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Crônicas, cartas e bilhetes no papel de pão

Ana Gabriela Rebelo

Crônicas, cartas e bilhetes no papel de pão...
Ana Gabriela Rebelo
[email protected] e @Ana.Cravo.Ana.Canela ;))

Rio de Janeiro, outubro de 2017_Por enquanto seguindo: Pequena nota sobre bundas, borras e cafés

Pequenas notas sobre o Rio de Janeiro_ Outubro de 2017


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Agora há esses que veem o destino nas bundas. Não conheço a tradição, mas imagino como pode ser o cotidiano de um vidente dotado de tal habilidade.

Café, bunda. Almoço, bunda, bunda, bunda. 18 horas: os clientes desmarcaram por falta de dinheiro. Bunda!

Nas últimas eleições do Rio de Janeiro, em 2016, saímos às ruas tentando dizer alguma coisa sobre os anos vindouros. A cidade está aí: um café pequeno na rua dos jangadeiros é dez reais, um real é quatro euros e o cruzado há muito passou furado levando com ele sua alegre piada fonética de carnaval. Os amigos ensaiam novas marchinhas, mas a verdade é que ninguém sabe até que ponto passarão as piadas.

Andamos com cara de cu. Andamos com o cu na mão. As bundas já não fervem tanto nas academias de ginástica como durante a febre das lambaeróbicas. Em pequenas notas pela internet circula a síndrome da bunda morta, e a febre que está em voga é amarela.

No MAR, o prefeito interfere vetando exposição já vetada em Porto Alegre. Artistas presos por porte de corpo nu. ENEM por porte de Simone de Beauvoir. Rafael por porte de desinfetante.

Ainda não fui à minha vidente, mas acho que essa bunda morta anda portando um destino de merda por aqui. Verei o que dizem as borras, assim que o preço do café baixar.

Por enquanto seguindo,

Bunda viva presente!


Ana Gabriela Rebelo

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