abre aspas

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Ivens Sollohandd

Pior do que ser, o Brasil é o país que pensa que é

O Brasil é um país que quer ser branco, apesar de não ser.
O negro acredita que é pardo, o pardo acredita que é branco e o branco acha a vida é difícil para ele.
O acreditar se torna um problema, neste caso.


Colour

Começo pedindo desculpas pela demora em lançar um novo artigo. Me peguei preso em uma espiral de eventos na minha vida particular que me deixaram sem nenhuma criatividade. Acredito que voltei ao rumo... ou pelo menos estou tentando.

Lembro-me bem quando foi a primeira vez que tomei consciência da minha própria cor. Foi quando me alistei no exército. A ficha me perguntava qual era a cor da minha pele. Acho que foi o item que mais demorei para preencher, pois me fez questionar qual era REALMENTE a concentração de pigmentos em minha epiderme.

A minha bisavó materna era loira dos olhos claros, olhos claros que a minha mãe herdou, ao contrário do meu irmão e eu. Ela se casou com um negro, o que resultou em minha avó ter a pele bem escura, mas não sei se poderia chamá-la de negra, pois não sabia qual era a parcela de responsabilidade do sol forte do norte do Espirito Santo. Os meus tios eram mesclados, tinha uma tia com pele bem branquinha e uma outra bem negra, os outros variavam de escala dentro desta realidade, meus primos seguiram a mesma proporção. Acho que justamente pelo fato de viver esta realidade mesclada é que nunca dei importância para cor, preferia focar em outras questões para formar a minha opinião como afinidade e caráter, até hoje sou assim, tanto que acho que a questão racial, - usar a cor da pele de alguém como fator de exclusão, favorecimento, julgamento, preconceito, violência, etc - algo que não deveria nem ser um problema na nossa sociedade, mas infelizmente é.

O Brasil é um país de maioria negra e mulata e acredita que é uma nação branca. Acho que essa inabilidade de conseguir se identificar é que nos leva a ter o racismo tão presente em nossa cultura ao mesmo tempo em que é tão velado. Somos o país em que o negro se acha moreno, o moreno acredita que é branco e o branco acha que a vida é difícil. Somos o país que usa classificações intermediárias de cor porque classificar diferentes tons de cor no ser humano é importante. Em que o cabelo bom é o cabelo liso e o ruim é o crespo. Somos o país no qual o bandido precisa ser negro e a vítima branca. Somos o país no qual o policial mulato irá abordar de forma truculenta o negro e será educado com o branco, pois acredita que a farda não lhe confere cor. Somos o país no qual os empregados domésticos na novela precisam ser negros e o núcleo rico, em sua maioria, branco.

Acho que o acreditar é um dos grandes problemas da nossa nação.

Acreditamos demais naquilo que não deveríamos nos importar.

Qual é a minha cor? Bem se eu fosse um cachorro, acredito que seria um vira lata e acho isso sensacional.


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