Dayane Okipney

Leonina com ascendente em peixes, formada em Artes visuais, especialista em Arteterapia Junguiana e estudante de pedagogia! Artista por vocação, educadora por paixão!
Tem uma tatuagem com a frase de Godard e um mundo de opiniões sobre tudo!

Brilho eterno de uma mente sem lembranças e nossa utopia do eterno recomeço

Não existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão apagadas e você recomeçará sua história do zero. No mundo real, existe você, no aqui e agora, fazendo valer a pena. E diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma segunda chance.


Esse texto é uma leitura pessoal da autora sobre o filme, publicado originalmente em Etérea Essência

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Acho que nunca comentei sobre isso aqui, mas quem me conhece sabe muito bem que Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry) é meu filme favorito, por inúmeras questões. Tanto por valor estético, como por conteúdo, quanto por memórias afetivas de uma época da minha vida. Foi o filme que me pegou e que faz parte da minha história pessoal. O vi a primeira vez em 2007 e desde essa época, necessito assisti-lo de tempos em tempos. E choro, me emociono, me questiono todas as vezes que o vejo. A última vez foi no cinema, em uma amostra de filmes no MIS, e novamente, uma sensação inexplicável. Sempre quis escrever algo sobre a importância desse filme pra mim, mas nunca consegui colocar em palavras. Mas hoje, estava comentando sobre “relacionamentos cagados “ e como acho que não vale a pena tentar ficar remendando um relacionamento que já desgastou, que já chegou ao fim. Ouvi como resposta “Mas você não gosta do Brilho eterno? Ele é o tempo todo sobre isso!”. Na hora eu não pude responder, mas não, eu não vejo que seja sobre isso.

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Brilho eterno de uma mente sem lembranças não se trata de insistir em um relacionamento que já afundou, em “fingir” que as mágoas não existem, em que as dores foram perdoadas e seguir com a mesma pessoa, como se tudo estivesse bem. Brilho Eterno, em uma leitura pessoal, fala de recomeço, de tentar fazer com que dê certo, em olharmos para nós mesmos e pensarmos “Porque faço essa pessoa que amo tanto sofrer de uma forma tão dolorosa? Porque a maltrato, porque não me importo com o que ela pensa ou sente, porque prefiro estar com a razão do que estar em paz com aquele que escolhi dividir a vida?”. Quando Clementine (Kate Winslet) e Joel (Jim Carrey) se reencontram, eles estão com as memórias apagadas um do outro. Eles tem o sentimento puro que os une, eles sabem que se amam, mas estão limpos das mágoas e dos erros do passado. E mesmo após terem contato com a fita em que escutam um insultando o outro, ambos decidem que não farão mais dessa forma, que irão superar isso e fazer diferente. Joel precisa reviver suas lembranças, retrogradamente, e chega ao tempo que ele e Clementine se amam sem ego, sem jogos, sem mágoas, para notar o quanto a amava e o quanto apesar de todos os defeitos, ele não queria que ela saísse de sua memória, de sua vida.

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Brilho eterno me mostra como afundamos um amor verdadeiro, seja ele uma amizade, um romance, algo de puro e essencial em nossas vidas, por querermos ter sempre razão, por preferirmos ferir alguém, preferirmos trair, magoar, ignorar uma pessoa que está do nosso lado por puro ego e amargura. E se tivéssemos uma segunda chance? E se voltássemos a nos conhecer, mas com a mente livre de julgamentos, com o coração aberto para uma nova tentativa? Porque estragar uma história que hoje você está vivendo com alguém? Por que não ceder, não relevar, não querer se ajeitar? Porque construir um muro de tristezas, mágoas e rancores, em vez de criar novas e melhores lembranças? Será que você terá uma nova chance, quando essa relação chegar ao fim? Será que será fácil para o outro esquecer e passar por cima de todas as marcas que ficaram? Não existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão apagadas e você recomeçará sua história do 0. No mundo real, existe você, no aqui e agora, fazendo valer a pena. Talvez ainda dê tempo de cultivar aquela sementinha quase morta de amor no coração de ambos, talvez ainda tenha como criar lembranças mais amorosas e fortes que as ervas daninhas que se infiltraram. Tudo depende de você e de como você quer que seja a sua vida. E diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma segunda chance.


Dayane Okipney

Leonina com ascendente em peixes, formada em Artes visuais, especialista em Arteterapia Junguiana e estudante de pedagogia! Artista por vocação, educadora por paixão! Tem uma tatuagem com a frase de Godard e um mundo de opiniões sobre tudo!.
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