alteridade

Um atributo do ser na multiplicidade das ideias.

Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena.

A difícil vida dos lobos solitários

Chegará um momento final ao qual entenderemos quem somos e quem fomos. Descobriremos por quem lá no fundo amamos e damos a vida em troca, pelo que nos arrependemos de fazer, ou pelo que nos glorificamos. Enfim, somos internamente todos lobos solitários espreitando o momento certo de urgir


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Solidão. Será que existe alguém que adore ser solitário? Será que alguma pessoa preferiria ouvir o barulho do silencio ao invés da companhia do melhor amigo? Será que alguém que namora há tanto tempo prefere a solteirice por opção? Sim meus amigos. Essas pessoas existem e garanto-lhes – estão menos confusas do que nós.

A decisão de ser sozinho é muito mais do que a falta de alguém para amar. É saber apreciar o silêncio e a dádiva que ele nos possibilita de nos submergir diante das nossas reflexões. Entretanto, o hábito de verbalizar sentimentos sem “reflexão” prévia – componente massivo nas redes sociais – formaliza um desejo subserviente à carência. Ou seja, criamos uma cultura cuja necessidade de exposição é tão intensa que precisamos cada vez mais de alguém que compartilhe ou que curta a raiva, a alegria, a tristeza e inclusive as decepções alheias.

Mas será que existe algum mal em compartilhar pedaços da vida – ou forjas deles – com desconhecidos? Até onde minha indiferença for, não. Entretanto, vos pergunto da mesma maneira: Há algum mal em gostar de se recolher durante dias para dividir seu tempo com um bom livro e café? Há algum mal em preferir viajar sozinho cujo objetivo não seja farra, nem compras, mas simplesmente dar voz ao que está dentro de si?

Essas pessoas são capazes de amar (sim, elas amam!) estabelecem endereços fixos, constroem carreiras sólidas, bens materiais. No entanto, diferentemente do simplista, sua alma abriga o desejo de conhecer diferentes sociedades, de formalizar vínculos de amizade – não mero apego – a lugares, filosofias e pessoas. Elas são para si sua própria família e entendem que nasceram como filhos do mundo, os quais por sua vez, atendem somente às suas necessidades – sem luxo, despeito ou egoísmo – e à beneficência do próximo.

Dessa forma, retomo a grande questão do titulo: porque considerar difícil a vida dessas pessoas? A resposta não é tão simples assim. É claro que a vida de todo mundo é difícil. É difícil se graduar, arranjar o primeiro emprego ou abrir o primeiro negócio, assumir sua identidade aos pais, enfim! Todos possuem monstros para enfrentar. Entretanto, a grande questão que explicito aqui é a seguinte: seria mais fácil, certamente, encarar os seus problemas quando o autoconhecimento já está definido o suficiente para se ter concretude da autoafirmação, ao invés da percepção do que de fato você é se concentrar num estado latente de ignorância. Ou seja, é muito mais fácil se desesperar diante da vida quando não se tem a certeza e a plenitude da essência da própria “persona”.

Essas pessoas acabam por definir no seu silêncio a descoberta da sua voz. Descobrem no calor da clareira e no aconchego das palavras a chama da vida. E é disso e somente disso que eles querem para viver. É descobrir sua existência em cada pedaço da natureza, é sentir que o passar do relógio da vida agrega sempre mais experiência. É entender o seu lugar no mundo, a sua existência. E nada mais se faz necessário. Aprender a viver já basta.

De fato, encontrar-se no mundo é objetivo de muitos e felicidade de poucos. É preciso toda via, saber assumir os erros, ter a humildade de repará-los e de saber qual a próxima estação da vida iremos parar para iniciar um novo caminho.

Por fim, chegará um momento final ao qual entenderemos quem somos e quem fomos. Nossos piores defeitos e nossas reais qualidades. Descobriremos por quem lá no fundo amamos e damos a vida em troca, pelo que nos arrependemos de fazer, ou pelo que nos glorificamos. Enfim, somos internamente todos lobos solitários espreitando o momento certo de urgir. Somos todos seres humanos em evolução, erramos, falhamos e reconstruímos! Amamos e somos decepcionados assim como decepcionamos. Mas ao final da nossa existência saberemos que a vida valeu a pena. Que viver é esplendorosamente gratificante e parar de nos enxergar sob os os olhares de outrem é o real caminho para compreender os erros alheios e aprender a amá-los do jeito que se nos apresentam.


Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena. .
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