admirável mundo

Assim é, se lhe parece (Luigi Pirandello)

Andréa Romão

Devoradora de livros e filmes. Pianista nas horas vagas e escritora em todas as outras horas disponíveis. Está no Wattpad como @dearomao e no Instagram no @lookdolivro.

La La Land e o maior erro em uma história de amor

Posso amar ou odiar o casal na tela do cinema, não importa. Desde que eu sinta alguma coisa.


Essa não é uma crítica cinematográfica.

Estou muito atrasada para falar de La La Land? Bom, se por um lado já faz três anos que o filme foi lançado, acredito que nunca é tarde para aprendermos alguma coisa sobre como escrever uma história de amor – ou nesse caso, como não escrever.

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Sei que La La Land foi um filme que dividiu opiniões. Alguns amaram, outros odiaram e há ainda aqueles que amam odiar ou odeiam amar e vivem para criticar (sempre, sempre teremos esses). Eu me coloco em cima do muro. Gostei do filme, das músicas, do final alternativo (mostrando que a vida é feita de escolhas e quase sempre ficamos infelizes com as escolhas que fazemos, mesmo quando conseguimos tudo aquilo para o qual lutamos tanto tanto tanto).

Mas eu vibrei com a história? Quis gritar com os personagens? Vivi uma montanha-russa de emoções com aquele relacionamento destinado a não funcionar? Com certeza não.

E sabe por quê? Porque eu não poderia me importar menos com os dois personagens principais.

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Mia e Sebastian eram aceitáveis como indivíduos (aceitáveis no sentido de que eu não seria amiga de nenhum dos dois, mas os cumprimentaria quando os encontrasse no elevador). Mas como casal eles me despertavam apenas o mais profundo desinteresse. E isso, em uma história sobre amor, escolhas e os caminhos da vida, me parece um erro grande demais para se esconder atrás de músicas bonitas e coreografias elaboradas.

É quase como se os personagens estivessem pensando "talvez se a gente dançar e cantar bastante, ninguém repare que não estamos apaixonados, que nós mal nos conhecemos e não temos nada em comum!".

Eu não me lembro quando foi a última vez que um casal do cinema foi capaz de me despertar tão pouco empatia e para ser bem sincera, eu quase queria que eles terminassem logo. Sebastian estava no limite da chatisse para mim. Um homem de uma nota só, que só sabe falar dos próprios interesses e nem uma vez (nem na estreia da peça que Mia escreveu, dirigiu e produziu) foi assistir sua namorada atuando!

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Criar empatia entre personagem e espectador deveria ser a regra número de qualquer filme. Faça eu me importar. Do contrário, nada mais importa. Diálogos inteligentes, plot twists inacreditáveis, efeitos especiais, tudo vira fumaça e purpurina, tentando me desviar do fato de que aqueles personagens diante de mim são incapazes de me cativar (e certamente de cativar um ao outro).

Nem o momento em que eles seguem caminhos diferentes (que poderia se algo muito interessante, afinal de contas o que é mais real do que estar em um relacionamento e sentir que a vida está levando os dois para lados opostos?) consegue tornar a história daquele casal melhor. Não é a vida, as ambições e os sonhos que estão separando aquelas duas pessoas. São elas próprias. Sebastian não vai atrás de Mia em Paris porque não quer! Quer dizer, não existe jazz em Paris?! Só é possível ser uma estrela do jazz em solo americano?!

Certamente minha parte preferida foi o final alternativo, não porque mostra que aquele casal seria possível, mas porque mostra como nós, seres humanos, gostamos de lamentar aquilo que não temos. Se me perguntar, acho que a Mia ganhou na loteria da vida. Carreira, amor, família, dinheiro, sucesso, saúde, beleza… mas mesmo com tudo isso, ela queria exatamente aquilo que não tinha: um cara que ela namorou por alguns meses, com quem não tinha nada em comum e que só sabia falar de jazz (que ainda por cima ela não gostava!). Se isso não é reclamar de barriga cheia… não sei o que é então.

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Mas para ser bem sincera, na vida real algumas pessoas também se apaixonam por pessoas chatas, desinteressantes, mesquinhas e autocentradas e passam uma vida inteira lamentando que o relacionamento não tenha dado certo. Tudo bem, acontece. Mas não significa que dá para tentar vender essa ideia como uma grande história de amor digna de um Oscar.

Relacionamentos ruins merecem viver no buraco-negro na nossa memória, não nas telas do cinema.


Andréa Romão

Devoradora de livros e filmes. Pianista nas horas vagas e escritora em todas as outras horas disponíveis. Está no Wattpad como @dearomao e no Instagram no @lookdolivro..
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