Vanelli Doratioto

Vanelli Doratioto é escritora e autora desse e de outros textos que podem ser lidos em sua página no Facebook. Ela espera todos vocês por lá (www.facebook.com/vanellidoratioto)

Você Se Importa?

Às vezes nossos joelhos doem, mas nos lembramos que existe alguém pelo qual devemos lutar. Ele precisa de nós, precisa mais que qualquer outra pessoa que já encontramos na vida.


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Muitas vezes nos suprimos com um cantil de esperança, um pão recheado de motivação e palavras que serão como um cobertor quente em um dia de desalento e partimos.

Escalamos despenhadeiros sem corda de rapel e caminhamos por estradas áridas sem sapatos. Existe um propósito lá ao longe, existe uma razão, existe uma pessoa sozinha e perdida que amamos por lá. Nós decidimos trazê-la de volta.

O sol muitas vezes é quente e o ar sufocante. Abafamos a tosse que insiste em permanecer. O calor toma a água do nosso corpo, mas o cantil não pode ser tocado antes da hora.

Ouvimos corvos e urubus ao longe cantando uma triste melodia. Encaramos coiotes de frente. Olho por olho, dente por dente.

Arbustos ressequidos e serpentes do deserto trazem à caminhada um ar de desalento. Falta tão pouco para chegar...

Quisera ter ao nosso lado um pequeno príncipe gentil para atiçar nossas forças. Para vir até nós com seus desenhos e sua ternura.

A noite vem e o pequeno príncipe não. Sons embalam a escuridão e aguçam nossas incertezas que teimam em fantasiar o que não enxergamos bem.

É nossa a decisão de crer ou desesperar. É nossa a decisão de pensar no melhor ou no pior. Bate uma vontade de chorar, mas nos lembramos que existe alguém pelo qual devemos lutar. Ele precisa de nós, precisa mais que qualquer outra pessoa que já encontramos na vida.

O sono chega sereno com a candura da madrugada. E entre uma piscada e outra a lua decide nos visitar e iluminar nosso entorno.

Com ela dedilhamos as sombras dos que ali estiveram assim como nós, contudo não tiveram forças para levantar. São tantos, tantos quantos podemos contar.

Seremos como eles, ali esquecidos e ressequidos? Cairemos em sono profundo para não mais acordar? Enterraremos nossos sonhos para que um dia alguém talvez os possa achar?

Ao longe uma voz suave entoa um cântico e nos pergunta repedidas vezes "Você se importa?"

Estamos ali, justamente onde deveríamos estar, junto da pessoa que prometemos cuidar. Essa pessoa somos nós e precisamos decidir se vamos resistir e sobreviver ou nos abandonar.

É nossa a decisão de preservar nossos sonhos. De lutar por nós. De acreditar que podemos superar as dificuldades.

Sorvemos então o cantil, o pão e as palavras e saímos aos primeiros raios da manhã, carregando conosco tudo que somos. Levando junto de nós a criança que fomos e o velho que seremos, cada qual em uma mão.

Nesse novo dia seremos aquele que escolhemos amar e proteger. Aquele que permitiu-se preencher pelo amor próprio. Um amor essencial que nos mostra quão determinante é se importar, não só com o mundo que nos cerca e com tudo que há nele, mas pura e simplesmente...com nós mesmos.

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