add infinitum

para além para sempre

Ana Vargas

Viver é uma experiência bem confusa mas por vezes, bacana (palavra inapropriada mas não achei outra melhor) e escrever é só uma tentativa (vã mas necessária) de organizar 'tudo' no cérebro: é isso que, humildemente, tento fazer.

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    Como nos tornamos o que fomos?

    Numa rodoviária do interior o mundo adulto articula suas tantas demandas: um ônibus está partindo e outro chega; um motorista sério, recebe as passagens e as confere muito seriamente (pois é um adulto centrado); uma jovem mãe tenta acalmar um bebê que chora sem parar...Enquanto isso, um menino de uns 5 anos, gira na plataforma alheio a tudo isso e parece brincar sozinho em um ‘mundo’ que só existe na sua cabeça. O ônibus parte e eu o vejo, de longe, ainda girando e girando...Todos nós, quando crianças, já fizemos algo parecido (se pudemos viver, de fato, a infância; porque é certo que alguns não podem) e a pergunta é: até que ponto as experiências da infância (indiferentes às tantas demandas adultas) vão moldar a personalidade que teremos na fase adulta? E porque quando crescemos, esquecemos que já estivemos na pele das crianças?

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    Como explicar os sonhos? Essas engrenagens do inconsciente nas quais nos perdemos?

    Carl Jung disse que os sonhos são ‘manifestações’ verdadeiras da criatividade do nosso inconsciente. Ele foi somente um dos muitos que tentaram entender a enigmática atividade que domina nossa mente quando sonhamos. Quanto ao nosso inconsciente, este seria “um complexo psíquico de natureza praticamente insondável, misteriosa, obscura, de onde brotariam as paixões, o medo, a criatividade, a vida e morte”. Assim do alto do meu parco entendimento onírico, eu digo que os sonhos são como ‘cenários’ de intensa liberdade e desvario, mas se isso é um deslumbre para nossos egos oprimidos pela realidade, também é apavorante, pois liberdade excessiva pode significar andar nas margens dos mundos aterrorizantes dos piores pesadelos... E só quem já teve um desses sabe do que estou falando...

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    A gestação de um país ou Brasil: eterna utopia?

    Você é um brasileiro típico que 'adora' falar mal do Brasil e bradar que o Brasil é 'assim' (corrupto, mequetrefe e etc.) por causa dos políticos? Mas você já parou pra pensar que os políticos são pessoas como eu e você? Gente do povo e, ainda que alguns sejam das classes A ou B ou AA/BB, são sim, do povo. E se eles estão 'lá' foi porque nós os colocamos 'lá'? O Brasil: há quanto tempo lemos e ouvimos por aí tantas bobagens sobre esse nosso país, não é mesmo? Mas e se a gente conseguisse pensar de forma mais ampla, para além das fronteiras patrióticas e/ou nacionalistas que são limitantes e rasas? E se a gente finalmente entendesse que países democráticos não se constroem da noite para o dia? E se conseguíssemos enxergar além do circo midiático que (de tempos em tempos) é armado por aqui para que aceitemos que nada vai mudar e que sim: seremos sempre vistos como um país 'meia boca'. E se...? Talvez a hora de mudar seja exatamente essa.

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    Obrigada David Bowie

    David Bowie já foi devidamente homenageado, endeusado, criticado, celebrado, amado e odiado...Já teve sua vida escarafunchada por aí em revistas, jornais, sites e demais publicações ao redor do planeta e ao longo dos anos desde o final da década de 1960; já foi também acusado de coisas terríveis (nunca comprovadas, que eu saiba) mas nesse texto eu tentei somente dizer a ele de forma bastante simples o quanto suas músicas e apresentações e jeito de ser (mesmo sabendo que aquele 'jeito' foi construído para torná-lo um 'produto' midiático-juvenil de vasta abrangência) tornaram minha adolescência suportável. Esta foi a minha forma de homenageá-lo e dizer: obrigada David Bowie.

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    Goya: um observador corajoso (e genial) dos variados dramas humanos

    Esse texto não tem nenhuma pretensão de debater a obra de Goya e nem será um artigo sobre a genialidade (inegável) ou as técnicas que esse emblemático pintor espanhol utilizou para retratar nobres arrogantes ou loucos despudorados; mulheres nuas, vestidas com simplicidade ou ao contrário, envoltas por rendas e ouro; cenas sangrentas de batalhas ou cenas idílicas de famílias coradas e ‘felizes’ . Divagar leve e livremente sobre a corajosa intensidade que resplandece na maioria delas foi minha simples intenção.

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    Bauman ou o humanismo em estado puro

    Tantas pessoas capacitadas escrevendo sobre Bauman, debatendo suas ideias, comprando seus livros (mais de 300 mil foram vendidos só no Brasil), adotando seus conceitos sobre a fluidez que permeia as relações atuais mas ele _ com a lucidez de um sábio como aqueles que moram em montanhas altíssimas _nem de longe se deixa cair nas armadilhas do autoelogio e continua, aos quase 90 anos, sendo um farol bem potente que ilumina os muitos abismos desse nosso ‘teatro’ pós- moderno. Mas porque suas ideias explicam de forma tão exata os muitos paradoxos nos quais nos envolvemos _ quer queiramos, quer não _ hoje em dia?

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    Por que ‘Subdivisions’ do RUSH é uma música perfeita

    O que acontece quando uma simples canção roqueira consegue ultrapassar a fronteira invisível que ergue ao redor desse estilo limites que o identificam somente com a já mais que batida tríade diversão + sexo + bobagens juvenis ? Quando paira sobre o rock certa consciência crítica ou uma capacidade de expressar ‘o sentimento do mundo’ (como disse o poeta) e quando a isso se juntam substâncias como a rebeldia contra o velho sistema social que teima (até hoje) em construir padrões para tudo e quem não se encaixa que se dane... Bem, foi de uma mistura disso tudo que nasceu esta belíssima e atemporal canção do grande RUSH.

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    Aprenda com as árvores

    Esqueça a autoajuda rasa que prega a alegria mansa, a ideia de que ser corajoso é sair atropelando tudo por aí ou certo tipo de visão positiva que ignora o mau caratismo alheio ou a ruindade gratuita que existe por mais que queiramos agir como a Pollyanna. Pois é, às vezes olhar para uma árvore linda, saudável e vigorosa pode fazer com que também nos sintamos bem por sermos quem somos. Basta pensar que a vida é, afinal de contas, uma atividade orgânica que deve ser simplesmente, realizada da melhor forma que pudermos e as árvores sabem fazer isso de forma bem eficiente.

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    Somos tão (irremediavelmente) velhos

    Esse artigo é para você que nasceu no fim dos anos sessenta e começo dos setenta em um país subdesenvolvido da América do Sul. É para você que cresceu ouvindo rock; que viu a queda daquele muro pela TV e achou que algo iria mudar, que se animou quando ouviu Nirvana no começo dos noventa e que hoje anda se sentindo mais ou menos, digamos assim... 'velho'. Esse texto é para que você não negue a idade que tem porque, afinal, vivemos muitas coisas boas até agora e, além do mais, não adianta nada, nada, ficarmos deprimidos. Já somos velhos, mas justamente por isso, merecemos respeito, como não?!

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