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Cinema e Literatura

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Alfredo Passos, Prof.Dr. (professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo). Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

Cinema e Psicanálise: O Alucinado (Él)

Em seu livro "O Meu Último Suspiro", Luis Buñuel Portolés, diretor de cinema espanhol, naturalizado mexicano, que trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista, o autor menciona uma conversa com Jacques Lacan, que inclusive, participou de uma sessão do filme (O Alucinado), cujos espectadores eram todos seus colegas.


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Mercedes Pinto vive en el viento de la tempestad. Con el corazón frente al aire. Enérgicamente sola. Urgentemente viva. Segura de aciertos e invocaciones. Temible y amable en su trágica vestidura de luz y llamas. Pablo Neruda

Em 1926, através da Editorial da Casa del Estudiante, foi publicado na Argentina, um livro, chamado erroneamente de "Pensamiento" ou Pensamentos por alguns críticos. Escrito por Mercedes Pinto e de Armas Clós, espanhola de nascimento (nas ilhas Canárias para ser preciso, 1883), mas exilada no México, onde morreu em 1976.

Mercedes Pinto Armas da Rosa e Clós (La Laguna, Tenerife, 12 de outubro de 1883 - Cidade do México, 21 de outubro de 1976) foi escritora, dramaturga, palestrante e jornalista espanhol. Conhecida pelo seu primeiro livro de versos, suas atividades políticas, suas idéias feministas e uma conferência polêmica na Universidade Central de Madri (Divórcio como medida higiênica), obteve a publicação de sua obra literária (novelas, poesia, teatro e uma ampla produção jornalística) em diferentes países da América Latina, onde morou até a morte em 1976.

A autora, além de Ele, publicou outras obras literárias mais tarde: uma novela intitulada Ella e várias peças como Anyone, Mulher, Silêncio e A grande alma do pequeno Juan. A crítica e biografia sobre Mercedes Pinto, embora quase inexistente, foram apresentados por Félix Zúñiga e Héctor Argente em seu artigo "Mercedes Pinto: poetisa de espírito rebelde", incluída em uma edição especial da revista mexicana Somos (Editora Televisa).

Do livro ao filme: O Alucinado (Él)

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Do romance (1926) para o filme (1953) existem três décadas. Esse tempo é significativo, pois fica claro que não existe um tempo para o texto de Mercedes Pinto.

O diretor do filme, Buñuel disse em entrevista para My Last Sigh que "não tem nada de mexicano". A ação poderia desenvolver-se em qualquer lugar, porque é o retrato de um paranóico."

Em resumo, o filme trata de Francisco, homem que mantém uma imagem de tranquilo, conservador e religioso. Durante uma missa, conhece Glória e casa-se com a jovem. Depois do casamento, passa a ser um homem paranoico, ciumento e atormentado.

A questão principal abordada no filme é a violência, causada pelo abuso do poder dos homens nas relações com suas namoradas ou no casamento. Essa temática é fonte de inspiração contínua para programas de televisão, peças de teatro, novelas, artigos de jornal, filmes e romances, em todos os tipos de textos contemporâneos.

O filme, enquanto isso, foi reconhecido mundialmente como um dos melhores Buñuel, que afirmou se identificar com o principal personagem masculino e declarou que ele tem muito disso e que ele é um dos seus favoritos (Buñuel por Buñuel, Mi última suspiro, respectivamente).

Do mesmo modo, Jacques Lacan (Jacques-Marie Émile Lacan foi um psicanalista francês. Depois dos estudos em Medicina, Lacan se orientou em direção à Psiquiatria), chegou para usar este filme em suas aulas para demonstrar um dos graus mais extremos da paranoia psicológica dos seres humanos.

Filme O Alucinado (Él). Data de lançamento: 9 de julho de 1953 (México). Direção: Luis Buñuel. Música composta por: Luis Hernández Bretón. Cinematografia: Gabriel Figueroa. Roteiro: Luis Buñuel, Luis Alcoriza.

Referência bibliográfica:

CUMMINGS, Gerardo. ÉL: DE MERCEDES PINTO A LUIS BUÑUEL. Filología y Lingüística XXX (1): 75-91, 2004


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