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A vida pede ação, a alma atenção.

Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro

Irmandade: O Vínculo do Alicerce

Só quem tem irmão sabe das dores e dos amores. Esta relação que é a nossa primeira escola, por onde aprendemos a conviver com as diferenças, a dividir o mesmo espaço, a sentir raiva e amor com a mesma intensidade. Ter irmãos é estar eternamente fincado no eixo de casa, é azar e sorte grande.


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Existe uma cumplicidade genuína muito bela entre irmãos, que apesar das grandes dificuldades vivenciadas, são capazes de conversar através dos olhares, culpar e assumir culpas, além de compartilhar diversas histórias que vão da intensa raiva até a extrema alegria. Os irmãos são as recordações ambulantes das nossas raízes, e por mais que a vida nos leve para longe, sabemos que mesmo assim, há um lugar a recorrer sempre, espaço que não é necessariamente físico, mas humano.

Se há algo em que não escolhemos é o lar em que vamos nascer e crescer, a nossa família é a ventura da vida, entretanto, esta é uma relação que, quando construída com amor responsável é capaz de se tornar uma eterna alegria. Quando somos crianças e temos irmãos, aprendemos a compartilhar e dividir as mesmas coisas, desde objetos até momentos. Temos companhia nas brincadeiras e travessuras, cultivamos uma amizade, que com o passar do tempo só cresce e amadurece. Também é no contexto familiar que as primeiras frustrações e brigas acontecem, são os irmãos nossos primeiros amigos e inimigos. As discussões por diversos motivos são frequentes em certa época da vida, porém, muitas vezes, com a mesma rapidez que começam também terminam, e a conversa continua, os sorrisos retornam aos lábios e as expressões seguem a sintonia da comunicação da irmandade.

Um filme lindíssimo que retrata dessa relação de uma forma sensível, é o "Filhos do Paraíso", uma produção iraniana, dirigida por Majid Majidi. A trama conta a história de duas crianças humildes que vivem um conflito após a perda de um par de sapatos. Ali (Amir Farrokh Hashemian) certo dia, ao buscar o único par de sapatos de sua irmã Zahra (Bahare Seddiqi) no sapateiro, acaba por perdê-los. Com medo de levar uma surra de seus pais e sabendo da situação financeira de sua família, o garoto convence sua pequena irmã a manter o ocorrido em segredo. Por não ter outra opção, Ali passa a revezar seu par de tênis com Zahra, que vai para a escola com o calçado e volta correndo à tarde, para que o irmão possa também estudar com seus tênis. E, deste modo, os dois tornam-se cúmplices, mediante todas as dificuldades. O sofrimento enfrentado por ambos é entendido e compartilhado, entretanto, o laço que os une é de um enorme afeto e amizade. Ali, mesmo com seu calçado em mau estado, sente-se impulsionado a participar de uma corrida, que entre outros prêmios, dará ao terceiro lugar um par de tênis. O menino apenas possui como objetivo ganhá-los para sua irmã. Desta forma, vemos o grande amor e empenho do irmão, é possível perceber no olhar a determinação do garoto, que mostra a todos o verdadeiro significado do amor.

Uma grande história que tem um enredo que pode aparentar simples e singelo, mas que é carregado de ensinamentos apresentados por crianças, que mostram o que é agir com generosidade, solidariedade e altruísmo. Um filme que emociona por sua beleza e também por retratar de uma forma primorosa a amizade entre irmãos.

Na vida, apesar da filiação, não sabemos se realmente amaremos a cada um de nossos parentes, entretanto, esta é uma tarefa diária do ser humano, a nossa verdadeira família é fruto de uma construção. Muitas vezes, os caminhos nos levam ao encontro de grandes parceiros e amigos que se encarregam de partilhar a vida conosco, tornando assim, verdadeiros pais, mães e irmãos. É na relação com o social, nos relacionamentos que criamos e desenvolvemos a intimidade e união, compartilhando assim, momentos e sentimentos. Tudo isso é necessário para a o bem estar, é importante saber que há pessoas em que podemos confiar e que aceitam as diferenças e fraquezas. Que possamos nos familiarizar a cada dia, a todo momento, pois está é uma das dádivas da vida.

A casa é a mesma. Igual, vista por olhos diferentes? São estranhos próximos, atentos à área de domínio, indevassáveis. Guardar o seu segredo, sua alma, seus objetos de toalete. Ninguém ouse indevida cópia de outra vida. Ser irmão é ser o quê? Uma presença a decifrar mais tarde, com saudade? Com saudade de quê? De uma pueril vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?” Carlos Drummond de Andrade


Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro.
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