Água na peneira

Sou passarinho, sou passarela. Pensamentos que passarão...

Tamires Borges

Apaixonada pelas insignificâncias, sou professora de História, amante de livros, vinhos e boas rezas. Escrevo porque preciso transbordar de mim e em mim.

O facebook nosso de cada dia

Quando sai das redes sociais optei por reservar mais a minha vida, por valorizar aquelas pessoas que de fato estavam ao meu lado e não aqueles que só me mandavam feliz aniversário pela linha do tempo. Eu queria relações reais. Por isso, abri mão dos 1.000 amigos online.


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Que as redes sociais são parte das nossas vidas, isso é um fato que já não pede questionamentos. Mas, a maneira como a colocamos em nossas relações faz toda a diferença. Encontrar o equilíbrio entre conexão e vida real é hoje o maior desafio da nossa sociedade que se vê em frenética necessidade de contato.

Quando saí das redes sociais optei por reservar mais a minha vida, por valorizar aquelas pessoas que de fato estavam ao meu lado e não aqueles que só me mandavam feliz aniversário pela linha do tempo. Eu queria relações reais. Por isso, abri mão dos 1.000 amigos online.

Foi uma das melhores decisões que tomei. Realmente consegui estar mais perto dos meus reais amigos, amadurecer meu relacionamento e viver intensamente cada momento sem precisar postá-los. Confesso que por vezes me senti alheia a algumas brincadeiras e conteúdos, mas, nada que me diminuísse. Sempre tinha uma alma boa para me inteirar e, assim íamos nós, construindo um diálogo e uma relação real. Decidi voltar ao facebook depois de dois anos afastada dele, e que baita surpresa foi essa.

Voltei as redes sociais, de maneira geral por necessidade, não só por vontade. A primeira sensação foi: sai do facebook por 5 min e voltei a fazer login. Tudo estava igual: os mesmos posts sobre crianças doentes, as mesmas selfies egocêntricas pedindo pelo amor de deus uma curtida para aumentar a autoestima, os mesmos compartilhamentos sobre questões pontuais como o jogo de futebol do dia, o parabéns pelo Dia Internacional da Mulher. Tudo como era antes! Não que essas coisas sejam ruins, afinal são elas que movem as redes sociais. Mas para mim é um pouco vazio...

No fim, em meio as minhas próprias superficialidades, descobri que todos da minha idade já têm filhos e eu ainda estou pensando em estudar mais um pouco. Que se vende como nunca por lá (estou nesse bloco inclusive rs) e que o facebook é agora uma mistura de todas as redes sociais possíveis. Muitas descobertas por minuto!

E no meio disso tudo, depois desse tempo longe, eu percebo agora que o que de fato importa é o contato com aqueles que não vemos além das telas. São as sensações da imagem, é a ideia de estar perto. São informações com profundidade, com verdade que valem a pena. Porque só saber da vida dos outros é pouco, só saber das últimas notícias é raso. É preciso tornar o facebook uma ponte mais próxima para a difícil arte de conviver. Espero que a gente consiga ir além da superfície. A onda de informações tocando só os nossos pés é cômoda demais para uma sociedade que precisa ser cada dia mais crítica.


Tamires Borges

Apaixonada pelas insignificâncias, sou professora de História, amante de livros, vinhos e boas rezas. Escrevo porque preciso transbordar de mim e em mim. .
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