos a ela enquanto estávamos em vida. Se queres que tua flecha voe longe, comece agora a impulsioná-la.


Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras..
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