Vanelli Doratioto

Vanelli Doratioto é escritora e autora desse e de outros textos que podem ser lidos em sua página no Facebook. Ela espera todos vocês por lá (www.facebook.com/vanellidoratioto)

O Dia em que Conversei com o Mago

Existem momentos em nossa vida nos quais nos sentimos pequenos e vulneráveis. Em muitos deles acreditamos que estamos sós a lutar contra nossos dragões. Felizmente a vida vem e nos prova que tudo pode ser diferente. "Você se lembra de quem é?" - perguntou-me o mago. Eu não me lembrava, tinha esquecido muito sobre mim, contudo a verdade não fica adormecida para sempre.


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Aquele foi um dia difícil, cheio de percalços e incertezas. Foi um dia desafiador e terrivelmente insensível de tal forma que quando me deitei me senti ínfima e destroçada.

Quantas vezes não nos sentimos assim?

Naquela noite eu não tinha respostas, nem mesmo palavras de consolo para me dar. Apenas o sono parecia ser uma boa ideia.

Adormeci rápido, como uma criança cansada em um colo quente.

E no sonho o vi de pé.

Notei seu semblante firme e ponderado e naquele instante me perguntei o que ele fazia ali. Tantas pessoas o haviam lido, tantas palavras o tinham delineado, mas eu nunca havia me apoderado delas para falar de Paulo.

Brida e o Alquimista estavam pacientemente de mãos dadas em minha prateleira, há anos, esperando que eu os lesse e eu apenas trilhava meu caminho, seguindo as estacas fincadas no chão por outros, estacas que não me levavam para canto algum.

- Você se lembra de quem é? – ele me perguntou.

Eu tinha dormido sem respostas e essa não era uma pergunta tão fácil de responder.

- Você tem alguma ideia da força que tem? – continuou ele.

Eu não tinha ideia de que força era essa se há pouco me achava incapaz de levantar uma pena.

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Então ele me disse repetidas vezes que eu seria capaz de arrastar tudo, se assim o quisesse. Fez-me lembrar das vezes em que o acaso me ajudou de forma quase desmedida.

Olhou-me como se soubesse quem eu era, como se um ponto de luz não tivesse o direito de dizer que não era nada. Como se não pudesse acreditar como eu fora capaz de dormir me achando tão pequena.

Perguntou-me como se me dissesse que eu não tinha o direito de me entregar, rendida, frente aos meus obstáculos.

Repetiu inúmeras vezes que, se eu assim quisesse, poderia mover mundos e levar para longe tudo o que não me fazia bem.

Acordei com suas palavras estalando em minha mente e, ao contrário do que imaginei antes de cair no sono, sentia-me restabelecida e disposta.

Sim, já era tempo de soprar para longe tudo que me turvava a visão.

Era chegada a hora de caminhar, plantando minhas próprias estacas, pelos caminhos da vida. Era chegado o momento de seguir meu coração. De não delinear cada passada com a razão palpável do que parecia ser o mais certo.

Era tempo de tomar, decidida, a verdade que me pertencia. Era hora de descobrir em mim a força que eu não acreditava ter.

Às vezes apenas quando nos abaixamos para tomar um ar, quando parece que os pés não podem mais, é que somos capazes de tocar o que há de mais profundo em nós.

Como água cristalina em terra seca, eu tinha bebido suas palavras e sabia que ele estava certo, que viera a mim quando eu não acreditava mais. Sabia que ele tinha sido o bálsamo para as feridas pungentes que tiraram minhas forças.

Suas palavras estancaram em mim o rio de vida que vertia para longe do meu próprio eu.

Naquela noite tive todas as respostas para as perguntas que me fiz.

As respostas me vieram por Paulo e, junto delas, a inevitável certeza de que não estamos sós.

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