a vida é relativa

“No mundo nada é verdade nem mentira: tudo depende da cor do cristal com que se mira.”

Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras.

Sobre relações unilaterias

"Onde não puderes amar, não te demores!"


meu-eu-sol-sou.png Reciprocidade. Sempre gostei desta palavra, mesmo antes de saber seu significado, só por que achava a fonética bonita! Então descobri seu sentido, e vi que queria levar pra vida. Quanto a sua aplicação, me fascinou mais ainda. O mundo foi/é/será movido por essa tal reciprocidade, por que é ela que faz com que você sinta vontade de continuar amando, de continuar se doando, de simplesmente continuar.

Relacionamentos são uma via de mão dupla. Quem ainda não sabe disso, já está na hora de aprender. E não há por que ser diferente.

Relacionar-se é ao mesmo tempo se doar e receber do outro pedaços da sua vida. É compartilhar momentos. É ouvir mesmo quando se está cansado. É receber áudios enormes e mesmo assim ouvi-los por inteiro. É não medir esforços para se encontrar. É enlaçar os dedos e entrelaçar a alma.

Relacionar-se é doar-se sem medos nem receios do pensamento alheio, sem temer os preconceitos ou os prejulgamentos. É perceber no outro a preocupação para contigo, sabendo que quando preciso for haverá também um ombro amigo disposto a te abrigar e um coração aberto pra te confortar.

“Faça o bem sem olhar a quem” eles disseram. “Mas não sejas bobo” eu ouso completar.

Não há decepção maior que um relacionamento unilateral como um monólogo sem vida, com pouco ou nenhum impacto, onde o interlocutor despeja sobre os ouvintes todas as suas lamúrias sem ao menos levantar o olhar para o companheiro de prosa. Não há relacionamento mais vazio dos que onde só uma voz é ouvida, só uma opinião expressa, sem eco, onde só se recebe, sem poder se doar, onde se é somente ouvidos sem nunca ser ouvido, relacionamento em regime ditatorial. Estagnar-se em um relacionamento deste tipo é como chegar à beira do abismo e gritar esperando que o vazio responda. O que não vai acontecer.

Nada se compara com a sensação de haver um pedaço seu no outro, e do outro em você, fazendo as ideias fluírem como que em osmose, deslizam entre os corpos e completam-se na alma. Saber que a qualquer momento poderá ser surpreendido com a presença de quem se ama, simplesmente por que a saudade bateu e é necessário preencher o vazio com seu abraço, é reconfortante.

Mas quando não há essa doação mútua, é hora de parar, e talvez, somente talvez, voltar-se para dentro de si mesmo, recolher os seus pedaços doados, devolver alguns a quem pertencem e começar a pensar em si mesmo. Dar aquela boa faxina interna, colocando todos os pertences no lugar, para depois se permitir pousar em outros ninhos.

Por que somente receber partes do outro, e doar sua atenção, sem reciprocidade, não dá.

Cada ser humano é único e com uma maneira ímpar de se relacionar e expressar os sentimentos. Porém, o mínimo de reciprocidade deve existir. Lembre-se: você está em um via de duplo sentido,doe sempre, mas encontre também a quem doar!


Rafaela Silva

Estudante de Administração. Devoradora de livros. Apaixonada pela vida, louca pelas palavras..
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