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A vida é mesmo uma coisa efêmera

Ana Karoline

Estudante de psicologia , aos 21 anos tive a minha primeira publicação em jornal. Apaixonada pelo comportamento humano e fascinada por neurociência. Sonhadora, desbravadora e as vezes exagerada. Ridiculamente bem humorada, e amante da vida e de pessoas resilientes.

O hospício de Barbacena

São cenas que chocam seres humanos reduzidos a lixo, a ideia é de que, eles não são absolutamente nada. Existe respaldo para o ser humano ser tão desqualificado?


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Se remontarmos um contexto histórico perceberemos o triste percurso da loucura, como ela foi tratada nos diversos contextos histórico. No século XVII, por exemplo, em Londres houve o que podemos chamar de grande internamento, não havia uma causa definida, gente de todas as espécies eram internadas. No iluminismo, a loucura já foi levada para o âmbito da razão, posteriormente mais precisamente no século XIX, o louco é visto como uma ameaça à sociedade era necessário segrega-lo para que a sociedade não pudesse ser incomodada.

A loucura em linhas gerais pode ser considerada como, sentimento ou sensação que foge ao controle da razão. Partindo desse pressuposto todos aqueles que possuíam naquela época, comportamentos atípicos e que fugiam da norma padrão, era fadados a viverem encarcerados em um local com estrutura de hospício, mas com tratamento de animal. Assim as pessoas que ali habitavam, eram docilizadas, esmagadas por um sociedade que não compartilhava o mesmo espaço com um sujeito desregrado e sem razão. O hospício de Barbacena é a imagem nítida do quanto a sociedade segrega, oprime e desqualifica.

São cenas que chocam seres humanos reduzidos a lixo, a ideia é de que, eles não são absolutamente nada. Existe respaldo para o ser humano ser tão desqualificado? O cenário é caótico, pessoas dormindo em locais fétidos, sem a menor condição moral de vida, sem direito a dignidade a igualdade. Um local por trás de altos muros, para aprisionar a loucura, ali habitam os incapazes, lá fora os dotados de razão. Assim a sociedade foi aprisionando a loucura, com a intenção de controle, e não de cura. Um local sem espaço para o “EU” sem perspectiva de crescimento, a subjetividade é construída com base no sofrimento, pessoas que não são capazes de opinar. É assim que o louco era visto, como o desviante, e por isso merecia ser trancafiado, para não incomodar os ditos normais.

E foi assim que a sociedade aprendeu; “Lugar de louco é no hospício”, aquele local que controla a base de choque, e de calmantes que aliviam o momento. Essa é a denominação que trazemos pra manicômio, e sempre que ouvimos a palavra hospício remete em nós a ideia de um lugar onde as pessoas são tratadas como seres que não merecem cuidados humanitários. Logo depois de ter visualizado esse trágico cenário do hospício de Barbacena, pode-se perceber, as pequenas mudanças que as reformas antimanicômiais trouxeram pra nossa sociedade. Vemos a importância da introdução dos cuidados humanitários, as ideias de Philippe Pinel, a introdução dos cuidados psicológicos, todas essas práticas funcionam como subsídios para que essas pessoas tornem-se parte integrante da sociedade, e não uma parte que pra nada serve, porque essa era a visão do manicômio de Barbacena.

A loucura, aprisiona, mata, segrega e transforma. Nunca houve um espaço definido, pra essas pessoas, onde eles poderiam viver e sobreviver como gente de verdade. Se analisarmos um contexto histórico, o louco já foi queimando na fogueira, já foi caçado e exterminado. Precisamos olhar como bons olhos, ter sentimentos de empatia, acolher, e ajudar aqueles que não compartilham com a mesma forma de vida que a gente. Por mais estudos acerca da loucura, por mais gente interessada em ajudar. E que as cenas do hospício de Barbacena não volte a se repetir, que sirva somente como o exemplo de como um dia a nossa sociedade oprimiu tão veemente, essas pessoas, e que apesar dos avanços, ainda precisamos andar a passos largos, para que as coisas realmente mude de perspectiva.


Ana Karoline

Estudante de psicologia , aos 21 anos tive a minha primeira publicação em jornal. Apaixonada pelo comportamento humano e fascinada por neurociência. Sonhadora, desbravadora e as vezes exagerada. Ridiculamente bem humorada, e amante da vida e de pessoas resilientes. .
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