André Camargo

Dois filhos, um livro e nenhuma árvore

duro é não saber o que faz seu coração vibrar

Um episódio saboroso da trajetória de Joseph Campbell e um convite para refletir sobre o que faz a vida valer a pena


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"Duro é não saber o que faz seu coração vibrar."

Foi essa a reação da minha irmã. Era o primeiro comentário ao texto que escrevi sobre desperdiçar a própria vida

A mensagem que eu procurava comunicar era algo assim:

A maior parte das pessoas acaba absorvida pelas correrias do dia-a-dia e deixa sempre para depois a realização de seus sonhos e de suas paixões. Não faça isso. Ninguém sabe quanto tempo ainda tem, então pare de adiar — comece a buscar agora o que faz seu coração vibrar.

A Amanda Wik comentou que tem vivido seus dias como preciosidades. E que, ao final de cada um deles, pergunta a si mesma: Se este fosse o último, estaria feliz com o Legado que estou deixando?

A Elisete Lindh tem o costume de recordar-se todo dia, ao despertar, que aquele pode ser seu último dia na Terra. Dessa perspectiva, os problemas dela tornam-se insignificantes e ela se concentra no que importa.

Em um mundo de distrações, com tão pouco tempo para reflexão, considero essas práticas poderosas. Se nos mantemos firmes, elas dão sentido às nossas escolhas.

São também formas de se lembrar e de se nutrir da bênção que é o simples fato de estar vivo/a.

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Minha inspiração para aquele texto foi a filosofia de vida do escritor americano Joseph Campbell, que pode ser resumida em uma frase: “Follow Your Bliss”.

A tradução é problemática. Eu traduzo assim: Siga o que faz seu coração vibrar.

O que lhe arrebata.

Nas palavras dele:

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Quando segue o que faz seu coração vibrar, você se coloca em uma trilha que sempre esteve ali, esperando por você, e a vida que deveria estar vivendo é a que você está vivendo. Onde quer que esteja — se estiver seguindo o que faz seu coração vibrar, estará desfrutando desse frescor, dessa vida em seu interior, o tempo todo.

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Insatisfeito com as exigências para realizar um doutorado, em um dia de 1929, Campbell fez algo que, tenho certeza, muita gente sonha fazer.

Eu, pelo menos.

Abandonou a vida acadêmica, pegou todos os livros cuja leitura estava adiando, por falta de tempo, e se enfiou em um casebre alugado no meio do mato. Ali passou os cinco anos seguintes, dedicando um total de nove horas diárias a ler tudo o que verdadeiramente lhe interessava.

(pausa para um suspiro)

Mais tarde, ele declarou que foram os anos mais importantes de sua formação. Fora isso, serviram também para contemplar o que afinal pretendia fazer com o resto de sua vida.

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Mas minha irmã tem razão: é duro não saber o que faz o coração vibrar. E muita gente reclama disso.

Não à toa: todo o nosso período de formação escolar é um treinamento para silenciarmos nossa Voz e nos submetermos a autoridades externas. Acabamos nos desconectando do que pulsa dentro de nós e que nos faz sentir vivos, inteiros e autênticos.

Você tem dedicado a maior parte do seu tempo e de sua energia a algo que lhe faz sentir-se vivo/a ou vive com a sensação de estar apenas seguindo em frente?

O que você espera da vida?

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Leia também meu novo texto: COMO NÃO VIRAR UM ZUMBI


André Camargo

Dois filhos, um livro e nenhuma árvore.
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