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Cinema e Literatura

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Alfredo Passos, Prof.Dr. (professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo). Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

De olhos bem abertos para tigres e cobras

Neste mundo complexo de ameaças e oportunidades, todos precisam ser capazes de ver não só os tigres, mas também as cobras!


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Noreena Hertz é autora, consultora de empresas e órgãos governamentais, conselheira de empresas, organizações filantrópicas e professora de globalização na Duisenberg School of Finance, em Amsterdã, além de diretora associada do Centro de Gerenciamento e Negócios Internacionais, na Universidade de Cambridge. Em seu livro, Eyes Wide Open, ela escreve uma prática clínica muito importante do eminente psicólogo cognitivo americano, professor Richard Nisbett (2005).

Depois de cuidadoso planejamento, o Professor Nisbett apresentou um conjunto de imagens a dois grupos de estudantes, um composto por americanos e outro, por chineses. Cada imagem era exibida durante apenas três segundos, e os temas eram variados: um avião no céu, um tigre na floresta, um carro na estrada e por aí vai.

Como americanos e chineses veriam as imagens? Era a esta pergunta que o professor pretendia responder. Será que as veriam de maneiras diferentes? Enxergariam as mesmas coisas? Se houvesse uma cobra no chão por exemplo, quem notaria, americanos ou chineses?
Os métodos do professor eram clínicos. Após entrar na sala, os estudantes eram colocados em uma cadeira e apoiavam o queixo num suporte posicionado a exatos 52,8cm da tela.
Na cabeça dos jovens foi fixado um dispositivo de 120Hz, usado para acompanhar o movimento dos olhos. Assim, Nasbett conseguiria rastrear cada olhar de soslaio, cada vista de relance e cada piscar de olhos”.

As diferenças entre os dois grupos apareceram imediatamente. Os americanos atentavam para o objeto focal: o avião, o tigre, o carro. Os ocidentais se fixavam completamente nestes objetos e mal olhavam para o fundo.
Os chineses, por sua vez, demoravam mais a se fixar no objeto focal – 118 milissegundos mais tarde. E, depois disso, os olhos continuavam a navegar pela imagem. Os orientais olhavam para a areia, a luz do sol, as montanhas, as nuvens, as folhas.
Assim, se houvesse uma cobra no chão, logo atrás do tigre, seriam os chineses, e não os americanos, que a veriam.
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