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Cinema e Literatura

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Alfredo Passos, Prof.Dr. (professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo). Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

Vanessa Redgrave: 80 anos

O cinema comemora a vida de mais uma octogenária em 2017. Embora tenha feito sua carreira de atriz nos Estados Unidos, nasceu na Inglaterra.


1485795737224.jpg Filha de ator (Michael Redgrave), irmã de atores (Corey Redgrave e Lynn Redgrave), Vanessa Redgrave seguiu a tradição familiar e fez uma carreira brilhante - na Inglaterra, onde nasceu, nos EUA. Faz teatro, cinema e televisão, ganhou um monte de prêmios dos dois lados do Atlântico e ainda se destacou pelo engajamento político.

Vanessa completou 80 anos. É mãe de três filhos - as atrizes Natasha e Joely Richardson, que teve de seu casamento com o diretor Tony Richardson (e a primeira teve aquele acidente fatal numa estação de esqui do Canadá, morrendo em 2009), e Carlo Gabriel Nero, fruto de sua união com o astro italiano de spaghetti westerns Franco Nero. Estão juntos desde 1969, casaram-se em 2006, quando Vanessa estava chegando aos 80 anos. Vamos lembrar um pouco da carreira dessa extraordinária mulher e atriz.

A atriz em 20 anos esteve presente em 17 filmes. Conheça o essencial de Vanessa Redgrave em filmes.

DELICIOSAS LOUCURAS DE AMOR, 1966. O título brasileiro não dá conta do original - Morgan, a Suitable Case for Treatment - e o longa de Karen Reisz conta a história desse homem no limite da lucidez e da loucura, que desafia a ordem com seu comportamento. Vanessa faz sua mulher e, pelo papel, foi melhor atriz no Festival de Cannes. O inglês Reisz surgiu no free cinema, movimento que integrou com o então marido de Vanessa, o cineasta Tony Richardson. No filme sensação de Cannes do ano passado, Tony Erdmann, de Maren Ade - o filme concorre ao Oscar -, há quase uma repetição da cena final de Morgan, quando David Warner, que faz o protagonista, veste-se de gorila. A diretora alemã jurou para o repórter que não conhecia o filme de Reisz e até ficou curiosa.

O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA, 1966 O longa do prestigiado Fred Zinemann, de Matar ou Morrer, ganhou os principais Oscars do ano, incluindo filme, diretor e ator (Paul Scofield). Inspira-se no embate entre o filósofo Thomas More e Henrique VIII, quando o primeiro negou permissão ao rei para se divorciar e casar com Ana Bolena. Vanessa faz justamente o pivô da disputa, Ana Bolena. Anos mais tarde, o rei quis se divorciar de novo, acusou Ana de adultério e ela foi decapitada, mas gerou a futura rainha Elizabeth I.

BLOW-UP - DEPOIS DAQUELE BEIJO, DE 1967 1485790009664.jpg O longa de Michelangelo Antonioni que venceu a Palma de Ouro em Cannes virou um caso emblemático ao retratar as transformações ocorridas no mundo, e no cinema, nos anos 1960. David Hemmings tira fotos num parque, em Londres, seguindo um casal, e descobre um assassinato. Vanessa é a acompanhante do homem que é morto. Foto: Divulgação

CAMELOT, 1967 Joshua Logan dirigiu a versão musical da saga de Camelot. Vanessa faz a rainha Guinevere, que se envolve com o cavaleiro Lancelot du Lac. Durante as filmagens, algo deve ter havido entre Vanessa e seu coastro, Franco Nero, mas eles só se assumiram dois anos depois.

A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA, 1968 O único filme que Vanessa fez com o então marido, Richardson, mas eles iam logo de separar. Inspira-se num episódio controvertido da participação inglesa na Guerra da Crimeia, durante a batalha de Balaclava. Existe uma famosa versão norte-americana, dos anos 30, em que os soldados morrem gloriosamente. A versão de Richardson não é nem um pouco heroica. Vanessa faz um papel não muito grande, mas importe. Mrs. Clarissa Morris. Foto:

UM LUGAR TRANQUILO NO CAMPO, 1968 Sob esse título enganoso, esconde-se a incursão do diretor italiano Elio Petri, de Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, pelo fantástico. O lugar não é nada tranquilo. Vanessa e Franco Nero atuam juntos de novo. Na sequências, assumiram a relação e estão juntos até hoje, quase 50 anos depois. Foto: Divulgação

ISADORA, 1969 Outra parceria com o diretor Karel Reisz, outro prêmio de melhor atriz em Cannes. A Isadora do título é a célebre bailarina Isadora Duncan, que morreu tragicamente quando sua echarpe esvoaçante enrolou-se nas roda do carro e ela teve a cabeça decepada. O prêmio gerou alguns protestos porque, para alguns críticos, Vanessa não conseguiu reproduzir a dança da biografada.

MARY, RAINHA DA ESCÓCIA, 1971 O longa de Charles Jarrott é, acima de tudo, um duelo de atrizes - Vanessa e Glenda Jackson, reproduzindo o embate histórico entre as rainhas Mary Stuart, da Escócia, e Elizabeth, da Inglaterra. A primeira, como se sabe, foi executada pela segunda. Se não fosse de mau gosto, poder-se-ia dizer que Vanessa gerou (em O Homem Que não Vendeu Sua Alma) a mulher que iria matá-la e que, com esse, e após os filmes de Fred Zinnemann e Karel Reisz (Isadora), perdeu a cabeça na tela três vezes.

OS DEMÔNIOS, 1971 1485790010435.jpg O inglês Ken Russell, considerado o enfant terrible do cinema inglês da época, recria o célebre episódio das freiras endemoniadas no convento de Lodoun, na França. Houve, antes, uma versão polonesa - Madre Joana dos Anjos, de Jerzy Kawalerowicz. Vanessa faz a freira manca que morre de desejo pelo padre Oliver Reed. Foto: Divulgação

AS TROIANAS, 1971 Vanessa filmou muito naquele ano. Aqui, faz Andrômaca na tragédia que o grego Michael Cacoyannis adaptou de Eurípedes. Grande elenco feminino e Katharine Hepburn recriando o lamento de Hécuba, um dos grandes textos contra a guerra, na história.

ASSASSINATO NO ORIENT EXPRESS, 1974 De novo Vanessa um elenco all star, na adaptação que o norte-americano Sidney Lumet fez do célebre texto da inglesa Agatha Christie. Hércules Poirot investiga crime num trem de luxo. Vanessa é uma das passageiras que podem ter matado. Por que? Foto: Divulgação

JÚLIA, 1977 Este é um filme muito importante. Vanessa andava muito engajada na época, militando em questões sociais na Inglaterra e contra a Guerra do Vietnã, que recém acabara. Essa militância transparece nas personagem de Júlia, judia que se liga à resistência ao nazismo. Jane Fonda faz sua amiga, a escritora Lilian Hellman. Vanessa ganhou o Oscar de coadjuvante e o filme virou paradigma para as feministas.

O MISTÉRIO DE AGATHA, 1979 Desta vez, Vanessa faz a própria Agatha Christie e o filme de Michael Apted investiga o que pode ter ocorrido naqueles onze dias em que a escritora esteve desaparecida, em dezembro de 1926.

THE BOSTONIANS, 1984 O mais inglês dos cineastas norte-americanos, James Ivory, adapta o romance de Henry James sobre as primeiras batalhas do feminismo. Vanessa faz a feminista-mór, Olive Chancellor.

MISSÃO IMPOSSÍVEL, 1996 O primeiro da série famosa. Brian De Palma dirige, Tom Cruise estrela e Vanessa marca presença como 'Max'.

MRS. DALLOWAY, 1997 O filme de Marlene Gorris pode até não ser muito bom, mas tem certa classe. Vanessa é genial como a personagem de Virginia Woolf.

RETORNO A HOWARDS END, 1992 Outro filme de James Ivory, outra adaptação - do romance de E.M. Forster. Vanessa faz a mulher de Anthony Hopkins, que herda a mansão do título.

CARTAS PARA JULIETA, 2010 Este é um filme muito especial. Amanda Seyfried vai para a Itália e trabalha num serviço que responde cartas de mulheres apaixonadas para Julieta. Sim, a personagem de Shakespeare. Ela encontra a carta que a jovem Vanessa escreveu muitos anos antes. E agora ajuda a idosa Vanessa a procurar seu amor. Percorrem a Itália, batendo de porta em porta, uma coisa absurda. Entra em cena Franco Nero, eterno Django, a galope. Não conte para os críticos, porque eles não vão aceitar, mas o filme de Gary Winiock é muito, muito bonito.

A atriz agora virou diretora. Apresentou seu documentário Sea Sorrow no Festival de Cannes na França.

Referências:

Estadão, Cultura.

Kelly Clarkson gets completely starstruck by Vanessa Redgrave in talk show interview | Skavlan


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