alteridade

Um atributo do ser na multiplicidade das ideias.

Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena.

Porque o mundo precisa de amor.

A vida precisa ser mais leve. Mais calma. A gente precisa ser mais acessível e gratuito aos outros. Parar de gastar nosso tempo pensando só na gente e nos bens materiais que podemos construir com o emprego desse esforço. Esse texto é acima de todos os gêneros, um desabafo pessoal acerca da supervalorização da produtividade moderna e como ela impacta a construção das nossas relações pessoais. Afinal, devemos parar um tempo para pensar acerca dele próprio: a metalinguagem é essencial para vivermos em plenitude.


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Quantos são os dias em que acordamos, ainda preguiçosos, e reclamamos do trabalho, do levantar cedo, do filho que requer cuidados, do café que precisa ser feito. Quantos são os dias que deixamos a atenção à nossa família, a nós e amigos para passar mais algumas horas extras no trabalho. Para ficarmos pendurados no computador resolvendo problemas do ofício? Quantos são os dias que temos a oportunidade de dizer palavras de ensejo e de amor à alguém, mas por ego, por não ser o momento certo ou até não retribuído, deixamos essas palavras serem expressas apenas no som da consciência? A vida precisa ser mais leve. Mais calma. A gente precisa ser mais acessível e gratuito aos outros. Parar de gastar nosso tempo pensando só na gente e nos bens materiais que podemos construir com o emprego desse esforço. Esse texto é acima de todos os gêneros, um desabafo pessoal acerca da supervalorização da produtividade moderna e como ela impacta a construção das nossas relações pessoais. Afinal, devemos parar um tempo para pensar acerca dele próprio: a metalinguagem é essencial para vivermos em plenitude.

Acordar. Escovar. Banho. Café. Mochila. Carro. Trabalho. Mais trabalho. Café. Mais trabalho. Mais trabalho. Filho na escola. Janta. Mais trabalho. trabalho. Dorm... Trabalho.

Nessa pequena frase resumi o que acredito ser a maior parte da vida das pessoas. Por alguns anos me incluí nessa rotina tão desgastante para o meu corpo. Porque será que hoje temos tanta dificuldade em parar? Em concentrar? Isso se deve, a meu ver, à quantidade de informações que são veiculadas ao mesmo tempo. Temos que aprender a dirigir, conversar, falar ao telefone, mudar a temperatura do ar e etc... São tantas coisas ao mesmo tempo que acabamos nos fixando em nenhuma delas. Nesse sentido, embora a tecnologia tenha avançado, acredito que não somos capazes de intelectualmente usá-la para construir o essencial das nossas vidas. Isso porque o Essencial está dentro e esse conhecimento ninguém pode nos explicitar. É com muito cuidado que temos que descobri-lo e acima de tudo ter em mente que ele faz parte de nós. Por isso, é necessário que seja abraçado e aceito. Como a sombra que nos acompanha a todo instante. Você deve estar se perguntando se sou contra a produtividade? Não. Acredito que ela é parte do sucesso pessoal. Produtividade significa esforço válido. Significa trabalho e energia recompensada. Qualquer coisa que desejemos construir, a produtividade é uma das qualidades que precisamos ter para que dê certo. Contudo, existe uma doença viral que se espalha freneticamente pelos arredores de cursinhos, universidades, concursos e empresas: A produtividade vista como ferramenta pra disputa de egos por um espaço na sociedade. Parece que nós, seres humanos, não entendemos que a nossa natureza evoluiu para a cooperatividade e não individualidade. Ainda que sejamos singulares em um universo multifatorial de pessoas, é preciso o entendimento que as diferenças juntas constroem sucessos. Diante disso, é preciso que encontremos algo chamado de propósito: porque é especificamente ele que irá nos juntar a outras pessoas parecidas conosco. É ele quem nos move na direção da construtividade e plenitude pessoal. É ele quem nos dá sentido à vida. Você deve estar se perguntando, mas o que isso tem a ver com o título?

A construção de um propósito depende de amor. Esse amor é multidirecional. Ele é o auto-amor. Ele pode vir como compaixão. Ele pode vir como inspiração, movimento. Ele pode vir como uma palavra, como uma pessoa. E disso, se tornar um objetivo. Uma determinação. Um processo de conhecimento interno que volve à superfície consciente do ser para, aí sim, ser direcionado ao mundo externo. Como terapeuta, vejo que a maior parte dos pacientes não tem queixas de dor física: a dor é psicológica e na grande maioria do tempo, vem à toa. Sem sentido. Contudo, é a falta desse sentido, é a falta de rumo que permite vir à tona esses sentimentos frutos de ócio improdutivo, o qual permite a captação de pensamentos sutis, muitas vezes de autodestruição. Logo, quando não há o entendimento sobre si e a obra que se deseja alcançar, a falta de propósito mina o raciocínio de oportunidades. Psicologicamente, acredito que essa situação é a raiz que, quando fertilizada, permite o desenvolver de depressões ainda mais graves.

Por fim, o mundo precisa definitivamente de mais amor. Porque ele é o princípio, o meio e o fim de toda obra que se deseje construir, porque esse sentimento não olha o sucesso do outro e quer para si. Ele ilumina, parabeniza e segue em frente pois sabe a natureza que possui e o potencial do que pode ser. Esse é o objetivo do amor humano: se tornar multidirecional. Esse é o princípio inteligente da nossa espécie, enquanto carne e espírito. A nossa essência é valorada pela compaixão: nenhum outro animal na natureza se sacrifica por um qualquer que não seja da mesma família ou espécie. Nós temos esse potencial. O poder da metacognição, de nos por em lugar dos outros, de agir pensando em razões maiores que nós.

Para mim, esse é princípio do Divino que admiramos no desconhecido. A razão máxima do porque fazemos o que fazemos é que encontramos na justificativa o amor. Deus e suas soberanas virtudes. Início, meio e fim da nossa existência. Termino esse texto pensando no amanhã: não nas provas, não nas obrigações cotidianas. Mas, pensando no porque fazê-las. Pensando se irão me levar ao lugar que eu quero, e não a algum lugar. Pensando se vale a pena chegar no que a maioria chama de topo do sucesso e não ter ninguém pra dividir. Pensando se aquilo que eu faço hoje está imbuído no que eu sinto que seja ideal e que possa retornar um bem maior do que o meu conforto pessoal. Que possa distribuir confortos a quem não tem. Que possa iluminar a mente daqueles que não sabem as imensas possibilidades que existem em cada um de nós.


Samantha de Freitas

se o caminho mais fácil nem sempre é o melhor, eu quero aquele que valha a pena. .
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