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A vida é mesmo uma coisa efêmera

Ana Karoline

Estudante de psicologia , aos 21 anos tive a minha primeira publicação em jornal. Apaixonada pelo comportamento humano e fascinada por neurociência. Sonhadora, desbravadora e as vezes exagerada. Ridiculamente bem humorada, e amante da vida e de pessoas resilientes.

ENTENDA NEM TUDO É BIPOLARIDADE

Estamos diante de uma sociedade que tem explicação pra tudo e comprovação pra nada, pois suas teses estão pautadas somente em conhecimentos minimamente empíricos. Rotular alguém com um diagnóstico a priori bem complexo é jogar fora o saber cientifico e, por conseguinte não dá importância aos anos de graduação de um especialista. Nem tudo é bipolaridade e nem todo mundo é bipolar entendam, por favor. Então para não sair por ai pré-julgando alguém só entenda isto, primeiro com certeza você não tem conhecimento o suficiente para desempenhar tal função e segundo, existe a real diferença entre bipolaridade e interpretar papéis.


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O senso comum comumente costuma taxar pessoas que mudam suas formas de se comportarem de acordo com ambiente, como alguém bipolar. Por favor, entendam nem tudo é bipolaridade. O ser humano é muito complexo e plástico, e vive em contastes mudanças. Se de repente aquela sua amiga que ontem esbanjava sorrisos aos quatros ventos hoje mal falou com você, isso não é pretexto ou quesito para um diagnóstico precoce de bipolaridade. Por favor, não assuma papel de profissional apenas com seus conhecimentos empíricos, não assassine o saber cientifico. Querer Patologizar comportamentos que não são suficientes para um diagnóstico é uma atitude insana e muito incoerente.

Comportar-se de acordo com ambiente é algo de precioso valor e sabedoria, e poucas pessoas possuem esse dom, saber descriminar ambientes e agir de acordo com ele é o lance da jogada. Vivemos e uma sociedade que concomitante cumprimos vários papeis. Mães, estudantes, irmãs, amigas entre outros, em cada local que nos encontramos passamos adotar comportamentos diferenciados, saber transitar entre os papéis é a fórmula para se dá bem nas relações e viver bem na sociedade. Jacob Levy Moreno explicita muito bem sobre isso na sua teoria dos Papeis. Segundo ele o homem é um ser em relação, dessa relação resultam situações onde ele reage assumindo papéis.

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Existe por ai uma ideologia muito interessante. "Seja sempre você mesma". Mas afinal até que ponto ser sempre você mesmo pode afetar suas relações sociais? Nem sempre ser você mesmo vai lhe ajudar ter o melhor emprego e conquistar aquela amizade que lhe fará bem, nem sempre ser você mesma te fará ser a melhor da turma. Não adianta tentar fugir, a espécie humana está em constantes adaptações e essas adaptações requer muitas vezes que adotemos padrões de comportamentos diferenciados. Se você diz por ai que tem a sua própria personalidade e que é sempre a mesma pessoa a todo o momento, queira me desculpar à desajustada é você. E como ainda diz Moreno "você estará fadado a ser uma conserva social"

Sou a favor mesmo! Interprete papeis. Já imaginou se as pessoas não soubesse discriminar ambientes, o que seria do mundo, teríamos ou pessoas demasiadamente chatas a todo tempo, ou pessoas que não levariam nada a sério. Se não houvesse essa capacidade de representação de papeis intrínseca ao individuo, as relações sociais estavam altamente comprometidas, não haveria essa complacência haveria mesmo era uma sociedade homogenia com comportamentos padronizados.

É importante entender que eu não estou fazendo nenhum tipo de apologia à falsidade, pois há quem entenda isso como falsidade, no entanto quem se interessar mais sobre o estudo do comportamento humano, verá que será fácil fazer um paralelo entre falsidade e representações de papeis. Pois quando falamos em falsidade estamos comumente nos referindo a um desvio de caráter, enquanto representar papéis se refere a uma capacidade inata que possuímos de nos comportar-se de acordo com determinadas ocasiões de forma espontânea, algo que não seja forçado.


Ana Karoline

Estudante de psicologia , aos 21 anos tive a minha primeira publicação em jornal. Apaixonada pelo comportamento humano e fascinada por neurociência. Sonhadora, desbravadora e as vezes exagerada. Ridiculamente bem humorada, e amante da vida e de pessoas resilientes. .
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