anárquica chancelaria

pelo prazer da dúvida, do desjuizo.

Bruno Albuquerque

escreve quase sempre à sombra. Poeta e autor de músicas, é piloto marítimo nas horas de descanso. Gosta de tudo o que cheira a liberalidades. Astrólogo e treinamento.

SERÁ ASSIM TÃO DIFÍCIL?

Texto rápido, contaminado pela genialidade de PAUL WATZLAWICK, doutor em Comunicação, arauto do Construtivismo, autor de vários livros-convites a novas perspectivas e percepções.


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Tem dias em que me sinto com uma criança desamparada, ao saber que fez algo muito errado e, ao procurar abrigo junto aos pais, terá que escutar um sermão à altura da maldade praticada. E meu comportamento, a perspectiva que assumo, então, virão com o carimbo desse estado de ânimo. É fato.

Tem dias em que me sinto o representante direto de toda força que há no mundo. Vejo tudo de forma tão clara, e vibra meu corpo de maneira tal, que é pequeno todo obstáculo, insuficientes quaisquer problemas, nada impede meu caminho, é o que sinto. Meu comportamento, a perspectiva que assumo, então, minhas perguntas e respostas virão com o carimbo desse estado de ânimo. É fato.

Os que costumam se dizer realistas afirmam que o mundo segue tal e qual, quaisquer que sejam as situações, como se nós estivéssemos fora dele. Parecem não perceber que a palavra boa para expressar tal relação é INTEGRAÇÃO, não interação. SOMOS o mundo, e sendo nossos pensamentos e desejos tão vivos quanto uma perna ou braço, influenciam diretamente os desdobramentos possíveis.

Se estamos tão mal acostumados a tal perspectiva, é que nos ensinaram, desde muito cedo, a ver tudo em separado. Somos apresentados a várias caixinhas, com rótulos uns mais robustos que outros: Ciência, Verdade, Razão... quando todas deveriam trazer – pelos históricos e processos que as precedem – a inscrição MEDIANIDADE, porque é isso que estamos logrando com a quimera de supostos dados objetivos que construímos.

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Ou quem garante que o que fazemos de errado merece ser banido? E esse papo de manter viva nossa criança interior, resguardar a criatividade, a curiosidade... será tudo da boca pra fora? Alguém viu criança que não erra? Alguém viu adulto que não erre? Alguém viu alguém que não erre? De onde, senão do erro, do desajuste, poderá nascer algo novo? Por que essa obsessão pelo acerto, pela perfeição? Pra não falar da evidente e farta hipocrisia dos que alardeiam a correção moral. Faz favor...

Mais: quem disse que a força que nos move trará bons resultados? Quanto da força que sentimos não expressa adequação? Quanto ainda não nos falta descobrir – ou assumir – nosso embate de forças, plurais, gigantes, abismais, para que toquemos algum tipo de equilíbrio?

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Tem dias em que me sinto inquieto, noutros me sinto deprimido. Vezes pensativo, curioso, ou triste, ou leve, ou rabugento. E o mundo pensa, fuça, explora, entristece, abranda, enrabugece comigo, em mim. Em que medida, ou até onde? Sabe-se lá! Importa? Melhor será arranjarmos um jeito de harmonizar esses altos e baixos, velocidades, ferocidades, mansidão, dinamismo, diferença, indiferença, abrir espaço suficiente para toda a ebulição à nossa volta.

Será assim tão difícil?


Bruno Albuquerque

escreve quase sempre à sombra. Poeta e autor de músicas, é piloto marítimo nas horas de descanso. Gosta de tudo o que cheira a liberalidades. Astrólogo e treinamento..
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