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Cinema e Literatura

Alfredo Passos

Alfredo Passos, professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo. Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

4 Livros para pensar o Brasil

O Brasil tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da América Latina, mas ocupa uma posição de destaque entre as nações mais felizes no mundo, em estudo mundial sobre a felicidade


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Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia Estatístico ( IBGE), o Brasil tem atualmente 208,5 milhões de habitantes. Ainda segundo o IBGE, a partir de 2039, o Brasil terá, em média, mais pessoas idosas (65 anos ou mais) do que crianças de até 14 anos. O Brasil tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da América Latina, mas ocupa uma posição de destaque entre as nações mais felizes no mundo, conforme estudo mundial sobre a felicidade, divulgado pelas Nações Unidas.

Os indicadores brasileiros

Pensar o Brasil não é fácil, considerando seus contrastes: 79ª é a posição do Brasil no ranking do índice de IDH da ONU entre 188 países. O país ocupa o 10º lugar entre as nações mais desiguais do mundo. O Brasil caiu 19 posições no que se refere à desigualdade de renda. Em contrapartida, o País ocupa a 22ª posição entre as nações mais felizes do planeta em um ranking de 155. O mais alegre é a Noruega, E o mais infeliz, a República Centro Africana.

Por isso, para entender o Brasil, cinco livros podem ajudar.

Brasil: Uma biografia, de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling

Aliando texto acessível e agradável, vasta documentação original e rica iconografia, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling propõem uma nova (e pouco convencional) história do Brasil. Nessa travessia de mais de quinhentos anos, se debruçam não somente sobre a “grande história” mas também sobre o cotidiano, a expressão artística e a cultura, as minorias, os ciclos econômicos e os conflitos sociais (muitas vezes subvertendo as datas e os eventos consagrados pela tradição). No fundo da cena, mantêm ainda diálogo constante com aqueles autores que, antes delas, se lançaram na difícil empreitada de tentar interpretar ou, pelo menos, entender o Brasil. A nova edição do livro, lançada neste 2018, inclui também um novo pós-escrito das autoras, que joga luz sobre a situação recente do país: a democracia posta em xeque, os desdobramentos das manifestações populares e o impeachment de Dilma Rousseff, entre outros acontecimentos marcantes dos últimos anos.

Crise e reinvenção da política no Brasil, de Fernando Henrique Cardoso, com Miguel Darcy de Oliveira e Sergio Fausto

Diante da crise política atual, FHC rastreia as raízes dos problemas atuais do Brasil para propor, com a costumeira agudeza e honestidade intelectual, uma nova agenda para o país. Baseado em sua longa experiência de intelectual e estadista e em pensadores como Marx e Castells, o ex-presidente mapeia o itinerário a ser seguido no campo de batalha entre as forças do velho e do novo, sem perder de vista os valores de liberdade, igualdade e dignidade.

Presidencialismo de coalizão, de Sérgio Abranches

Trinta anos depois da publicação do célebre artigo em que cunhou o conceito de "presidencialismo de coalizão", o sociólogo Sérgio Abranches realiza um agudo balanço da história republicana ao revisitar suas crises para entender os processos que encurtaram governos federais e abalaram a estabilidade institucional. Trata-se de uma radiografia das entranhas da política na ainda frágil democracia brasileira, que traz soluções renovadoras para a correção de suas falhas estruturais.

O elogio do vira-lata e outros ensaios, de Eduardo Giannetti

Esta é uma reunião de 25 textos do economista Eduardo Giannetti que abordam assuntos pertinentes à identidade, à cultura e à economia. Os ensaios, escritos ao longo de três décadas, dialogam com as inquietações do presente e provocam reflexões necessárias hoje. No ensaio que dá título ao livro, por exemplo, levanta a questão: é possível virar do avesso o “complexo de vira-latas” — a expressão cunhada por Nelson Rodrigues para a subalternidade dos brasileiros em relação ao que é estrangeiro — e reinventá-lo não apenas como componente identitário, mas também como virtude tropical?

Boa leitura.


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