alteridade

Um atributo do ser na multiplicidade das ideias.

Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena.

Prefiro a solidez de um não do que a dúvida infinita de um silêncio.

Para aqueles que sofrem ou já sofreram esperando uma resposta definitiva e como última opção que lhes restara, aceitaram de modo ditatorial, o silêncio que permeava um talvez na alma, mas que significava um não em sua concretude. Respeito seus sentimentos amigos, pois do mesmo cálice da indiferença alheia bebi a incógnita que me serviu para escrever esse texto.


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Se há algo tão concreto nessa vida quanto as poucas certezas de que carrego hoje, elas estão naquele que me fez duvidar de mim mesma. Antes de partir para uma reflexão tão fluida quanto a insensatez que me foi dada, tenho algumas observações para avisar: Escrevo esse texto cujo intuito é de que algum dia aquele que me fez mal possa escutar o que tenho a dizer. Pois, se há algo mais covarde nessa vida do que desaparecer sem explicar a ferida, eu honestamente desconheço.

A princípio, no início da nossa história, eu não gostava tanto de você. Mas dei uma chance. Resolvi fazer isso porque sabia do potencial que tinha, depois que eu explorasse um pouco mais da sua individualidade, de me apresentar um novo universo e de me preencher tão bem como viajar (nota de esclarecimento: sou do tipo wanderlust, que não perde uma oportunidade) Depois de um tempo de convivência, percebemos que gostávamos um do outro, contudo vivíamos fases de vida muito diferentes. Você tinha seus objetivos próprios assim como eu também. E isso, foi o ponto necessário para o nosso entendimento de que, como já diziam Los Hermanos, todo Carnaval tem seu fim.

Diante dessa realidade, acabamos ainda nos gostando. Porém, dizem que adultos sabem o que fazem. Hoje eu não apostaria nisso. De modo que, cada um foi para o seu lado, viver suas fantasias e o mundo, num mágico retrocesso de memória, como se houvesse esquecido do outrora, manda você de volta.

Eis aqui uma verdade: a minha intenção era tão somente ficar sua amiga, saber como anda a vida, a banda, os amigos a quem eu ainda resguardo consideração. Contudo, do mesmo jeito que era complicado era também intenso, e talvez isso tivesse feito de ti um Christian Grey pra mim – o que convenhamos, acredito ser bem piegas hoje.

Passado algum tempo, no mesmo dia que saímos para tomar um café – que pena que não tive a oportunidade de agradecer o lugar incrível! – ao som de Seven do Rainbow Kitten, você se declara novamente, diz que nunca esqueceu, que se lembra de cada momento, cheiro, toque e sabor. Me beija de novo e parece que a mágica acontece: o coração acelera, o embrulho no estômago vem junto com a esperança de dias mais leves e coloridos.

Tudo bem, eu entendo que é legal por vezes um amor de Carnaval – se é que existiu tempo para isso – mas, deveria ter perguntado antes se eu queria amor só para o carnaval, se eu estava disposta a isso. Chegou sem pedir licença da mesma forma que sai sem fechar a porta.

Depois disso, parece que tudo foi um caos: veio a menstruação e com ela chega o fim dos tempos – vem a cólica, a enxaqueca, o vômito e todas aquelas catástrofes naturais que a gente bem conhece. Acredito que você deve ter se esquecido bem de mim, pois se não se lembra, quando chegam esses dias eu fico muito reservada. Reservada é eufemismo, eu fico chata. Chata pra baralho. Diante disso, eu decidi ficar quieta, na minha, sem falar com ninguém e garanti que você soubesse da minha situação. Deixei você curtir seu carnaval como bem quisesse, sem telefonar de madrugada para saber onde estava, com quem estava e de que horas voltava porque até então, eu entendia sua liberdade.

Você não entendeu a minha. Deve ter achado que eu fui cair na gandaia, beber toda manguaça e dançar na boca da garrafa. Fui não. Fiquei em casa, prostrada na cama esperançosa de que o Dorflex fizesse efeito – que aliás não fez. Depois disso, de passarmos um dia sem contato, você inesperadamente some, sem me dizer motivos, me bloqueia em todos os cantos e aplicativos possíveis e nem o sinal de fumaça que entreguei a seus amigos você respondeu. En-tão, eu, como boa romancista existencial que sou, morri de chorar dias seguidos não por você ter sumido, mas por não ter explicado o motivo do desapego.

Desenvolvi, como consequência do meu aterro emocional e psicológico, um torcicolo atemporal – diga-se de passagem me segue até agora – assumi uma metafísica mais moderna, daquelas que o negócio era pegar e largar (agradeço por essa concepção ter durado somente alguns minutos) e pude escrever esse texto que o carrego com ironias, sarcasmos e dúvidas que perdurarão em mim até o dia que o cosmos-sabe-quando.

Por fim, pra não ficar muito longo e eu sei o quanto você detesta ler, eu queria te dizer só mais uma coisa: foi difícil mas eu estou bem. Estou feliz somente pelo fato de poder sentir e existir. Porque se na vida a gente nunca se decepcionar, sofrer e se recuperar, a gente jamais teria a honra de dizer que viveu. Portanto, eu te perdoo, sei que em algum lugar você vai sentir isso. Só que da próxima vez que o destino quiser dar um loop no espaço-tempo e trazer você de volta, saiba: eu não estarei mais aqui. Eu não te esperarei. Possa ser que até conversemos e tomemos um bom café, mas amor, amor mesmo daqueles de verdade, só o meu por mim.

Termino esse texto tirando um peso dos ombros e do coração sabendo que o eu tinha para dizer foi dito. Logo, me despeço no mesmo tom, intensidade e palavras que naquele dia, as 01:28 da madruga, você outorgou a mim:

“Até um dia :***”

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Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena. .
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