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Cinema e Literatura

Alfredo Passos

Alfredo Passos, professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo. Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

Lições inglesas na arte de renunciar

Em recente teste da "Radio Times", foi perguntado quem disse uma série de frases de renúncia. Parecia simples, uma vez que as frases eram de diferentes personalidades da vida pública inglesa recente. Mas, muitos erraram!


david-cameron_iqbal-latif_759.jpg Em recente coluna no Financial Times, Lucy Kellaway, reproduziu o teste da “Radio Times”, perguntando aos seus leitores quem disse isso: "Foi uma longa jornada. Nem sempre foi fácil, mas mesmo assim foi extraordinariamente divertida"?

a) Nigel Farage (um dos rostos do Brexit e antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), será convidado de honra da Convenção Republicana)?

b) David Cameron (político britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido entre 11 de maio 2010 e 13 de julho 2016. Também líder do Partido Conservador)?

c) Boris Johnson (político, historiador e jornalista britânico. Desde 13 de julho 2016 é Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth)? Ou

d) Chris Evans (apresentador de TV e rádio)?

A emissora de rádio, selecionou oito comunicados de renúncia de quatro homens e perguntou aos seus leitores quem disse o quê.

Parecia fácil, uma vez que a função de cada um deles era muito diferente, entre si.

Mas, o fator mais interessante, é que na hora da renúncia, todos disseram, as mesmas coisas. E, portanto, todos ouvintes e leitores que tentaram acertar de quem eram as palavras, ao seu final, erraram!

Mas por que?

Em breve histórico. Suas renúncias foram bem diferentes ¬ um renunciou após seis anos comandando o país (David Cameron), outro após seis semanas apresentando um programa de TV sobre automóveis (Chris Evans).

Dois renunciaram após terem fracassado (Cameron e Hodgson ; dois por terem sido bem¬-sucedidos (Farage e Johnson). Mesmo assim, no momento de renunciar, todos disseram as mesmas coisas.

"Estou muito orgulhoso do trabalho que a comissão técnica e eu realizamos", disse o ex¬-técnico da seleção inglesa, Roy Hodgson.

Já por sua vez, o ex-primeiro Ministro Cameron provou que um pequeno tremor na voz quando você está saindo pode ser uma coisa boa. Ele faz com que as pessoas se solidarizem com você, mesmo que por apenas um minuto ou dois ¬ e mesmo as pessoas que estão furiosas por causa do que você fez.

Isso mostra que para renunciar ou pedir demissão na vida pública ou privada, seja em empresas, organizações ou em clubes de futebol, você não pode se esquecer das palavras “clichês”.

O primeiro deles é sempre usar metáforas de viagem.

"Foi uma jornada fantástica", disse o técnico da seleção de futebol da Inglaterra.

O segundo clichê é jamais admitir que estragou tudo e nunca dizer "sinto muito". Em vez disso, você precisa se elogiar. "Estou muito orgulhoso do trabalho que a comissão técnica e eu realizamos", disse o ex-¬técnico da seleção inglesa. Em seguida, você agradece todas as pessoas que consegue lembrar e, ao fazer isso, promete uma lealdade eterna às pessoas para quem você trabalhou.

Mas, caso não queira agradecer ou se comprometer com ninguém, hoje você tem uma ferramenta, excelente para isso: o Twitter.

E existe um bom exemplo para isso. Jimi Matthews, que deixou o cargo de presidente em exercício de uma rede de televisão da África do Sul, recentemente. Ele dizia simplesmente: "Saí da SABC [South African Broadcasting Corporation]".


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