André Camargo

Dois filhos, um livro e nenhuma árvore

DINHEIRO E ABUNDÂNCIA: 10 ATITUDES QUE VOCÊ PRECISA APRENDER A EVITAR

Todos sonhamos com uma vida de abundância. De dinheiro, de amor e de tudo o que enche o coração de alegria. No entanto, poucos se dão conta de que nós mesmos cultivamos atitudes que nos desconectam do fluxo da abundância e nos condenam à escassez. Esta é uma lista de atitudes que precisamos abandonar a fim de deixar que a abundância se manifeste em nosso tempo de vida.


344212-money-wallpaper-hd-compressor.jpg

Quando eu era criança, minha mãe vivia insistindo para comermos fora.

Meu pai achava um despropósito, um desperdício de dinheiro. Mas acabava cedendo. A gente ia, e ele ficava tão irritado que quase sempre o tempo fechava. 

Senão antes, pelo menos com a chegada da conta. 

A volta para casa era um festival de gritos. Ou o oposto: um silêncio denso como lodo. 

Minha mãe sempre foi uma sonhadora, que gasta dinheiro como forma de lidar com a ansiedade. Gosta de morar bem, de viagens, de comer fora e de comprar presentes.

Meu pai, ao contrário, sempre foi um workaholic. Nasceu no interior e mudou-se para a capital, para “vencer na vida”. 

Hoje eles têm bem mais grana do que tínhamos, o suficiente para viverem seus desejos de conforto e prazer. Não importa quanto tenham, porém, eles continuam, cada um a seu modo, submetidos ao medo da escassez — a ideia de que vai faltar. 

____________________________________________________________________________________

E você, já parou para pensar em como aprendeu a se relacionar com o dinheiro?

Ser capaz de se relacionar de maneira saudável com o dinheiro depende, antes de mais nada, de conhecer suas armadilhas internas. É o primeiro passo para deixar de repetir os mesmos padrões automáticos, que encerram você em bolhas de escassez.

Seguem 10 atitudes que você precisa (re)conhecer e superar, a fim de construir uma vida de Abundância.

____________________________________________________________________________________

queimando-dinheiro-compressor.jpg

1. Gastar Demais

Bom, este primeiro é bastante óbvio. É o perfil da minha mãe.

O gastador ou a gastadora sofrem de incontinência. Não conseguem se controlar.

É comum sentirem o impulso de gastar não como um desejo, mas como uma necessidade asfixiante. A antecipação e o momento da compra geram intensa euforia.

Uma vez obtido o produto, porém, o interesse se esvai. Afinal, o prazer está no ato do consumo, e não em seu produto. O que você está adquirindo é secundário; comprar é que dá barato.

O que você compra por compulsão, porém, tende a ficar esquecido em um armário ou gaveta. Alguns produtos podem seguir meses a fio com suas etiquetas originais, sem nem deixarem a sacola da loja.

A gastança exagerada provoca brigas e conflitos sérios com parceiros e familiares. Também é comum que a compra por impulso dê lugar a sentimentos de vazio e desamparo, ou de um arrependimento amargo.

Que, paradoxalmente, os gastadores procuram aliviar… comprando!

2. Poupar Demais

Você é mão de vaca?

Não usar seu dinheiro quando necessário é economia burra. Dinheiro bem gasto é sinal de sabedoria.

Os poupadores sofrem da doença da acumulação: por mais que consigam juntar, nunca parece o suficiente. Assim como os gastadores, o poupador ou a poupadora obtém prazer do ato de poupar.

Ao mesmo tempo, a fascinação pelo dinheiro ou, em outro caso, o medo de que, “se gastar, vai faltar”, não cedem.

Lembro do caso de um primo distante: começou com uma oficina de fogões no Brás e enriqueceu imensamente. Ainda assim, vivia com roupas velhas, de chinelo de dedo o dia inteiro, e causava perplexidade ao manter a si mesmo e a seus dependentes em situação de penúria. Era um caso patológico.

A atitude de manter-se em condições miseráveis mesmo quando se tem dinheiro, obviamente, não tem nada a ver com humildade; tem a ver com uma dificuldade irracional de dar, de soltar, de abrir mão.

A pessoa sente que precisa guardar tudo para si. E, ao final, vive sem nada.

Com frequência, acumuladores se tornam arrogantes e paranoicos, sentindo-se rodeados/as de interesseiros.

Nas palavras de Plutarco, “a avareza é um tirano cruel”. Acrescento que se trata de uma condição de desespero — como morrer de fome sentado sobre um prato de comida.

Pessoas com muito dinheiro acumulado não são ricas, não vivem em abundância. Continuam escravas do medo da escassez.

3. Viver Competindo com os Outros

Você sofre da doença da comparação?

A relação com o dinheiro de quem é competitivo/a normalmente é motivada pela inveja de quem tem mais - que às vezes se combina com o desprezo por quem tem menos.

Os competitivos de tendência poupadora buscam reunir um patrimônio - conta bancária, investimentos, imóveis - mais vasto que as pessoas de seu círculo social.

Os competitivos de tendência gastadora, ao contrário, curtem ostentação. Podem se tornar esnobes ou usar a generosidade como forma de ostentação.

Em ambos os casos, o dinheiro é só um meio. O verdadeiro objetivo é ter ou parecer ter mais do que os outros. É a isso que os competitivos dedicam a maior parte de seu tempo e de sua energia: a olhar para fora de si mesmos.

Você precisa se livrar dessa armadilha para não viver uma vida mecânica, vazia de sentido e significado.

120121-Culpa4-compressor.jpg

4. Sentir Culpa

Você sente culpa ao gastar - ou mesmo ao ganhar dinheiro?

Em caso positivo, o sentimento de culpa pode estar bloqueando seu acesso a uma vida de abundância.

O problema, aqui, não é nem a fascinação pelo dinheiro, nem o medo da escassez. É a sensação de que você não merece ficar bem. E aí, você pensa em todas as pessoas que passam fome e frio e não têm o mínimo para viver com dignidade. Não é justo.

Cuidado! A dificuldade de ganhar e de gastar dinheiro motivada pela culpa pode parecer uma forma de superioridade moral.

Não é.

Privar-se de usar os próprios recursos com sabedoria não acaba com a pobreza nem com o sofrimento do mundo. Só condena mais uma pessoa à impotência.

Melhor seria deixar fluir bastante dinheiro na sua direção e usar parte desse dinheiro para tornar o mundo um lugar melhor para mais gente.

5. Viver Desencanado/a

Você não está nem aí. De algum jeito, sempre tem grana suficiente e vai levando. O dinheiro é um mero coadjuvante.

A menos, é claro, que a casa caia. Se acabar a grana ou as dívidas se acumularem, quem é muito desencanado tende a ficar completamente perdido.

Não caia na armadilha de achar que dinheiro não importa.

mae-bronca-crianca-compressor.png

6. Achar que Ainda é uma Criança

Será que você, internamente, se recusa a crescer?

Algumas pessoas não chegam a conquistar a renda necessária para se manterem e continuam dependendo de alguém que pague suas contas.

Esta é uma condição típica de herdeiros de famílias ricas, que não participaram da construção da riqueza de que usufruem. Aprisionados pelo bem-bom, carecem de garra e de um projeto de vida próprio.

Apesar de parecerem simplesmente pessoas encostadas ou aproveitadoras, com frequência as crianças eternas vivem à mercê de sentimentos intensos de insegurança e baixa auto-estima.

Tornar-se adulto, porém, é uma conquista fundamental, que ninguém pode alcançar por você. Mantendo-se em condição de dependência, você estará condenado/a a passar pela vida sem de fato agarrá-la nas mãos.

7. Achar-se Evoluído/a Demais Para se Preocupar com Dinheiro

Você parece desencanado/a, mas não é.

Pensa secretamente que preocupar-se com a própria situação financeira ou desejar mais dinheiro para gastar com o que quiser é coisa de gente fútil, materialista.

A altivez na relação com o dinheiro não é sinal de desapego; é uma máscara.

Se você se recusa a dar importância para o dinheiro, porque sente que está acima disso, melhor reconhecer e se libertar dessa armadilha. Caso contrário, é provável que sua condição financeira siga assombrando você em silêncio a partir dos cantos escuros de sua mente.

vaca-compressor.png

8. Deixar-se Sugar

Você se sente obrigado/a a sustentar outras pessoas, como se não tivesse escolha?

A contraparte necessária da Criança Eterna, do eterno dependente, é tipo uma vaca leiteira. Se você está desempenhando esse papel, provavelmente vive reclamando que ninguém reconhece seu esforço.

O que as vacas leiteiras costumam não perceber, porém, é que seu comportamento estimula a dependência e a infantilização.

Para escapar dessa armadilha, você precisa perceber que não é um coitadinho/a sofredor.

Suas tetas volumosas são vividas como fonte de poder, dominação e controle. E é comum que você cultive secretamente (ou abertamente) um sentimento de superioridade.

Aprisionar o outro em situação de dependência é também (paradoxalmente) uma forma de sugar — não o dinheiro, mas a energia da outra pessoa. Sua vontade de se emancipar e prosperar por conta própria. Muitas mães agem assim com seus filhos - o que parece amor, bondade ou condescendência é na verdade o desejo disfarçado de que nunca cresçam.

Sustentar os outros também pode ser uma forma de lidar com o desamor, com a baixa auto-estima. Você acredita que, se deixar de dar dinheiro, deixará de receber amor e atenção.

Não percebe que, justamente ao fazer o papel de vaca leiteira, passa a ser visto/a como alguém que só vale pelo tamanho das tetas.

9. Ganhar Dinheiro Acima de Tudo

Dinheiro, status e poder podem ser tão viciantes como a próxima tragada.

Você busca dinheiro com voracidade? Só pensa nisso?

O problema é que o preço a pagar por viver atrás de cada vez mais dinheiro é alto demais. Pessoas vorazes sacrificam seus relacionamentos mais importantes - inclusive a relação consigo mesmas.

Reféns da fome insaciável, tendem a se tornar duras, solitárias e sem vida.

escassez-compressor.jpg

10. Viver em Escassez

Você tá sempre com aquela sensação de que não tem o suficiente?

Vive torturado/a pelo medo de perder o (pouco) que tem?

Se você vive em escassez, está desconectado/a do fluxo da abundância: dar e receber sem obstáculos, confiando que aquilo de que você necessita chegará até você, e gerando prosperidade em todas as direções.

Talvez você tenha medo de ser visto/a como uma fraude, porque no íntimo acha que não vale muito. Então, é melhor se conformar com a escassez, mesmo, do que cultivar a coragem de desejar de peito aberto.

Ou talvez você morra de medo de despertar a inveja e a cobiça dos outros por aquilo que você pode conquistar. Aí prefere viver na penumbra, com o freio de mão puxado.

Será que, sem perceber, você tem se mantido ativamente em condição de escassez?

Ou será que, por medo, você se percebe em situação de escassez, ao invés de reconhecer a abundância que já existe na sua vida e deixar seu coração se encher de gratidão?

Para escapar da armadilha da escassez, você precisa, antes de tudo, confiar. E permanecer aberto/a, livre de culpa, medo ou orgulho, para acolher o que se manifestar diante de você — seja dinheiro, ajuda ou amor.

______________________________________________________________________________________

Se gostou do texto, clique no botãozinho do Face e compartilhe com seus amigos! ______________________________________________________________________________________

Para ter acesso gratuito a mais textos como este, cadastre seu Email na minha Newsletter. [CLIQUE AQUI]

______________________________________________________________________________________


André Camargo

Dois filhos, um livro e nenhuma árvore.
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //André Camargo