admirável mundo

Assim é, se lhe parece (Luigi Pirandello)

Andréa Romão

Devoradora de livros e filmes. Pianista nas horas vagas e escritora em todas as outras horas disponíveis. Está no Wattpad como @dearomao e no Instagram no @lookdolivro.

Por que não gostamos de adaptações?

Porque temos que parar de reclamar das adaptações de nossos livros favoritos para o cinema.


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A adaptação do livro para o filme é um tema polêmico que mexe muito com os fãs do produto original. É bem comum vermos pessoas saindo decepcionadas das salas de cinema, lamentando que o diretor X estragou a história incrível daquele livro Y.

O grande problema é que quando lemos um livro e nos apaixonamos por aqueles personagens e suas aventuras, nós criamos nossa própria versão da história em nossas cabeças. Cada um de nós possui uma Hollywood particular dentro de nossas mentes e por mais que tenhamos lido o mesmo livro, com exatamente as mesmas palavras, cada pessoa traz na sua imaginação uma versão diferente daquela mesma história.

Quando um grande estúdio norte-americana anuncia que será feita uma adaptação, ficamos animados. João das Couves e Lady Maricota vão se tornar reais diante de nossos olhos! É um sonho realizado.

Então o filme fica pronto, vamos assistir e temos vontade de sair de lá chorando. Como eles ousaram? Não é daquele jeito que o casal principal se conhece; a mãe da Lady Maricota é morta em um incêndio e não assassinada; não existe aquele personagem engraçadinho nem o segundo vilão; e ainda por cima o João das Couves é moreno e não loiro!!! Por que eles mudaram tudo? Por que cortaram isso e acrescentaram aquilo? Está tudo errado.

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Pois é. Frustrante, não? O problema é que ninguém disse que iria pegar aquele livro incrível e transformá-lo vírgula por vírgula em uma versão cinematográfica. É por isso que adaptação se chama adaptação e não cópia. "Mas não seria melhor se eles fizessem uma cópia super fiel?". Às vezes não. O que funciona no papel não necessariamente vai funcionar na tela. E vice-versa. Por que perder o tempo de 50 páginas explicando quem são os membros daquela família, se a imagem do cinema nos permite fazer isso em uma sequência de 30 segundos com dois diálogos?

Atualmente podemos perceber que o fato de um livro já possuir diferentes adaptações faz com que uma nova cópia tenha menos pressão para uma fidelidade maior e permite que se crie e inove mais. Como é o caso de Anna Karenina cuja última adaptação, de 2012, levou a história para dentro de um palco. Ou a versão de Tim Burton para Alice no País das Maravilhas.

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Fico enjoada só de pensar que vão readaptar A Princesinha, que é um livro incrível da autora Frances Hodgson Burnett, que já originou um filme lindo de 1995 e um mais antigo ainda, de 1939, com Shirley Temple. Não consigo conter minhas expectativas. Amo essa história. Mas o que eu não quero ver é uma cópia do último filme. Estou esperando novidade, mesmo que isso parta meu coração.

Uma adaptação nunca será a cópia fiel de seu original e nem nós, como público ao qual ela se dirige, deveríamos esperar que fosse. Adaptações cinematográficas deveriam ser vistas como versões alternativas das histórias originais.

A adaptação é um processo de reacentuação e deve servir como reinterpretação de alguma coisa através de um novo olhar. Ela deve trazer algo de diferente em sua forma de contar uma história, caso contrário, poderíamos nos ater a obra original. A adaptação pode e deve inovar uma história já conhecida. E nós, como público, temos que tentar apreciar aquele novo olhar sobre a história e desapegar das versões hollywoodianas que criamos em nossas cabeças, pois quando quisermos revê-la ela sempre vai estar lá nos esperando.

Aguardando ansiosamente pelas surpresas que A Princesinha me reserva.

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Andréa Romão

Devoradora de livros e filmes. Pianista nas horas vagas e escritora em todas as outras horas disponíveis. Está no Wattpad como @dearomao e no Instagram no @lookdolivro..
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