add infinitum

para além para sempre

Ana Vargas

Viver é uma experiência bem confusa mas por vezes, bacana (palavra inapropriada mas não achei outra melhor) e escrever é só uma tentativa (vã mas necessária) de organizar 'tudo' no cérebro: é isso que, humildemente, tento fazer.

Quando o rock foi doce e sensível: 4 músicas essenciais

Muitas bandas do melhor rock’ n’ roll de todos os tempos, quando se dispuseram a unir ao peso de suas guitarras, baixos e baterias, uma quantidade transbordante de poesia e lirismo, compuseram canções que são verdadeiras obras primas da arte da música. Sim, porque o rock não é feito só de canções rebeldes e contra o que quer que seja. Ele também pode ser delicado e sutil, sofisticado e melancólico como provam estas 4 músicas.


Quando roqueiros como Pete Towsend (The Who), Ian Curtis (Joy Division) e até mesmo o ‘pai’ dos peso-pesados do rock, Ozzy Osbourne (Black Sabath) divagam calmamente sobre a vida, o mundo, amores findos, despedidas e encontros; canções magníficas como estas quatro abaixo ‘acontecem’ assim, sob a forma de quase epifanias. Para quem acha que rock é só barulho e caos, vale a pena ouvir e descobrir que este ritmo também se expressa através de delicadas (mas intensas) canções como estas que deixo aqui para quem quiser ir além do óbvio em matéria de rock:

Atmosphere – Joy Division

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Ian Curtis, líder do Joy Divison, já tem uma aura de mito devidamente construída e bem sedimentada, portanto, tornou-se mais uma ‘lenda do rock’. Mas, para além de qualquer mitificação, a música ‘Atmosphere’ é uma verdadeira ode à beleza que só as verdadeiras obras primas têm. Porque no final das contas, qualquer arte de qualquer tipo, atinge esse status de ‘obra de arte’ quando quem a constrói coloca ali toda sensibilidade que possui quando se vê diante daquelas perguntas básicas que todos nos fazemos em algum momento: quem sou, para onde vou e etc. Uma viagem em silêncio, um momento de grandiosa descoberta de si mesmo, medo, solidão, sentimentos transbordantes... É, talvez ‘atmosphere’ seja um pouco de cada uma destas ‘coisas’ (só sei que é maravilhosa).

Planet Caravan - Black Sabath

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Que o Black Sabath é o núcleo primordial do rock pesado, pai, mãe, ‘começo-meio-e fim’ de tudo que se fez em matéria de (bom) rock até hoje, não resta dúvida nenhuma. Mas eles também souberam ser extremamente sensíveis, elegantemente sensíveis; porque só os sensíveis conseguem escrever frases como estas: ‘Nós velejamos por céus infinitos/ estrelas brilham como os olhos/A noite escura suspira/A lua em árvores prateadas/ Cai em lágrimas/ A luz da noite...’ e depois encaixá-las em acordes que, por fim, se revelam dessa forma absurdamente bela:

The song is over - The Who

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Já o The Who, outra banda das ‘grandes’, daquelas que foram, são e sempre serão, guias de todos os que se dizem ‘roqueiros’; o The Who do quebrador de baterias, Keith Moon e do destruidor de guitarras, Pete Towsend; também soube com competência rara, erigir a obra prima abaixo, com sensibilidade única. A canção acaba (como nos lembra a letra), mas os fragmentos luminosos dela permanecem no ar dos tempos e vão, delicadamente, tornando a vida mais suportável... Ouça e se sinta ‘no topo das montanhas altas dos céus’, como canta Pete.

Here they come - Ten Years After

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O Ten Years After foi outra banda grandiosa da história do rock que, ao lado de canções mais pesadas (mas não tanto) deixou expressa na música abaixo _ ‘Here They Come” _ o registro de uma das mais bonitas músicas que o lado, digamos, poético do rock foi capaz de engendrar. A letra ‘fala’ de seres alados que virão, que estão chegando...seriam anjos? Não se sabe, mas que esta música é bem bonita, isto é:

Devo ‘dizer’ que não tenho nenhuma pretensão de saber a fundo a história desta ou daquela banda, apenas reuni aqui, intuitivamente, músicas lindas que acho que todos deveriam ouvir para o bem estar e a felicidade geral do mundo. E nestes nossos tempos, boa música tem efeito terapêutico, penso eu. É isso.


Ana Vargas

Viver é uma experiência bem confusa mas por vezes, bacana (palavra inapropriada mas não achei outra melhor) e escrever é só uma tentativa (vã mas necessária) de organizar 'tudo' no cérebro: é isso que, humildemente, tento fazer..
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