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Cinema e Literatura

Alfredo Passos

Alfredo Passos, professor universitário, autor de livros, blogueiro, adora livros, cinema, música e andar a cavalo. Mais sobre autor em http://about.me/alfredopassos

Para ler e ver:o legado de Philip Roth

Roth, foi o único escritor americano a ter sua obra publicada em edição completa pela Library of America em vida, faleceu aos 85 anos.


roth obama 7b8d3f35691856b52067fe88a2e5f63369f818e2.jpg O escritor Philip Roth recebe a Medalha Nacional de Humanidades das mãos do então presidente Barack Obama, em 2 de março de 2011, em Washington - AFP/Arquivos

Philip Milton Roth, nascido em 1933 em Newark, no estado de Nova Jersey, EUA, estreou na literatura com “Adeus, Columbus”, livro de contos, em 1959. Entre suas obras mais aclamadas estão “O Complexo de Portnoy” (1969), “O Teatro de Sabbath” (1995) e a trilogia composta por “Pastoral Americana” (1997), “Casei com um Comunista” (1998) “A Marca Humana” (2000). Roth foi laureado com o Prêmio Pulitzer de ficção, em 1998, por “Pastoral Americana”, e em 2011 com o Prêmio Internacional Man Booker, entre outras honrarias. Antes de completar 80 anos, em 2012, em uma entrevista à revista francesa Les Inrockuptibles, anunciou o encerramento de sua carreira de escritor, sendo “Nêmesis”, de 2010, seu último romance.

Para os críticos mais severos e também para seus milhares de leitores e leitoras, Roth é um dos melhores autores do século quando o assunto é religião, sexo e literatura. Assíduo em premiações literárias, já ganhou o Pulitzer e o Man Booker Prize, além da Gold Medal in Fiction, a mais alta distinção da American Academy of Arts and Letters. Faleceu em Nova Iorque, em maio de 2018, aos 85 anos.

Em seus mais de 20 livros traduzidos para o português, marcou de forma definitiva a literatura, não só americana, como internacional. Em uma entrevista de 1981 à revista francesa Le Nouvel Observateur, Roth disse que escrevia “para ser libertado da minha própria perspectiva de vida sufocantemente tediosa e limitada e ser atraído com compaixão imaginativa por um ponto de vista narrativo plenamente desenvolvido que não fosse o meu”.

roth 20 janeiro 1964.jpg Philip Roth na Universidade de Princeton, no dia 20 de janeiro de 1964 Foto: Sam Falk/The New York Times

Roth definiu, na entrevista de 1984 à Paris Review, o ato de começar a escrever um livro como “desagradável”. “Me sinto completamente inseguro com relação ao personagem e seu dilema, e o personagem e seu dilema é o que tenho para começar. Pior do que não saber seu tema é não saber como tratá-lo, porque isso definitivamente é tudo.” “Frequentemente tenho que escrever uma centena de páginas ou mais até que haja um parágrafo que esteja vivo. Ok, eu digo para mim mesmo, este é o seu início, comece daí.” Depois do início terrível, segundo o autor, “vêm os meses de despreocupada brincadeira, e depois dela as crises, virar-se contra o material e odiar o livro”.

Obras – Ficção: Goodbye, Columbus (and Five Short Stories), 1959; When She Was Good, 1967; Portnoy's Complaint, 1969; Our Gang, 1971. (Com Tricky e seus amigos); The Breast, 1972; The Great American Novel, 1973; My Life as a Man, 1974; The Professor of Desire, 1977; The Ghost Writer, 1979; A Philip Roth Reader, 1980; Zuckerman Unbound, 1981; The Anatomy Lesson, 1983; Zuckerman Bound: A Trilogy and Epilogue, 1985; The Counterlife, 1986; The Facts: A Novelist's Autobiography, 1988; Deception: A Novel, 1990; Patrimony: A True Story, 1991; Operation Shylock: A Confession, 1993. Prémio PEN/Faulkner de Ficção (1994); Sabbath's Theater, 1995; The Prague Orgy, 1996. (Primeiramente publicado em 1985.); American Pastoral, 1997; I Married a Communist, 1998; The Human Stain, 2000; The Dying Animal, 2001; The Plot Against America: A Novel, 2004; Everyman, 2006; Exit Ghost, 2007; Indignation, 2008; The Humbling, 2009; Nemesis, 2010.

Traduções em português Goodbye, Columbus (título no Brasil) ou Goodbye, Columbus (título em Portugal); The Plot Against America (título no Brasil) ou A Conspiração Contra a América (título em Portugal); O Complexo de Portnoy; Teatro de Sabbath; O avesso da vida; Professor de desejo; Diário de uma ilusão; Casei com um comunista; Pastoral Americana; A Marca Humana (título no Brasil) ou A Mancha Humana (título em Portugal); O Animal Agonizante (título no Brasil) ou O Animal Moribundo (título em Portugal); Homem Comum (título no Brasil) ou Todo-o-mundo (título em Portugal); Fantasma Sai de Cena; Indignação; Patrimônio; A Humilhação; A Pandilha - As falcatruas de Tricky e os seus amigos; O Escritor Fantasma; Quando Ela era Boa; Lição de Anatomia; Némesis; Engano.

Não-ficção: Reading Myself and Others, 1975. Shop Talk: A Writer and His Colleagues and Their Work, 2001.

A editora Companhia das Letras — que publica a obra de Philip Roth no Brasil desde os anos 1990 —planeja para julho de 2018 uma nova edição do romance Quando Ela Era Boa (When She Was Good). O livro foi publicado pela editora Expressão e Cultura em 1972, com o título As Melhores Intenções, e está esgotado desde então.

Prêmios 1960 National Book Award por Goodbye, Columbus; 1986 National Book Critics Circle Award por The Counterlife; 1991 National Book Critics Circle Award por Patrimony; 1994 Prémio PEN/Faulkner de Ficção por Operation Shylock; 1995 National Book Award por Sabbath's Theater; 1998 Prémio Pulitzer de Ficção por American Pastoral; 1998 Ambassador Book Award of the English-Speaking Union por I Married a Communist; 1998 National Medal of Arts; 2000 Prix du Meilleur livre étranger por American Pastoral; 2001 PEN/Faulkner Award por The Human Stain; 2001 Gold Medal In Fiction de The American Academy of Arts and Letters; 2001 WH Smith Literary Award por The Human Stain; 2002 National Book Foundation's Award for Distinguished Contribution to American Letters; 2002 Prix Médicis étranger (França) por The Human Stain; 2003 Honorary Doctor of Letters degree da Universidade de Harvard; 2005 Sidewise Award for Alternate History por The Plot Against America; 2006 PEN/Nabokov Award por realização em vida; 2007 PEN/Faulkner Award por Everyman; 2007 PEN/Saul Bellow Award for Achievement in American Fiction.

Adaptações cinematográficas: Goodbye, Columbus (1969); Portnoy's Complaint (1972); The Ghost Writer (Filme de TV, 1984); The Human Stain; (2003); Elegy, baseado no livro The Dying Animal (2008); The Humbling (2014); Indignation (2016); American Pastoral (2016).

Entre as adaptações de seus livros para o cinema, estão "A Marca Humana, Revelações(2003, com Nicole Kidman e Anthony Hopkins como professor Coleman Silk). Em 2008 "Fatal", da diretora catalã Isabel Coixet, baseado no livro O Animal Agonizante.

Por sua vez, Al Pacino fez o ator de teatro torturado na transposição do subestimado A Humilhação (O Último Ato, 2014).

Pastoral Americana — o livro de 1997 que ganhou Prêmio Pulitzer e é considerado, por especialistas, o melhor de toda a carreira de Roth.

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Pastoral é a história do cara bonitão, que herda a fábrica de luvas do pai, que se casa e vai morar em uma região rural de New Jersey (Seymour ‘Sueco’ Levov) e tem uma filha que se revolta contra a Guerra do Vietnã e comete um ato violento de protesto político.A Pastoral é o sonho americano, the american dream, the american way of life, the welfare state, the Thanksgiving, com seu “peru gigante que alimenta 250 milhões de almas atormentadas” (“É a pastoral americana por excelência, e dura vinte e quatro horas”, escreve Roth).

O sonho é viver dentro da Pastoral, ser consumido pela Pastoral, está tudo ali, ela nos alimenta, nos fornece o football, nos enriquece. Mas aí o Sueco é levado para longe dela. “E por que não deveria estar onde eu queria? Por que não deveria estar com quem eu queria? Não é esse o espírito desse país? Quero ficar onde quero ficar e não quero ficar onde não quero ficar. É isso o que significa ser americano… não é?” (diz o personagem, na tradução do Rubens Figueiredo para a Companhia das Letras).

Roth escreveu 30 livros. Seu legado é de muita importância para literatura e cinema, por isso, esse é o primeiro post. Em breve, mais sobre esse autor.

Referências:

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo, 23 Maio 2018 | 17h33
Nexo, O universo de Philip Roth
Wikipédia, a enciclopédia livre

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